Deputado bolsonarista de Divinópolis comemora fim de vaquinha para estudantes da UFSJ e acusa iniciativa de favorecer Lula

Deputado estadual Eduardo Azevedo afirma que denúncia encaminhada por seu gabinete levou o MP a procurar organizadores de uma vakinha para o deslocamento de estudantes da UFSJ para a galera votar no PT

Publicado por: Redação

O deputado estadual eleito Eduardo Azevedo (PL), de Divinópolis, divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando que uma denúncia apresentada por seu gabinete ao Ministério Público resultou no cancelamento de uma campanha de arrecadação destinada a custear o deslocamento de estudantes universitários no período eleitoral. Segundo o parlamentar, a iniciativa teria sido organizada por alunos da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) para financiar o transporte de eleitores favoráveis ao Partido dos Trabalhadores. Eduardo classificou a arrecadação como irregular e afirmou que os responsáveis foram chamados pelo Ministério Público. Entretanto, a manifestação não apresenta número de procedimento, decisão judicial ou documento que comprove formalmente o cancelamento. O episódio reacende o debate sobre os limites legais do transporte de eleitores e a participação de universitários nas eleições presidenciais de 2026.

Eduardo Azevedo afirma que denúncia partiu de seu gabinete

Na gravação Eduardo Azevedo afirma que está acompanhando práticas que considera irregulares durante a campanha eleitoral e que decidiu apresentar denúncias aos órgãos competentes.

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O parlamentar cita uma arrecadação supostamente organizada por estudantes da UFSJ para custear o deslocamento de pessoas interessadas em votar. Segundo Eduardo, a iniciativa teria finalidade partidária, uma vez que os beneficiários seriam eleitores do PT.

O deputado afirma que, depois da denúncia apresentada por seu gabinete, o Ministério Público teria procurado os responsáveis pela organização da campanha.

Deputado anuncia cancelamento da arrecadação

Eduardo Azevedo apresentou o suposto encerramento da campanha como resultado da atuação de seu gabinete. “Vaquinha cancelada.”

O parlamentar também rebateu a possibilidade de que sua iniciativa fosse interpretada como tentativa de impedir estudantes de exercer o direito ao voto. Segundo ele, o objetivo da denúncia seria assegurar o cumprimento da legislação eleitoral.

A gravação, contudo, não identifica os organizadores, não apresenta documentos relativos à arrecadação e não esclarece se o cancelamento decorreu de decisão judicial, recomendação ministerial ou iniciativa dos próprios estudantes. Portanto, a informação sobre o encerramento da campanha permanece atribuída ao deputado.

Universidade mencionada é a UFSJ, não a UEMG

Embora o episódio possa gerar dúvidas pela existência de diferentes universidades públicas em Divinópolis, Eduardo Azevedo menciona expressamente estudantes da Universidade Federal de São João del-Rei, a UFSJ. A gravação não faz referência à Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).

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Também não identifica quais estudantes participaram da organização da arrecadação, nem estabelece que a iniciativa tenha sido promovida oficialmente pela administração universitária. A eventual participação de alunos em uma campanha particular não significa, por si só, envolvimento institucional da universidade.

Ministério Público já questionou arrecadação semelhante em universidade mineira

O caso citado por Eduardo ocorre em meio a outras discussões sobre campanhas de financiamento coletivo destinadas ao transporte de estudantes durante as eleições. Em 10 de outubro, o Ministério Público de Minas Gerais divulgou que havia obtido decisão judicial estabelecendo medidas de transparência e controle sobre uma campanha de arrecadação organizada pelo Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Naquela situação, o Ministério Público apontou questionamentos envolvendo a arrecadação de mais de R$ 109 mil, os critérios de utilização dos recursos, a prestação de contas e a coleta de dados pessoais.

É importante destacar que se trata de uma ocorrência distinta, envolvendo outra universidade e outro procedimento. A existência da decisão em Viçosa não comprova a denúncia apresentada por Eduardo em relação à UFSJ.

O que diz a legislação sobre o transporte de eleitores

A legislação brasileira estabelece regras para evitar que o fornecimento de transporte seja utilizado como instrumento de aliciamento eleitoral ou de favorecimento de candidaturas. A Lei Federal nº 6.091/1974 e a Resolução TSE nº 23.759/2026 disciplinam o deslocamento de eleitores nos dias de votação e estabelecem exceções para serviços regulares e transportes autorizados.

O Tribunal Superior Eleitoral esclarece que candidatos, partidos e particulares não podem fornecer transporte com finalidade eleitoral ilícita. Ao mesmo tempo, o poder público deve garantir o transporte coletivo urbano gratuito no dia da votação, sem distinção entre eleitores.

A existência de uma arrecadação entre estudantes, isoladamente, não comprova crime. Para caracterizar eventual irregularidade, é necessário examinar quem arrecadou, como o dinheiro seria utilizado, se houve favorecimento partidário e quais circunstâncias envolveram o deslocamento.

Eduardo incentiva utilização do aplicativo Pardal para denúncias

Ao finalizar a gravação, Eduardo Azevedo incentivou cidadãos a comunicar possíveis irregularidades eleitorais por meio do aplicativo Pardal, disponibilizado pela Justiça Eleitoral. A ferramenta permite encaminhar denúncias de propaganda eleitoral irregular e outras ocorrências abrangidas pelo sistema, conforme as regras aplicáveis.

O deputado afirmou que pretende continuar acompanhando possíveis irregularidades durante a reta final da campanha presidencial. A manifestação ocorreu em um contexto de forte polarização política, às vésperas do segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para domingo (25).

Denúncia ainda depende de esclarecimentos sobre o procedimento

O principal ponto que permanece sem esclarecimento público é a identificação do procedimento mencionado por Eduardo Azevedo. A gravação não informa qual unidade do Ministério Público teria recebido a denúncia, quem foram os organizadores contatados ou se alguma autoridade reconheceu formalmente a existência de irregularidade eleitoral. Também não há documentação apresentada que permita concluir que estudantes tenham efetivamente cometido crime.

O fato confirmado pelo material encaminhado ao Divinews é que Eduardo Azevedo anunciou uma denúncia contra uma iniciativa de arrecadação atribuída a estudantes da UFSJ e afirmou que a vaquinha foi cancelada. A existência de crime eleitoral e as circunstâncias do cancelamento ainda dependem de confirmação documental. O Divinews deixa espaço aberto para manifestação dos estudantes envolvidos, da UFSJ, se assim o desejarem.

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