A redução do número de pediatras no Pronto Atendimento Pediátrico do Hospital Metropolitano Odilon Behrens (HOB) chegou à Câmara Municipal de Belo Horizonte acompanhada de um alerta dos próprios médicos que atuam na unidade. Na véspera da audiência pública realizada nesta terça-feira (12), às 14h, a equipe médica protocolou uma manifestação formal na Casa Legislativa contra a diminuição do quadro de profissionais.
O documento apresentou os impactos que, segundo os plantonistas, podem ser provocados pela redução da equipe, principalmente sobre a segurança dos pacientes e as condições de trabalho dos médicos que permanecem na escala. A manifestação também recebeu apoio e repercussão do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), que participou da audiência e defendeu o restabelecimento da equipe completa de plantonistas.
Para os médicos, a discussão não poderia ser tratada apenas a partir da quantidade de atendimentos realizados pelo pronto atendimento. Segundo a equipe, a complexidade dos casos pediátricos, a necessidade de observação contínua e a possibilidade de rápida deterioração clínica das crianças precisariam ser consideradas na definição do número de profissionais necessários.
Médicos alertam para sobrecarga no atendimento
Um dos principais argumentos apresentados pelos plantonistas foi de que a redução do número de pediatras aumenta diretamente a carga assistencial sobre os profissionais que permanecem trabalhando. Na prática, segundo a manifestação, os médicos passam a enfrentar uma escolha considerada inadequada para um serviço de emergência: dedicar o tempo necessário para avaliar e acompanhar um caso complexo ou reduzir o tempo de atendimento para conseguir dar conta da demanda da porta.
A equipe afirmou que essa situação não poderia ser banalizada em um pronto atendimento pediátrico, justamente porque crianças podem apresentar mudanças rápidas no quadro clínico. A avaliação médica, nesses casos, não se limita ao primeiro contato. O acompanhamento pode exigir novas avaliações, observação e tomada de decisões conforme a evolução do paciente. Por isso, os profissionais defenderam que o dimensionamento da equipe levasse em consideração não apenas o número absoluto de consultas, mas também a gravidade e a complexidade dos casos atendidos.
Casos de violência contra crianças exigem atendimento mais cuidadoso
A manifestação chamou atenção ainda para uma situação especialmente delicada: os atendimentos envolvendo suspeita ou confirmação de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes. Segundo os médicos, esses casos exigem uma abordagem cuidadosa e, muitas vezes, mais demorada. Além do atendimento clínico, podem envolver articulação com outros órgãos e instituições, como Polícia Militar, escolas e conselhos tutelares. A equipe alertou que o tempo necessário para conduzir adequadamente essas situações não poderia ser desconsiderado em uma análise baseada exclusivamente na quantidade de pacientes atendidos.
Nesse contexto, a preocupação apresentada pelos profissionais foi de que uma equipe reduzida tenha menos condições de garantir o tempo necessário para cada caso sem comprometer o atendimento dos demais pacientes que aguardam na unidade. Para os médicos, portanto, a discussão sobre o quadro de plantonistas precisaria considerar também situações de alta complexidade e atendimentos que demandam uma atuação multiprofissional e interinstitucional.
HOB é hospital-escola
Outro ponto destacado pelos médicos foi o papel do Hospital Odilon Behrens como hospital-escola.
De acordo com a manifestação, a unidade recebe residentes de sete instituições e estudantes de cinco faculdades de medicina. Além da assistência aos pacientes, isso acrescenta à rotina dos profissionais a responsabilidade de orientação e supervisão técnico-científica.
Na avaliação da equipe, essa atividade também deveria ser considerada no dimensionamento da força de trabalho.
O médico plantonista não atua apenas no atendimento direto ao paciente. Em um hospital-escola, além disso, existe a necessidade de acompanhar estudantes e residentes, discutir condutas, orientar procedimentos e contribuir para a formação dos futuros profissionais.
Segundo os médicos, desconsiderar essa característica do HOB poderia produzir uma avaliação incompleta sobre a quantidade de profissionais necessária para manter o funcionamento adequado do serviço.
Sindicato critica análise baseada apenas em números
O Sinmed-MG afirmou que a manifestação dos médicos do HOB reforçou preocupações que já vinham sendo apresentadas pelo sindicato.
Durante o debate, a entidade criticou uma análise baseada exclusivamente na queda no número de atendimentos e defendeu que a decisão sobre a equipe considerasse indicadores qualitativos e de segurança.
“A manifestação da própria equipe médica do HOB confirma, ponto a ponto, tudo o que o Sinmed-MG já vinha denunciando: a redução de pediatras compromete diretamente a segurança dos pacientes e a saúde dos profissionais.”
O sindicato também afirmou que o relato dos médicos que atuam diretamente no atendimento deveria ter peso maior na discussão sobre a reorganização da equipe. Para a entidade, os números de atendimentos, isoladamente, não seriam suficientes para determinar o dimensionamento de uma equipe de emergência pediátrica. Além disso, o Sinmed-MG criticou a administração municipal e relacionou a redução dos pediatras a outras medidas que, segundo o sindicato, representariam redução de estrutura na saúde pública. A entidade citou como exemplos a situação do SAMU, a redução de pediatras em UPAs e a discussão envolvendo a atuação da Guarda Municipal nos Centros de Saúde.
