O que é preciso para viver um grande amor? Por que alguns relacionamentos duram semanas, e outros, uma vida inteira? Cientistas estão chegando perto da resposta, e abrindo caminho até para a criação da pílula do amor.
A ciência tem hoje uma série de pistas que ajudam a explicar por que umas pessoas só querem encontros casuais e outras se apaixonam com uma facilidade impressionante. E não é exatamente por causa da beleza, do charme ou da simpatia. Bom, pelo menos, não é só por causa disso.
O nome do cupido que atua com mais intensidade sobre as mulheres é oxitocina. Sobre os homens, vasopressina. São hormônios produzidos naturalmente pelo corpo, mas que reagem de maneira diferente em cada pessoa.
Pesquisas indicam que a capacidade que temos de criar vínculos amorosos está relacionada à localização dos neurônios que recebem oxitocina e vasopressina em nossos cérebros. Se há uma concentração maior desses receptores na chamada área de recompensa – responsável pelo prazer e pelo vício –, fica muito mais fácil se apaixonar. Agora, se eles estão em outras áreas do cérebro, esquece: estamos provavelmente diante de uma daquelas pessoas que vivem procurando namorado.
A pesquisa comandada pelo doutor Larry Young, na Universidade de Emory, no estado americano da Georgia, acompanhou o comportamento de roedores e concluiu que as fêmeas que recebem injeções de oxitocina ficam muito mais apaixonadas.
Larry Young diz que roedores que antes não estavam nem aí para os parceiros passaram a manter “relacionamentos duradouros” logo depois da injeção.
O pesquisador diz que a paixão tem a ver com genética, hormônios e – ufa! – com a experiência de vida de cada um. Mas, se já inventaram as pílulas da potência sexual, as novas descobertas científicas sugerem que em breve poderemos ter também a pílula do amor.
“É muito possível desenvolver drogas para acelerar o envolvimento com outras pessoas ou mesmo facilitar a procura por um amor”, assegura Larry Young.
Imagine só: as coisas esfriam e você quer dar um gás no relacionamento. Então, dá um pulo na farmácia e toma uma dose de oxitocina. Tudo resolvido! Ou o contrário: o cara morre de amores por alguém que já tem compromisso, quer desistir mas não consegue. Antivasopressina, por favor! Algumas doses, e – que alívio – a paixão acaba.
Viver um grande amor é um sonho que nos acompanha desde os primórdios da humanidade. Amores inspiraram sinfonias, poemas, inúmeras obras de arte. Mas o amor em excesso pode ser como andar perdido por uma floresta. Já levou muita gente à loucura, foi motivo de guerras no passado. Não seria, então, arriscado atravessar a ponte que separa o amor natural daquele que poderia ser estimulado pela ciência? Quem ousaria tomar uma pílula do amor?
Uma estudante americana disse que não tomaria uma pílula do amor porque tem capacidade de sentir por conta própria. Já o amigo dela diz que se fosse para melhorar os relacionamentos, por que não?
Depois de 27 de casamento um americano não tem dúvida: “É claro que eu tomaria uma pílula para aumentar a dose de amor que tenho por alguém”.
E essa é exatamente uma das aplicações mais prováveis, segundo o doutor Larry Young.
“Um medicamento como esse poderia muito bem ser usado em terapia de casais”, prevê o cientista. “Ingerindo um pouco de oxitocina, você poderia focar mais no parceiro e se relacionar melhor com ele. Então, há sérias indicações de que a oxitocina nos deixa mais próximos e pode ter importância na criação de um novo relacionamento”, completa.
Mas a pesquisa sobre a química do amor está só começando, e Larry Young prefere não se arriscar em um terreno tão ardiloso. Flores e jantares serão sempre a melhor maneira de se apaixonar.
Fonte: fantástico.globo.com






