A disputa pelas duas cadeiras de Minas Gerais no Senado permanece aberta e sem favoritos isolados. Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11) mostra Marília Campos (PT) numericamente à frente, com 12% das intenções de voto na combinação das duas escolhas do eleitor. Aécio Neves (PSDB) e Carlos Viana (PSD) aparecem logo atrás, ambos com 10%, enquanto Domingos Sávio (PL) registra 8% e Marcelo Aro (PP), 6%. O levantamento revela ainda um eleitorado longe de estar consolidado: 20% estão indecisos e outros 18% indicam voto branco, nulo ou em nenhum candidato.
A pesquisa ouviu 1.204 eleitores de Minas Gerais, presencialmente, entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número MG-01611/2026.
Marília aparece na frente, mas vantagem é curta
Na fotografia geral apresentada pelo Datafolha, Marília Campos registra 12%. Carlos Viana e Aécio Neves aparecem com 10% cada, seguidos por Domingos Sávio, com 8%, e Marcelo Aro, com 6%. A Folha classifica Marília, Aécio e Viana em empate técnico na liderança, enquanto Domingos aparece imediatamente atrás. Outras reproduções do levantamento também incluem o candidato do PL na faixa de empate diante da margem de erro.
A entrada de Aécio Neves é uma das principais novidades desta rodada. O deputado federal e presidente nacional do PSDB havia recuado anteriormente da disputa, mas confirmou posteriormente a candidatura ao Senado. Por isso, seu nome não estava presente na rodada anterior do Datafolha e já estreia agora com 10%, numericamente empatado com Carlos Viana.
O restante do cenário tem Áurea Carolina (PSOL), com 3%; Ana Luiza do MLB (UP), Marco Antônio Superman (Novo) e Victória Mello Vic (PSTU), com 2% cada. Arcanjo Pimenta (MDB), Manoel Carvalho (MDB), Juiz Ramon Moreira (DC), Carlin Moura (Avante), Fidélis Alcântara (UP) e Tião Pessoa (PCO) registram 1% cada. Jordano Metalúrgico (PSTU) não pontuou.
Minas terá dois votos para senador
Um detalhe é fundamental para interpretar corretamente os percentuais. Em 2026, cada eleitor mineiro poderá votar em dois candidatos diferentes ao Senado, porque duas das três cadeiras pertencentes ao estado estarão em disputa.
O Datafolha apresenta um indicador que reúne os dois votos e reduz o resultado a uma base de 100%. Por isso, os percentuais dessa tabela não devem ser interpretados exatamente da mesma forma que uma pesquisa para governador ou presidente, em que cada eleitor escolhe apenas um nome.
Os dois candidatos mais votados em Minas serão eleitos diretamente. Não existe segundo turno para senador. Neste ano, 54 das 81 cadeiras do Senado serão renovadas em todo o país.
Primeiro voto mostra Marília com 18%
Quando o Datafolha separa apenas a primeira escolha do eleitor, a liderança numérica de Marília aumenta.
Ela aparece com 18%, seguida por Aécio Neves, com 13%, Carlos Viana, com 12%, e Domingos Sávio, com 10%. Marcelo Aro registra 6%.
Nesse primeiro voto, 17% ainda não sabem em quem votar, enquanto 15% dizem que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato.
Esse recorte é especialmente importante porque mostra que Marília possui, neste momento, uma parcela maior de eleitores que a colocam como sua escolha prioritária.
Segundo voto é ainda mais indefinido
A situação muda bastante quando o entrevistado é questionado sobre sua segunda escolha para o Senado.
Carlos Viana aparece numericamente à frente nesse quesito, com 9%. Marília Campos, Aécio Neves, Domingos Sávio e Áurea Carolina registram 6% cada, enquanto Marcelo Aro tem 5%.
Mas o dado que talvez melhor revele o grau de indefinição da corrida está fora dos nomes dos candidatos: 23% não sabem quem escolher para o segundo voto e 21% indicam branco, nulo ou nenhum.
