Atualmente, tem se notado na mídia diversas notícias a respeito do comportamento agressivo entre “parceiros”, sendo estes casados, namorados dentre outras infinidades de relacionamentos amorosos.
Neste sentido, gostaria de chamar atenção para alguns aspectos de tais comportamentos que vou nomear de “atos”. Primeiramente, devemos pensar que somos seres inseridos em uma determinada cultura, onde dotados de uma linguagem, possuímos a capacidade de simbolizar nossos afetos.
Desta forma, previamente em nossa constituição psíquica, somos atravessamos por diversos traumas, inúmeras situações de desamparo, abandono, com alguns encontros “desagradáveis” ou “desprazerosos”. Como de antemão aponto para uma referência aos atos nas relações entre os parceiros, fica aqui nomeado que tais atos são reações diante de encontros ou vivências que os remetem a sentimentos de abandono, egoísmo ou narcisos, ou seja, mais antigos e arcaicos.
Logo, quando vemos nos anúncios da mídia, o espetáculo das agressões, servimos de espelho para que os “parceiros possam dizer algo”, por mais que seja em tal precariedade de sentidos, chegando até a mortes, extorsões e sofrimentos. Entender que esses atos seriam da ordem da linguagem seria cômodo.
Deve-se ir além, pois eles nos querem dizer algo mais, contendo algumas mensagens de algum mal-estar vivenciado pelo “parceiro atuante”. Assim, diante da cultura, tais atos são resultantes de uma forma contemporânea do dizer, mesmo que seja precário, mesmo que leve a morte ou algum sofrimento posterior.
Portanto, com a predominância das formas precárias de simbolizar, os atos se tornam algo oficial, da ordem do dia, como tentativas empobrecidas do simbólico para dar conta de algum mal-estar vivido, buscando alguns holofotes, onde lhe trarão alguns parâmetros, mesmo que sejam estes que temos vistos através do olho especular da mídia.
Thiago Augusto Pinto
Psicólogo, especialista em teoria psicanalítica pela UFMG.
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