Equipe pede avaliação técnica antes de qualquer mudança
Na manifestação protocolada na Câmara, os médicos defenderam que qualquer alteração no número de pediatras fosse precedida por uma avaliação técnica transparente.
A proposta apresentada foi de que a análise utilizasse diferentes indicadores para determinar o número adequado de profissionais, incluindo volume de atendimentos, classificação de risco, quantidade de casos de alta complexidade e indicadores relacionados à segurança do paciente.
A equipe sustentou que apenas a redução do número de atendimentos não permitiria concluir automaticamente que existe excesso de profissionais ou que a escala poderia ser diminuída sem consequências.
Por exemplo, a classificação de risco pode revelar diferenças importantes entre os pacientes atendidos. Uma unidade pode registrar menor volume de consultas e, ainda assim, receber casos que exigem mais tempo de avaliação, acompanhamento e intervenção.
Esse foi um dos principais pontos levados pelos médicos ao debate na Câmara.
Audiência pública discutiu redução dos pediatras
A audiência pública foi realizada nesta terça-feira (12), às 14h, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, com o objetivo de discutir a redução do quadro de pediatras do Pronto Atendimento Pediátrico do HOB. Durante o encontro, o Sinmed-MG defendeu o restabelecimento imediato da equipe completa de plantonistas e cobrou que nenhuma nova redução fosse realizada sem diálogo prévio com os profissionais envolvidos no atendimento. A audiência reuniu o debate em torno dos argumentos apresentados pela gestão e das preocupações manifestadas pelos profissionais que atuam diretamente no serviço.
Dessa forma, entraram em discussão questões como o volume de atendimentos, a estrutura disponível, a complexidade dos casos e os critérios utilizados para definir a escala médica. A manifestação protocolada pelos próprios médicos acrescentou ao debate o relato de quem está diariamente na linha de frente do atendimento pediátrico.
Debate envolve segurança de pacientes e condições de trabalho
A discussão sobre o número de pediatras ultrapassou a questão administrativa da composição da escala. Para os médicos, trata-se de uma decisão que pode afetar diretamente a qualidade da assistência prestada às crianças. Em um pronto atendimento, o tempo de resposta e a capacidade de identificar rapidamente mudanças no quadro clínico são fatores importantes. Quando a equipe é reduzida, segundo os profissionais, a pressão sobre aqueles que permanecem no plantão aumenta.
Essa sobrecarga também pode afetar as condições de trabalho e elevar o risco de esgotamento dos profissionais. Ao mesmo tempo, o sindicato sustentou que uma equipe adequadamente dimensionada protege não apenas os pacientes, mas também os trabalhadores responsáveis pelo atendimento. A discussão, portanto, envolveu três pontos centrais: segurança das crianças, qualidade da assistência e condições de trabalho dos médicos.
O que os médicos defenderam
A equipe do Pronto Atendimento Pediátrico defendeu que o quadro de pediatras fosse mantido em quantidade suficiente para atender à demanda sem comprometer a qualidade da assistência.
Entre os principais pontos apresentados estavam:
- restabelecimento da equipe completa de plantonistas;
- avaliação técnica antes de qualquer redução do quadro;
- análise do volume e da complexidade dos atendimentos;
- consideração da classificação de risco;
- avaliação dos casos de alta complexidade;
- inclusão de indicadores de segurança do paciente;
- consideração do papel do HOB como hospital-escola;
- diálogo prévio com os profissionais antes de novas mudanças.
Além disso, o Sinmed-MG convocou médicos, familiares e demais interessados a acompanhar o debate sobre a estrutura da pediatria no hospital.
Para o sindicato, a discussão sobre a composição da equipe precisava considerar que o serviço atende um público especialmente vulnerável e que decisões relacionadas ao número de profissionais podem ter consequências diretas sobre o atendimento.
Após a audiência, debate segue em torno da equipe
Com a realização da audiência pública, o debate sobre a redução dos pediatras ganhou espaço formal na Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Ainda assim, a discussão não se resume ao encontro realizado nesta terça-feira. A manifestação protocolada pelos médicos colocou em evidência a necessidade de avaliar a estrutura do serviço a partir de critérios que, segundo a categoria, vão além do número de atendimentos registrados.
De um lado, está a necessidade de organização e dimensionamento da rede pública de saúde. De outro, os médicos defendem que a decisão considere a complexidade do atendimento pediátrico, a segurança dos pacientes e as condições de trabalho dos profissionais.
Mais do que uma discussão sobre números de profissionais por plantão, os médicos querem que a definição da escala considere a realidade encontrada dentro do pronto atendimento: crianças com diferentes níveis de gravidade, casos que exigem acompanhamento contínuo, situações de violência que demandam cuidado especializado e a responsabilidade de formação de estudantes e residentes.
Nesse sentido, para o Sinmed-MG, manter uma equipe pediátrica adequadamente dimensionada significa garantir condições para que o médico possa tomar decisões com segurança e oferecer às crianças o atendimento necessário.Por fim, a entidade reforçou que uma equipe pediátrica adequada é fundamental para proteger não apenas a criança e sua família, mas também o profissional responsável por prestar o atendimento.






