PF identifica prints enviados por Vorcaro a contato de Alexandre de Moraes; mensagens citam investigações do Banco Master

cruzou prints, notas e vestígios digitais para reconstruir mensagens de Daniel Vorcaro; material foi tornado público após decisão de André Mendonça.

Publicado por: Cassia Misael

A Polícia Federal identificou no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, registros de mensagens enviadas pelo WhatsApp a um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, associado pela investigação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O material veio a público nesta terça-feira (1º), após o ministro André Mendonça retirar o sigilo da apuração. Entre as mensagens recuperadas está uma enviada dois dias antes da prisão de Vorcaro, na qual o banqueiro perguntou ao interlocutor se achava que ele deveria estar “fora” na segunda-feira.

A investigação chama atenção também pela maneira utilizada por Vorcaro para se comunicar. Segundo a PF, o banqueiro escrevia textos no aplicativo de notas do celular, fazia capturas de tela e posteriormente encaminhava as imagens pelo WhatsApp. Parte do conteúdo teria sido enviada pelo recurso de visualização única.

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Embora esse mecanismo dificultasse a recuperação das mensagens pelo próprio WhatsApp, as capturas deixaram arquivos no aparelho. A perícia analisou esses vestígios digitais, horários de criação, alterações das notas e registros de envio para reconstruir parte das comunicações.

Contato estava salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”

A PF encontrou no aparelho de Vorcaro um contato denominado “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Segundo a investigação, o número também apareceu associado a outras denominações utilizadas pelo banqueiro.

Os investigadores cruzaram informações das notas, capturas de tela e registros existentes no WhatsApp. Cinco textos encontrados no aplicativo de notas também apareceram nas conversas, elemento que, segundo a PF, ajudou a validar a metodologia utilizada para reconstruir os diálogos.

O material permitiu identificar principalmente mensagens enviadas por Vorcaro. Eventuais respostas atribuídas a Moraes não foram integralmente recuperadas, circunstância importante para a interpretação do conteúdo.

“Acha que segunda já tenho que estar fora?”

Entre as mensagens que ganharam maior repercussão está uma registrada em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão de Vorcaro.

O banqueiro perguntou:

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“Acha que segunda já tenho que estar fora?”

Na mesma sequência, Vorcaro demonstrava preocupação com o avanço das investigações e fazia questionamentos sobre possíveis providências.

Em outros registros, aparecem frases como “Conseguiu bloquear?” e “Conseguiu bloquear a maldade?”, além de referências a autoridades.

Uma das mensagens mencionava o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A investigação busca compreender o contexto dessas comunicações e se houve alguma consequência prática decorrente dos pedidos feitos pelo banqueiro.

Vorcaro foi preso dois dias depois

A cronologia aumenta a relevância da mensagem. Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para deixar o Brasil em uma aeronave particular.

No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

As investigações sobre as operações da instituição avançaram posteriormente e chegaram ao Supremo diante do aparecimento de pessoas com foro por prerrogativa de função.

Mendonça retira sigilo e caso vai para análise

André Mendonça, relator do caso Master no STF, retirou o sigilo do material nesta terça-feira, permitindo que parte das informações reunidas pela Polícia Federal se tornasse pública.

O ministro também solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre os novos elementos e indicou que questões relacionadas ao prosseguimento da investigação deverão ser analisadas institucionalmente pelo Supremo.

A descoberta é particularmente sensível porque envolve mensagens atribuídas a um banqueiro investigado e um contato associado pela PF a um integrante da própria Corte.

Apesar da relevância das informações, o material divulgado não representa uma conclusão de que Alexandre de Moraes tenha cometido crime. A investigação ainda precisa esclarecer o contexto completo das conversas, eventuais respostas e se algum pedido formulado por Vorcaro resultou em atuação concreta.

A nova documentação, entretanto, amplia significativamente o caso Banco Master. Uma investigação inicialmente concentrada nas operações de uma instituição financeira agora alcança também as relações mantidas por Daniel Vorcaro com autoridades e integrantes do centro do poder em Brasília.

E, com a retirada do sigilo e a entrada da PGR na análise dos novos elementos, as mensagens encontradas pela Polícia Federal passam a ocupar o centro de um dos casos mais delicados atualmente em tramitação no Supremo.

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