Ex-prefeito de Cajuru, Edson Vilela mira ALMG, defende voto distrital e diz que municípios ficam de “pires na mão” pedindo esmolas

O ex-prefeito de Carmo do Cajuru defende mais recursos para municípios, infraestrutura no Centro-Oeste, parcerias com setor privado e uma política distante dos extremos

Publicado por: Redação

O ex-prefeito de Carmo do Cajuru Edson Vilela, candidato a deputado estadual pelo Avante, afirmou em entrevista ao Palanque Político Eleitoral Divinews que pretende levar para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais a experiência acumulada ao longo de três mandatos à frente do Executivo municipal e de uma passagem anterior pela Câmara de Vereadores. Arquiteto e urbanista, Vilela apresentou como principais bandeiras o fortalecimento dos municípios, a redução da burocracia, investimentos em infraestrutura, ampliação da representatividade política do Centro-Oeste de Minas e mudanças no sistema eleitoral. Durante a entrevista, também falou sobre privatizações, carga tributária, polarização política, Cleitinho Azevedo, Lula, Bolsonaro e sobre o legado que considera ter deixado em Carmo do Cajuru.

Ao se apresentar aos eleitores, Vilela destacou uma trajetória que vai além dos mandatos municipais. Disse ter atuado como vice-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), presidente do SAMU regional e de consórcio de saúde, presidente da associação regional de municípios, conselheiro estadual de recursos hídricos, vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos e da Associação Brasileira de Municípios. Segundo ele, essa experiência acumulada, somada aos anos como prefeito e vereador, é o que sustenta a decisão de disputar uma cadeira na Assembleia. Vilela argumentou que a experiência adquirida em Carmo do Cajuru pode ser utilizada na formulação de políticas para outras regiões de Minas e fez questão de diferenciar o papel de um deputado do de um prefeito, lembrando que o parlamentar não apresenta um “plano de governo”, mas trabalha com legislação, fiscalização e articulação política.

Continua depois da publicidade
Desenvolvimento regional e infraestrutura entram no centro do discurso

Um dos eixos mais fortes da entrevista foi o desenvolvimento econômico do Centro-Oeste mineiro. Vilela afirmou que Minas Gerais possui regiões que avançaram economicamente em velocidades diferentes e questionou por que o Centro-Oeste não conseguiu acompanhar o desenvolvimento observado no Sul de Minas e no Triângulo Mineiro. Para ele, uma atuação parlamentar eficiente precisa considerar as particularidades das macrorregiões e criar condições para que áreas historicamente menos desenvolvidas possam atrair empresas, aumentar a geração de empregos e elevar a renda da população. Nesse contexto, defendeu a revisão de legislações que, em sua avaliação, dificultam investimentos e travam o crescimento das cidades.

O candidato citou diretamente a situação da MG-050 e da BR-494 e defendeu investimentos em duplicação e melhoria das duas rodovias. Também apontou o potencial do chamado Aeroporto dos Mendes, localizado na região entre Carmo do Cajuru e Divinópolis, como elemento estratégico para o desenvolvimento logístico. Segundo Vilela, a combinação entre rodovias, ferrovia e um aeroporto preparado para operações comerciais e de carga poderia favorecer a instalação de centros de distribuição, indústrias e empresas ligadas à logística. Ele lembrou ainda que, durante sua gestão em Carmo do Cajuru, foi criada legislação de uso e ocupação do solo para evitar a ocupação residencial de determinadas faixas às margens da MG-050, reservando esses espaços para atividades industriais, comerciais e logísticas. Para o ex-prefeito, planejamento territorial e infraestrutura precisam caminhar juntos para que o crescimento econômico não seja comprometido no futuro.
Questionado pelo Divinews sobre qual teria sido o maior erro de seus três mandatos como prefeito, Vilela não apontou uma decisão específica da qual tenha se arrependido. Disse que uma característica pessoal é confiar nas pessoas “até que me provem o contrário” e reconheceu que essa postura eventualmente o colocou em situações difíceis, inclusive pela confiança depositada em integrantes de equipes e assessorias. Apesar disso, avaliou positivamente o conjunto de suas gestões e sustentou que as ações realizadas contribuíram para geração de empregos, aumento da renda familiar e melhoria da qualidade de vida. O candidato também destacou potencialidades econômicas ainda pouco exploradas no Centro-Oeste, como turismo religioso, turismo de negócios, setor moveleiro, serviços de saúde e atrativos regionais.