Ou seja, 44% desse segundo voto ainda está entre indecisão e ausência de escolha de um candidato.
Politicamente, isso significa que há um enorme espaço disponível para ser disputado durante as últimas semanas da campanha.
Espontânea mostra eleição ainda mais aberta
Quando o Datafolha não apresenta os nomes dos candidatos e simplesmente pergunta espontaneamente em quem o eleitor pretende votar, a indefinição aumenta de maneira ainda mais expressiva.
Nada menos que 75% dos entrevistados não sabem espontaneamente em quem votar para o Senado.
Marília Campos e Carlos Viana são citados por 3% cada. Marcelo Aro aparece com 2%, enquanto Aécio Neves, Domingos Sávio e Áurea Carolina registram 1% cada.
O número mostra que, apesar da campanha já estar oficialmente em andamento, a eleição para o Senado ainda possui um nível muito baixo de cristalização do voto.
É uma situação bastante diferente da disputa pelo Governo de Minas, na qual Cleitinho Azevedo aparece com vantagem ampla sobre os adversários no mesmo Datafolha.
Carlos Viana e Domingos Sávio avançam em relação a agosto
Na rodada anterior do Datafolha, divulgada em 21 de agosto, Marília tinha 11%, Carlos Viana aparecia com 8%, Domingos Sávio registrava 6% e Marcelo Aro tinha 5%. Naquele momento, Aécio Neves ainda não estava entre os nomes testados.
Agora, Marília passa numericamente de 11% para 12%. Carlos Viana vai de 8% para 10%, Domingos Sávio de 6% para 8%, e Marcelo Aro de 5% para 6%.
As oscilações precisam ser observadas dentro da margem de erro e também com cautela porque a inclusão de Aécio modifica a composição da lista apresentada aos entrevistados. Portanto, não é possível interpretar cada mudança isoladamente como transferência direta de votos.
Ainda assim, a fotografia mostra algo claro: ninguém conseguiu abrir vantagem suficiente para transformar a corrida em uma disputa confortável.
Cinco nomes concentram a disputa neste momento
O núcleo mais competitivo da eleição aparece formado, neste momento, por Marília Campos, Aécio Neves, Carlos Viana, Domingos Sávio e Marcelo Aro.
Entre a primeira colocada, com 12%, e Marcelo Aro, quinto colocado, com 6%, existem apenas seis pontos percentuais.
Mais importante ainda é o tamanho do eleitorado ainda disponível. Somados, indecisos (20%) e eleitores que indicam branco, nulo ou nenhum candidato (18%) chegam a 38% na combinação geral divulgada pelo Datafolha.
Isso significa que o contingente de eleitores ainda sem candidato definido ou que atualmente rejeita as opções apresentadas é muito maior que a votação individual de qualquer um dos concorrentes.
A campanha, portanto, pode mudar significativamente o quadro até outubro.
Duas cadeiras estão em disputa em Minas
As duas vagas que serão renovadas pertencem atualmente a Carlos Viana, que tenta a reeleição, e a Rodrigo Pacheco, que não disputa o pleito após ter sido indicado para o Tribunal de Contas da União (TCU).
A terceira cadeira de Minas Gerais pertence a Cleitinho Azevedo, cujo mandato no Senado vai até 2030. Cleitinho disputa, neste ano, o Governo de Minas.
Assim, diferentemente da corrida pelo Palácio Tiradentes, não basta observar quem ocupa a primeira colocação na pesquisa. Há uma disputa simultânea pelo primeiro e pelo segundo lugares, e os dois vencedores terão mandato de oito anos no Senado.
A nova pesquisa mostra que, faltando poucas semanas para as urnas, Marília possui hoje a liderança numérica, mas Minas ainda está longe de ter definido quais serão os dois nomes enviados ao Senado.






