Pensando em algumas aventuras em que alguns indivíduos exercem no cotidiano, pensa-se em algumas situações onde se coloca em jogo infinitas formas de mal-estar e suas conseqüências.
No último dos casos, que pudemos ver escrito ou em imagens, um determinado indivíduo viveu algumas atitudes que, por fim, acabaram em tragédia. De um primeiro ponto, coloco em questão a condição do “ser” que ali se encontra, em que, tomado como objeto depois de sua atitude, vira alvo de várias interpretações de diversos campos do saber, carimbado por várias formas de diagnóstico, de múltiplas personalidades, até mesmo de psicopata.
Na esfera parental, pensa-se nas condições em que cada indivíduo se insere na cultura através do mundo simbólico, onde cada um pode se expressar de acordo com os próprios limites e conflitos. Portanto, as formas de linguagem apontam para um cenário de pobreza ou riqueza de expressão da afetividade.
Algumas atitudes já são tidas desde a tenra infância, outras vêm atravessadas durante o percurso da vida, cabendo às pessoas do convívio perceber alguma manifestação excessiva. Às vezes, simplesmente faltam elementos para tal observação, ou até mesmo, tem-se ouvidos e não se consegue ouvir. Neste sentido, muitos falam sem dizer absolutamente nada, outros dizem, porém os dizeres não são muito bem traduzidos ou conduzidos.
E onde esse acúmulo de mal entendido se expressa? Vimos que na sociedade global, em poucos minutos, a cultura do imediatismo propaga a informação muito rápido, através de uma explosão que podemos chamar de expressão, de mensagem, de linguagem. Dessa forma, aglutina-se, em um único momento, a condição afetiva de um indivíduo, a estrutura psíquica de um sujeito e este realiza um laço social, vindo a dizer de seu próprio mal-estar trágico, que não conseguiu ao longo de sua vida ser ouvido, ou ter endereçado algo através de seu dizer de forma mais explícita.
Assim, na condição de sujeito, este se localiza num marco zero no laço social, pois demonstra permanecer no lugar de objeto. Quais os canais que são ofertados na nossa cultura frente às diversas formas de mal-estar? Quais as funções paternas-maternas ofertadas na relação parental com o infans? Ai está configurada e armadas a condição de sujeito em cada indivíduo, que estabelece um laço social precário, trágico, em que, nessa atitude, ele vira para todos e diz: “Eu existo”, e todos nós assistimos de camarote em nossas casas um caos de um indivíduo que veio avisando há algum tempo sobre o que acabamos de ver.
Thiago Augusto Pinto – psicólogo, especialista em Teoria Psicanalítica pela UFMG
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