Episódio de 2004, municipalismo e crítica ao modelo de distribuição de recursos

A entrevista também passou por um episódio envolvendo Vilela e a Câmara Municipal ocorrido em 2004. Ao ser questionado sobre o assunto, o ex-prefeito afirmou que o caso foi levado à Justiça e declarou ter sido “inocentado oito anos depois”. Como os autos e a decisão judicial não integraram o material da entrevista encaminhado ao Divinews, a informação é registrada como declaração do próprio candidato, sem que o portal faça, neste conteúdo, uma análise independente daquele processo. Vilela afirmou estar tranquilo ao falar sobre o episódio e relacionou parte das dificuldades enfrentadas naquele período à confiança depositada em pessoas de sua equipe.

Na discussão sobre municipalismo, o candidato foi mais contundente. Para Vilela, União e Estados concentram uma parcela excessiva dos recursos arrecadados, enquanto os municípios ficam responsáveis pela execução de serviços diretamente percebidos pelo cidadão. Ele criticou um modelo no qual prefeitos precisam recorrer constantemente a deputados, secretarias estaduais, governos e emendas parlamentares para financiar serviços básicos e afirmou que o gestor municipal acaba obrigado a andar com o “pires na mão”. Segundo Vilela, o problema não está apenas na obtenção de recursos para construir escolas, creches, unidades de saúde ou outras estruturas, mas principalmente na garantia do custeio posterior desses serviços. Por isso, defendeu mudanças na distribuição das receitas para que uma parcela maior permaneça nos municípios e possa financiar despesas permanentes em saúde, educação e assistência.

A discussão levou também ao tema da carga tributária. Vilela afirmou que pretende defender uma revisão mais ampla do sistema e apresentou, durante a entrevista, uma hipótese de redução significativa da carga incidente sobre empresas, sugerindo que parte do ganho obtido com uma eventual diminuição dos tributos pudesse beneficiar diretamente os trabalhadores e outra parcela ficasse com os empreendedores. Ele utilizou como exemplo uma redução de aproximadamente 40% para 18%, mas reconheceu que uma medida dessa dimensão precisaria ser precedida de estudos e envolveria competências que ultrapassam a esfera estadual. A lógica defendida pelo candidato é a de que um aumento do poder de compra das famílias poderia movimentar o consumo, estimular novos negócios e ampliar a atividade econômica, sem retirar do Estado os recursos necessários para manter suas obrigações fundamentais.

Mais representação para o Centro-Oeste e defesa do voto distrital

Ao ser questionado sobre a atual representação do Centro-Oeste de Minas, Vilela afirmou que a região pode e deve ampliar sua presença na Assembleia Legislativa. Ele lembrou que o Centro-Oeste já teve três deputados estaduais simultaneamente e questionou por que não poderia voltar a ter uma bancada maior. Nesse ponto, apresentou uma de suas posições mais definidas da entrevista: a defesa do voto distrital. Na visão do candidato, as cadeiras deveriam ser distribuídas de acordo com a representatividade populacional das macrorregiões e os candidatos disputariam votos dentro de territórios delimitados, aumentando a responsabilidade política do parlamentar com a região que efetivamente representa.

Continua depois da publicidade

Vilela argumentou que o modelo atual permite que candidatos busquem votos em locais sobre os quais possuem pouco conhecimento e pouca convivência. Para ele, o voto distrital aproximaria representantes e representados e faria com que cada parlamentar tivesse maior compromisso com problemas específicos de seu território. Ao mesmo tempo, defendeu que deputados de diferentes regiões mantenham uma relação de cooperação dentro da Assembleia e apoiem projetos importantes para outras partes do Estado. Foi nesse contexto que fez uma das declarações mais contundentes da entrevista, ao afirmar que, em sua percepção, “80% dos políticos brasileiros estão preocupados com o próprio umbigo”. Em seguida, ressaltou que não pretendia generalizar, mas criticou o que considera uma postura de parte significativa da classe política voltada mais aos próprios interesses do que às necessidades da população.

Vilela rejeita radicalização entre direita e esquerda

O posicionamento ideológico também entrou na entrevista. Questionado sobre direita, centro e esquerda, Edson Vilela evitou se identificar com um extremo e criticou posições políticas que, em sua avaliação, impedem o reconhecimento de propostas positivas vindas do campo adversário. Ele afirmou que todos os grupos políticos têm qualidades e defeitos e comparou a postura que pretende adotar ao estilo conciliador associado ao ex-presidente Tancredo Neves. Para Vilela, o critério deve ser o resultado concreto de uma proposta para a população, independentemente de ter surgido na direita ou na esquerda. “Não importa de onde veio, se veio alguma coisa da direita, se veio da esquerda, mas é bom para as pessoas, vamos implantar”, afirmou durante a entrevista.

