Nomeações em Minas: Bruno Farias é sondado para ocupar a Secretaria de Saúde de Cleitinho; eventual nomeação recoloca Euclydes Pettersen no Congresso

Deputado federal reeleito, Bruno Farias, recebeu sondagem de pessoas próximas ao governador eleito; movimento produziria uma consequência política imediata ao permitir o retorno à Câmara do presidente mineiro do Republicanos, Euclydes Pettersen, derrotado nas urnas por uma diferença de pouco mais de 21 mil votos

Publicado por: Geraldo Passos

A montagem do futuro governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos) começa a produzir as primeiras especulações e, entre os nomes que circulam nos bastidores, um deles chama atenção não apenas pela possibilidade de ocupar uma das principais secretarias de Minas Gerais, mas também pelo efeito político que provocaria em Brasília. O deputado federal reeleito Bruno Farias (Republicanos) confirmou ter sido procurado por pessoas próximas ao governador eleito para conversar sobre a Secretaria de Estado de Saúde. Caso aceite a função, sua saída temporária da Câmara abriria espaço justamente para Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos, primeiro suplente da legenda e um dos dirigentes que tiveram participação decisiva na construção da candidatura de Cleitinho ao Palácio Tiradentes.

O assunto coloca a montagem do governo sob uma nova perspectiva poucos dias depois das eleições. Bruno Farias terminou a disputa por deputado federal com 113.379 votos e garantiu a reeleição. Euclydes Pettersen, por sua vez, recebeu 92.285 votos, uma diferença de 21.094 votos, mas não conseguiu permanecer entre os eleitos. O Republicanos conquistou três cadeiras por Minas: Bruno Farias, Gilberto Abramo e Gleidson Azevedo. Pettersen ficou na primeira suplência, condição que o coloca diretamente na linha de substituição caso um dos titulares deixe temporariamente a Câmara para assumir uma função no Executivo.

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Bruno admite sondagem, mas diz que prioridade é a Câmara

Até agora não existe anúncio oficial de Cleitinho indicando Bruno Farias para a Secretaria de Saúde. O próprio deputado fez questão de diferenciar uma sondagem feita por pessoas do entorno do governador eleito de um convite formal. Segundo Farias, ele ainda não conversou diretamente com Cleitinho sobre assumir a pasta e sua intenção neste momento é exercer o novo mandato conquistado nas urnas.

Essa distinção é importante porque a equipe de Cleitinho ainda está em fase inicial de composição, e boa parte dos nomes que começam a circular representa movimentos de aliados, sugestões partidárias ou consultas preliminares. Cleitinho tem dito que pretende montar uma equipe com perfil técnico e, até o momento, não anunciou oficialmente o nome do futuro secretário de Saúde.

Bruno, entretanto, possui um currículo que naturalmente o coloca nas discussões envolvendo a pasta. É enfermeiro, foi presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais e teve atuação na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. A defesa de profissionais da enfermagem também esteve entre as principais bandeiras de seu primeiro mandato federal, fator que ajuda a explicar por que seu nome passou a circular para uma secretaria com uma das maiores estruturas do Governo de Minas.

Uma nomeação e dois movimentos políticos

Se a conversa evoluir e Bruno aceitar comandar a Saúde, o movimento terá uma consequência automática no Congresso. A Constituição Federal permite que deputados federais assumam cargos de secretário estadual sem perder definitivamente o mandato. Durante o período em que permanecerem no Executivo, o suplente é convocado para ocupar a cadeira.

Neste cenário, Euclydes Pettersen retornaria à Câmara dos Deputados, apesar de não ter conseguido a reeleição diretamente nas urnas. O presidente mineiro do Republicanos terminou a eleição com 92.285 votos, sendo o candidato à reeleição mais votado entre os deputados federais de Minas que não conquistaram uma cadeira.

Isso não permite afirmar que uma eventual escolha de Bruno Farias para a Saúde teria como objetivo levar Euclydes novamente a Brasília. Não existe, até o momento, informação pública que demonstre essa motivação. Mas a consequência política seria exatamente essa e, por isso, o movimento desperta atenção nos bastidores da transição.

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Euclydes teve papel decisivo na candidatura de Cleitinho

A situação ganha um componente político adicional porque Euclydes Pettersen não é apenas o presidente estadual do partido do governador eleito. Durante o conturbado período que antecedeu a oficialização da candidatura de Cleitinho, ele esteve entre os principais dirigentes mineiros empenhados em convencer a direção nacional do Republicanos a manter o senador na disputa.

A candidatura chegou a ser praticamente descartada pela legenda em meio às indefinições de Cleitinho sobre disputar ou não o Governo de Minas. Em determinado momento, o Republicanos divulgou comunicado retirando seu nome do projeto estadual. Pettersen, porém, continuou trabalhando internamente para manter aberta a possibilidade de candidatura e posteriormente participou diretamente das conversas com o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, que terminaram com a reversão da decisão.

Ao lado do deputado estadual Carlos Henrique, Euclydes participou da reunião que convenceu o comando nacional de que lançar Cleitinho seria vantajoso para o partido e ajudaria também na eleição das chapas proporcionais. Ele esteve ainda na articulação final que levou Cleitinho e o irmão Gleidson Azevedo a uma reunião com a direção nacional antes da confirmação definitiva da chapa.

Na prática, Euclydes foi um dos aliados partidários que sustentaram o projeto político estadual de Cleitinho durante um período em que a candidatura chegou a ficar seriamente ameaçada. Essa relação torna ainda mais significativa a possibilidade de o presidente estadual da legenda acabar retornando à Câmara como consequência de uma eventual nomeação de Bruno Farias.

Republicanos elegeu três, mas Euclydes ficou fora

As urnas produziram uma situação curiosa dentro do próprio Republicanos. Apesar da vitória de Cleitinho para governador e do bom desempenho da legenda na eleição proporcional, seu presidente estadual não conseguiu renovar o mandato.

Bruno Farias recebeu 113.379 votos. Gleidson Azevedo, irmão gêmeo de Cleitinho e ex-prefeito de Divinópolis, alcançou 126.248 votos, enquanto Gilberto Abramo obteve 96.046 votos. Os três conquistaram as cadeiras destinadas ao Republicanos. Euclydes, mesmo com 92.285 votos, acabou ficando na suplência.

A distância entre Bruno e Euclydes foi de 21.094 votos. A diferença entre Euclydes e Gilberto Abramo, o eleito do partido com menor votação nominal, foi ainda menor, de apenas 3.761 votos. A distribuição das vagas para deputado federal, contudo, não depende exclusivamente da ordem individual de votação, mas do desempenho partidário e das regras do sistema proporcional.

Bruno Farias tem trajetória diretamente ligada à Saúde

A eventual escolha de Bruno não seria apenas uma composição política. O deputado é formado em Enfermagem, possui mestrado e presidiu o Coren-MG antes de chegar à Câmara dos Deputados. Em Brasília, integrou a Comissão de Saúde em diferentes períodos e construiu parte de sua atuação parlamentar em torno de pautas relacionadas à enfermagem e aos profissionais da área.

Esse histórico fornece um componente técnico à especulação, especialmente porque Cleitinho incluiu a saúde entre as prioridades dos primeiros meses de sua futura administração. O governador eleito já sinalizou que pretende revisar estruturas, acelerar atendimentos e acompanhar de perto áreas que possuem contato direto com a população.

A saúde pública estadual administra uma estrutura complexa, que envolve hospitais, repasses aos municípios, relações com o SUS, programas de atenção básica e especializada, além de contratos e convênios que movimentam bilhões de reais. Por isso, a escolha do secretário deverá estar entre as decisões mais importantes tomadas por Cleitinho antes da posse.

Farias, entretanto, sinaliza que pretende permanecer deputado

Apesar da repercussão da sondagem, Bruno Farias adotou cautela ao falar sobre o assunto. O parlamentar afirmou que sua prioridade continua sendo agradecer os votos recebidos e exercer mais um mandato de deputado federal, destacando que ainda não conversou diretamente com Cleitinho sobre o cargo.

A declaração reduz, neste momento, qualquer possibilidade de tratar a nomeação como definida. Existe uma consulta política, existe um nome sendo discutido e existe uma consequência clara caso a escolha seja concretizada. Mas não há convite oficial aceito.

Esse detalhe será fundamental para acompanhar os próximos movimentos. Em processos de transição, nomes podem ser sondados sem que cheguem a receber convite definitivo, enquanto outros podem surgir somente depois da análise das estruturas de cada secretaria e das negociações partidárias.

Cleitinho diz que quer equipe técnica e tem liberdade para escolher

Outro elemento que pesa na montagem do secretariado é a forma como Cleitinho chegou ao Governo de Minas. Sua coligação eleitoral foi relativamente enxuta, reduzindo o número de compromissos partidários assumidos durante a campanha. Aliados do governador eleito avaliam que isso lhe dá maior liberdade para escolher auxiliares sem precisar distribuir secretarias entre uma quantidade elevada de partidos.

O próprio Cleitinho já indicou que pretende privilegiar quadros técnicos na formação do secretariado, embora reconheça que precisará construir uma base política na Assembleia Legislativa para aprovar projetos e executar seu programa de governo. Também está definido que o vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão, terá uma função executiva e comandará uma secretaria, ainda não anunciada.

Outros nomes começam a aparecer nos bastidores. O ex-deputado federal e ex-prefeito de Conceição do Mato Dentro José Fernando Aparecido de Oliveira, conhecido como Zé Fernando, passou a ser citado para a Secretaria de Cultura e Turismo. Assim como no caso de Bruno Farias, porém, ainda não existe confirmação oficial.

A primeira peça pode mexer também em Brasília

A escolha da Saúde poderá mostrar qual será o modelo adotado por Cleitinho para formar sua administração: nomes técnicos, aliados políticos, parlamentares eleitos ou uma combinação desses perfis. No caso de Bruno Farias, a decisão ganha peso adicional porque qualquer movimentação produz efeitos fora da Cidade Administrativa.

Se permanecer deputado federal, nada muda na bancada mineira do Republicanos. Se aceitar o comando da Saúde, Bruno se licencia da Câmara e Euclydes Pettersen, hoje primeiro suplente, passa a ocupar a cadeira durante o período em que o titular estiver no Executivo.

É justamente por isso que a primeira especulação consistente do secretariado de Cleitinho já carrega duas histórias ao mesmo tempo. De um lado, um profissional da enfermagem e deputado federal reeleito cotado para administrar uma das áreas mais sensíveis do Estado. Do outro, o presidente mineiro do partido, derrotado por pouco nas urnas e aliado importante na construção da candidatura de Cleitinho, diante da possibilidade concreta de retornar ao Congresso.

Por enquanto, são movimentos de bastidor. Mas a montagem do governo começou, e cada cadeira preenchida na Cidade Administrativa poderá produzir efeitos muito além de Belo Horizonte.

 

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