A entrada do ex-governador Aécio Neves (PSDB) na disputa pelo Senado alterou imediatamente a configuração da corrida pelas duas vagas de Minas Gerais. Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (8) mostra Marília Campos (PT) numericamente na liderança, com 13%, enquanto Aécio estreia logo atrás, com 10%. O tucano supera numericamente Carlos Viana (PSD), que tem 8%, Domingos Sávio (PL), com 6%, e Marcelo Aro (PP), com 4%, colocando-se imediatamente como o nome mais bem posicionado entre os principais candidatos de centro e direita.
O impacto chama atenção porque esta é a primeira rodada da Quaest após Aécio confirmar, em 28 de agosto, a decisão de disputar novamente uma cadeira no Senado. O ex-governador mudou de posição depois de ter anunciado anteriormente que não disputaria as eleições deste ano e entrou na chapa após as desistências de Gustavo Galassi, do PSDB, e Marcelo Heringer, do PDT.
Aécio estreia à frente dos principais nomes da direita
Na pesquisa estimulada, Marília Campos registra 13%. Aécio aparece com 10%, seguido por Carlos Viana, com 8%, Domingos Sávio, com 6%, e Marcelo Aro, com 4%.
Áurea Carolina (PSOL) tem 2%. Marco Antônio Superman (Novo), Carlin Moura (Avante), Ana Luiza do MLB (UP), Arcanjo Pimenta (MDB), Fidélis Alcântara (UP), Victória Mello Vic (PSTU) e Manoel Carvalho (MDB) aparecem com 1% cada.
Resultado da Quaest para o Senado em Minas:
- Marília Campos (PT): 13%
- Aécio Neves (PSDB): 10%
- Carlos Viana (PSD): 8%
- Domingos Sávio (PL): 6%
- Marcelo Aro (PP): 4%
- Áurea Carolina (PSOL): 2%
- Marco Antônio Superman (Novo): 1%
- Carlin Moura (Avante): 1%
- Ana Luiza do MLB (UP): 1%
- Arcanjo Pimenta (MDB): 1%
- Fidélis Alcântara (UP): 1%
- Victória Mello Vic (PSTU): 1%
- Manoel Carvalho (MDB): 1%
- Indecisos: 29%
- Branco, nulo ou não pretende votar: 21%
Jordano Metalúrgico (PSTU), Tião Pessoa (PCO) e Juiz Ramon Moreira (DC) não pontuaram.
Reviravolta fica evidente na comparação com agosto
A dimensão da mudança fica mais clara quando o levantamento desta terça-feira é comparado com a Quaest de 25 de agosto.
Na ocasião, quando Aécio ainda não estava entre os candidatos, Marília Campos liderava com 15%, enquanto Carlos Viana e Domingos Sávio tinham 8% cada. Marcelo Aro aparecia com 6%. O então candidato tucano Gustavo Galassi registrava apenas 1%.
Poucos dias depois, Aécio confirmou a candidatura. Agora, aparece com 10%. Em termos estritamente numéricos, portanto, a entrada do tucano reordenou a disputa: ele passou diretamente à segunda posição e aparece acima de Carlos Viana, Domingos Sávio e Marcelo Aro, que até então formavam o principal bloco imediatamente abaixo de Marília.
É correto afirmar que Aécio ultrapassou numericamente os principais nomes da direita e centro-direita nesta pesquisa. Contudo, há uma ressalva estatística fundamental: com margem de erro de três pontos percentuais, Marília, Aécio e Carlos Viana estão tecnicamente empatados.
De 1% da antiga candidatura tucana para 10% com Aécio
Outro dado revela o peso do nome colocado pelo PSDB.
Na Quaest anterior, Gustavo Galassi, então candidato tucano, aparecia com apenas 1%. Após a mudança de chapa, Aécio surge com 10%, embora não seja estatisticamente correto tratar esses nove pontos como uma transferência direta de votos, já que se trata de candidatos diferentes e de levantamentos realizados em períodos distintos.
Ainda assim, politicamente, o salto mostra que a substituição ampliou consideravelmente a competitividade do PSDB na disputa mineira.
Aécio já governou Minas por dois mandatos e posteriormente exerceu mandato de senador. Atualmente deputado federal e presidente nacional do PSDB, decidiu retornar à disputa pela Casa após uma mudança de estratégia anunciada no fim de agosto.
Marília continua numericamente à frente
Apesar da entrada forte de Aécio, Marília Campos continua com a maior pontuação nominal, com 13%.
Na rodada anterior, ela tinha 15%, o que representa oscilação negativa de dois pontos, dentro da margem de erro. Carlos Viana permaneceu numericamente em 8%, enquanto Domingos Sávio passou de 8% para 6% e Marcelo Aro, de 6% para 4%.
Assim, não é possível atribuir diretamente a Aécio os pontos perdidos por Sávio ou Aro. A comparação entre rodadas mostra mudança do posicionamento relativo, mas não permite identificar transferência individual de votos entre candidatos.
Quase um terço ainda está indeciso
A eleição para o Senado ainda apresenta alto grau de indefinição. 29% dos entrevistados dizem não saber em quem votar, enquanto 21% afirmam optar por branco, nulo ou não votar.
Como em 2026 os eleitores mineiros escolherão dois senadores, o cenário tende a permanecer bastante móvel até o primeiro turno.
A própria campanha de Aécio vem apostando justamente na estratégia do chamado “segundo voto”. Interlocutores de sua campanha relataram articulações com lideranças municipais para que o tucano apareça como uma das duas opções do eleitor, inclusive em composições informais com candidaturas de diferentes campos políticos.
Metodologia
A Quaest entrevistou 1.506 eleitores entre 4 e 7 de setembro, presencialmente, em Minas Gerais. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi encomendada pelo Grupo Globo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-04716/2026.