Essa posição apareceu novamente quando o assunto passou para privatizações. Questionado especificamente sobre o debate envolvendo empresas públicas mineiras, Vilela evitou uma defesa pura e simples da privatização e preferiu falar em participação conjunta da iniciativa privada e do poder público. Como exemplo, citou uma parceria público-privada implantada durante sua administração em Carmo do Cajuru que, segundo ele, recebeu reconhecimento internacional em 2022. Vilela afirmou que o Estado deve priorizar áreas essenciais, como educação e saúde, mas pode recorrer à iniciativa privada como parceira para ampliar serviços e reduzir gargalos. Como exemplo, mencionou equipamentos de diagnóstico existentes em instituições de saúde que poderiam ser melhor aproveitados por meio de pactuações envolvendo municípios, hospitais e setor privado.

Cleitinho recebe elogio, mas também alerta

Na parte de perguntas rápidas, o nome do senador e candidato ao Governo de Minas Cleitinho Azevedo também entrou em pauta. Vilela afirmou manter amizade com Cleitinho e disse já ter estado com ele no Senado em diferentes ocasiões. Ao avaliar a trajetória política do senador, declarou que uma característica positiva seria a capacidade de não se deixar envolver pelo que chamou de “sistema”. O elogio, entretanto, veio acompanhado de uma advertência: caso Cleitinho seja eleito governador, precisará montar uma equipe qualificada, ter cautela com as “armadilhas” da política e compreender a complexidade fiscal e administrativa de Minas Gerais.

Vilela também falou sobre Carmo do Cajuru e afirmou considerar que encerrou sua administração deixando o município com uma “régua bem alta”. Citou ações em saúde, educação e desenvolvimento econômico e afirmou que aproximadamente 40% das crianças estavam inseridas na educação em tempo integral ao final de seus últimos mandatos. O ex-prefeito disse perceber dificuldades na administração atual, mas afirmou que não interfere na condução do município e que também não foi procurado para oferecer sugestões. Segundo ele, sua expectativa é que Carmo do Cajuru não enfrente problemas estruturais que comprometam o que considera avanços construídos ao longo dos oito anos mais recentes em que comandou a Prefeitura.

Lula, Bolsonaro e o “sistema”

Provocado a avaliar Lula e Bolsonaro, Vilela voltou à tese de que o problema político brasileiro não está exclusivamente em um campo ideológico. Sobre Lula, afirmou reconhecer que o presidente teve uma trajetória de defesa dos interesses dos trabalhadores, mas disse acreditar que ele teria se deixado “contaminar pelo sistema”. Ao falar de Bolsonaro, afirmou não ter proximidade pessoal com o ex-presidente e ressaltou que nunca tirou fotografia nem com Lula nem com Bolsonaro. Segundo Vilela, sua crítica ao que chama de “sistema” não escolhe partido e alcança direita, esquerda e centro quando interesses políticos passam a se sobrepor às necessidades da população.

Nas considerações finais, Edson Vilela voltou a apresentar sua experiência administrativa como principal credencial para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Relembrou os três mandatos como prefeito e a passagem pelo Legislativo municipal e afirmou acreditar que uma atuação política eficiente pode transformar áreas como economia, saúde e educação. Também destacou a importância de ouvir a população e construir decisões a partir de diferentes opiniões, defendendo uma atuação política baseada em diálogo, capacidade de gestão e conhecimento da realidade municipal. Para o candidato, a experiência acumulada no Executivo e em entidades representativas dos municípios pode servir como base para uma atuação estadual voltada principalmente ao fortalecimento das cidades e ao desenvolvimento das regiões.

A entrevista completa integra o Palanque Político Eleitoral Divinews, espaço destinado a ouvir candidatos das Eleições 2026 e apresentar ao eleitor propostas, posicionamentos, trajetórias e respostas sobre temas de interesse público.

 

Nota de transparência: esta reportagem foi produzida a partir da entrevista do candidato, com orientação editorial do jornalismo do Divinews. Ferramenta de Inteligência Artificial foi utilizada como apoio na organização e estruturação do conteúdo, a partir de comandos (prompts) definidos pela redação. O texto foi revisado e validado editorialmente antes da publicação.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados