A um dia das Eleições 2026, uma pesquisa Quaest chama atenção para o número de mineiros que ainda não citam espontaneamente um candidato nas duas principais disputas estaduais. Segundo o levantamento divulgado na terça-feira (29), 60% dos entrevistados não souberam ou não quiseram apontar um nome para o Governo de Minas quando perguntados sem a apresentação dos candidatos. Na corrida pelas duas vagas ao Senado, esse percentual chega a 76%.
Os números ganham relevância neste sábado (3), véspera da votação, porque mostram uma diferença significativa entre aquilo que aparece quando o eleitor recebe uma lista de candidatos e aquilo que consegue declarar espontaneamente.
É importante, porém, fazer uma distinção: os 60% não significam necessariamente que seis em cada dez mineiros estejam completamente indecisos sobre o voto para governador. Na pesquisa espontânea, o entrevistador não apresenta os nomes dos candidatos. O eleitor precisa dizer por conta própria em quem pretende votar. Por isso, os resultados não devem ser interpretados da mesma forma que os de uma pesquisa estimulada.
Cleitinho é o mais citado espontaneamente para governador
Na disputa pelo Governo de Minas, Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi citado espontaneamente por 24% dos entrevistados.
Patrus Ananias (PT) aparece com 6%, seguido por Alexandre Kalil (PDT), com 4%.
Flávio Roscoe (PL), Mateus Simões (PSD) e Ben Mendes (Missão) aparecem com 1% cada. Outros nomes também somam 1%.
Brancos, nulos ou entrevistados que disseram que não irão votar representam 2%.
Já 60% não souberam ou não quiseram apontar espontaneamente um candidato.
Na pesquisa estimulada do mesmo levantamento, quando os entrevistados recebem os nomes dos candidatos, o cenário é diferente. Cleitinho registra 37%, Patrus Ananias, 18%, e Alexandre Kalil, 9%.
A diferença reforça a importância de observar qual pergunta foi feita antes de comparar percentuais de diferentes cenários.
Senado tem 76% sem nome citado espontaneamente
A indefinição na pergunta espontânea é ainda maior na disputa pelo Senado.
Segundo a Quaest, 76% dos entrevistados não citaram espontaneamente nenhum dos candidatos.
Entre os nomes mencionados, Marília Campos (PT) aparece com 5%. Carlos Viana (PSD) registra 4%, enquanto Domingos Sávio (PL) tem 3%.
Aécio Neves (PSDB), Áurea Carolina (PSOL) e Marcelo Aro (PP) aparecem com 2% cada. Marco Antônio Superman (Novo) registra 1%.
Brancos, nulos ou aqueles que afirmaram que não irão votar somam 5%.
Neste ano, a eleição para o Senado possui uma característica que merece atenção do eleitor: cada mineiro poderá escolher dois candidatos para o cargo.
Voto declarado como definitivo
A Quaest também procurou saber o quanto o eleitor está decidido sobre sua escolha.
Para governador, 69% dos entrevistados que declararam uma escolha disseram considerar o voto definitivo, enquanto 31% afirmaram que ainda poderiam mudar até a eleição.
Entre os eleitores de Cleitinho, 74% disseram estar decididos. Entre os de Patrus Ananias, são 73%.
O percentual de voto considerado definitivo é de 61% entre os eleitores de Mateus Simões e de 58% tanto entre os de Alexandre Kalil quanto entre os de Flávio Roscoe.
No Senado, 66% afirmaram que a escolha já estava definida, enquanto 33% admitiram a possibilidade de mudança.
Entre os eleitores pesquisados, o voto foi considerado definitivo por 74% dos que escolheram Carlos Viana, 72% dos que declararam Marília Campos e 70% dos que apontaram Domingos Sávio.
Marcelo Aro aparece com 58% de eleitores declarando voto definitivo, enquanto Aécio Neves registra 53%.
Espontânea e estimulada medem situações diferentes
A diferença entre pesquisa espontânea e estimulada é fundamental para compreender os números.
Na espontânea, o entrevistado responde à pergunta sem receber os nomes dos candidatos. Esse tipo de levantamento ajuda a medir quais candidaturas estão mais presentes na lembrança do eleitor.
Já na estimulada, o instituto apresenta os candidatos e pergunta em qual deles o entrevistado pretende votar.
Por isso, dizer simplesmente que “60% dos mineiros estão indecisos” pode levar a uma interpretação equivocada. O dado preciso é que 60% não souberam ou não quiseram citar espontaneamente um candidato ao Governo de Minas.
Para o Senado, o percentual chega a 76%.
Pesquisa ouviu 1.506 eleitores
A pesquisa Quaest foi realizada presencialmente entre os dias 25 e 28 de setembro e ouviu 1.506 eleitores de Minas Gerais.
A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Grupo Globo e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número MG-02019/2026.
A própria Quaest disponibilizou em seu portal a quarta rodada da pesquisa de intenção de voto realizada em Minas Gerais, divulgada em 29 de setembro.
Com a votação marcada para este domingo (4), os números ajudam a mostrar o cenário registrado pela pesquisa entre 25 e 28 de setembro. Eles não representam, portanto, uma medição feita neste sábado, véspera da eleição, e eventuais movimentos ocorridos após o período das entrevistas não estão captados pelo levantamento.






