Um mês após a paralisação que colocou os servidores municipais de Divinópolis em mobilização contra a reforma do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Divinópolis (Diviprev), a categoria volta a se reunir nesta quinta-feira (6) em um novo ato de protesto.
A manifestação, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram) e pelo Sindicato dos Trabalhadores Municipais da Educação de Divinópolis (Sintemd), terá início às 14h, na Câmara Municipal, durante a sessão plenária dos vereadores.
Após a participação na Câmara, os servidores seguirão para a Praça do Santuário, onde será realizada uma assembleia geral para avaliar o cenário atual e definir os próximos passos do movimento.
A mobilização ocorre em meio ao descontentamento da categoria com a reforma do Diviprev, aprovada pelo Legislativo Municipal em julho. Para os sindicatos, as mudanças aprovadas transferem aos servidores a responsabilidade pelo desequilíbrio financeiro do instituto. Já a Prefeitura defende que a reforma era necessária para garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário.
Servidores mantêm estado de greve
Embora a greve tenha sido suspensa no dia 13 de julho, os servidores permanecem em estado de greve, segundo os sindicatos.
A paralisação desta quinta-feira representa uma retomada das manifestações após semanas de articulações e cobranças por diálogo com a administração municipal.
A categoria afirma que o objetivo do movimento não é apenas protestar contra a reforma aprovada, mas também pressionar por uma abertura de negociação sobre os impactos das novas regras previdenciárias.
O presidente do Sintram, Marco Aurélio Gomes, afirma que os servidores nunca foram contrários à necessidade de uma reforma, mas questionam a forma como o processo foi conduzido pelo Executivo.
“Em nenhum momento os sindicatos e os servidores se colocaram contra a reforma. Nossa posição foi contra o método adotado pelo Executivo, que se negou a construir uma reforma de consenso”, declarou.
Segundo o sindicalista, a categoria entende que o município deveria participar mais diretamente da solução do problema financeiro do Diviprev.
“O resultado é uma nova legislação que pretende recuperar o equilíbrio atuarial do Diviprev, porém o servidor é quem vai pagar essa conta”, afirmou.
Relembre: como começou a crise do Diviprev
A tensão entre servidores e Prefeitura ganhou força no início de julho, após o avanço do projeto de reforma previdenciária do Diviprev na Câmara Municipal.
O Executivo municipal argumentou que as mudanças eram necessárias para corrigir o desequilíbrio atuarial do instituto e garantir o pagamento das aposentadorias futuras.
A proposta, porém, encontrou resistência entre os servidores, que alegavam falta de diálogo na construção do texto e apontavam que os principais impactos recairiam sobre os trabalhadores.
Diante do impasse, os sindicatos convocaram uma greve, iniciada no dia 6 de julho.
Greve começou em 6 de julho
Durante o movimento grevista, servidores de diferentes setores da Prefeitura aderiram à paralisação, incluindo trabalhadores da Educação e outras áreas da administração municipal.
A categoria realizou manifestações e atos públicos, cobrando uma revisão do projeto e maior participação dos servidores nas decisões relacionadas ao instituto previdenciário.
Um dos momentos de maior tensão ocorreu no dia 7 de julho, quando os vereadores votaram a reforma do Diviprev.
Mesmo com a presença de servidores no plenário e manifestações contrárias ao texto, o projeto foi aprovado pela Câmara Municipal com 11 votos favoráveis.
A aprovação provocou revolta entre parte dos trabalhadores, que consideraram que suas reivindicações não foram atendidas.
Suspensão da greve e continuidade da mobilização
Após uma semana de paralisação, os servidores decidiram suspender a greve no dia 13 de julho.
A decisão ocorreu após a categoria avaliar os impactos do movimento para os serviços públicos e para a população, mas sem encerrar a mobilização.
Na ocasião, os sindicatos reforçaram que os trabalhadores permaneceriam em estado de greve e que novas ações poderiam ser realizadas caso não houvesse avanço nas negociações.
Desde então, representantes sindicais afirmam que aguardam uma postura mais aberta da administração municipal para discutir os efeitos da reforma.
Negociações e impasse continuam
Após a aprovação da reforma, sindicatos e representantes dos servidores continuaram buscando diálogo com a Prefeitura de Divinópolis.
A principal cobrança da categoria é a abertura de uma mesa de negociação para discutir pontos considerados prejudiciais aos trabalhadores.
Os servidores defendem que o município também precisa assumir responsabilidade pelo histórico de dificuldades financeiras enfrentadas pelo Diviprev.
Por outro lado, a administração municipal sustenta que a reforma segue critérios técnicos e que as alterações foram necessárias para garantir o equilíbrio financeiro e atuarial do instituto.
O Executivo argumenta que a manutenção das regras anteriores poderia comprometer a capacidade futura de pagamento dos benefícios previdenciários.
Novo ato pode definir próximos passos
Com a mobilização desta quinta-feira, os servidores pretendem demonstrar que o movimento continua ativo mesmo após a suspensão da greve.
A assembleia marcada para a Praça do Santuário será o momento em que a categoria deverá avaliar o cenário e discutir possíveis novas medidas.
Entre as possibilidades estão a continuidade das manifestações, novas mobilizações e cobranças por negociação com a Prefeitura e o Legislativo.
Enquanto isso, o impasse envolvendo a reforma do Diviprev permanece como um dos principais conflitos entre o funcionalismo municipal e a administração pública de Divinópolis.






