Uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), durante o velório de Matheus Augusto Ramalho Azevedo, irmão caçula do parlamentar, teria provocado desconforto entre políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O contato ocorreu no domingo (19), em Divinópolis, e teve como objetivo prestar condolências ao senador e à família Azevedo pela morte de Matheus.
Segundo informações publicadas pelo portal O Fator, interlocutores que estavam presentes no velório relataram que o presidente do Republicanos em Minas Gerais, deputado federal Euclydes Pettersen, fez uma ligação para Lula durante a cerimônia. Na ocasião, o presidente teria conversado diretamente com Cleitinho e manifestado solidariedade pela perda do irmão.
Embora o telefonema tenha sido interpretado por aliados do senador como um gesto de cordialidade e respeito diante de um momento de luto, a movimentação teria causado mal-estar entre integrantes do grupo político mais próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Bolsonaristas também articulam ligação
Ainda conforme as informações divulgadas, após o contato de Lula, lideranças bolsonaristas teriam se movimentado para que o senador Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato do PL à Presidência da República, também conversasse por telefone com Cleitinho.
O episódio ganhou repercussão nos bastidores políticos não apenas pela presença de representantes de diferentes campos ideológicos em torno do senador mineiro durante um momento pessoal delicado, mas também pela atuação de Euclydes Pettersen na intermediação do contato com o presidente da República.
A iniciativa teria chamado a atenção de integrantes do campo bolsonarista pela aparente proximidade política e institucional demonstrada entre o presidente estadual do Republicanos e Lula.
Movimentação ocorre em momento decisivo para Cleitinho
O episódio acontece justamente em um período de intensa movimentação política em Minas Gerais. Cleitinho é apontado como um dos principais nomes para a disputa pelo Governo do Estado, mas ainda não anunciou oficialmente se será candidato ao Palácio Tiradentes.
A indefinição ocorre às vésperas da convenção estadual do Republicanos, marcada para sábado (25). O encontro poderá trazer novos sinais sobre os caminhos que o partido pretende seguir nas eleições de 2026.
O presidente nacional da legenda, deputado federal Marcos Pereira, tem defendido publicamente a formação de uma chapa puro-sangue para a disputa estadual.
Nesse cenário, o ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, é citado como possível candidato a vice-governador em uma eventual chapa liderada por Cleitinho.
Cleitinho mantém suspense sobre candidatura
Apesar das articulações e das especulações que movimentam os bastidores, Cleitinho ainda não confirmou oficialmente sua entrada na disputa pelo Governo de Minas.
O senador mantém diálogo com diferentes forças políticas e chega ao período das convenções cercado por expectativas sobre qual caminho adotará nas eleições.
A ligação de Lula, embora tenha ocorrido em um contexto estritamente pessoal de solidariedade pela morte de Matheus, acabou ganhando uma dimensão política nos bastidores justamente por acontecer em um momento no qual alianças e palanques estão sendo definidos.
Até o momento, Cleitinho não anunciou qualquer mudança em seu posicionamento político em razão do episódio.






