A noite desta terça-feira (14) voltou a despertar a atenção dos moradores de Divinópolis após a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) registrar um tremor de terra de magnitude 1,9 na Escala Richter. O abalo sísmico ocorreu por volta das 19h e, apesar de ser considerado de baixa intensidade, reacendeu uma dúvida recorrente entre a população: por que Divinópolis registra tantos tremores de terra?
Segundo a RSBR, o evento foi confirmado por equipamentos de monitoramento e analisado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Embora algumas pessoas possam ter sentido uma leve vibração ou escutado pequenos estalos, especialistas garantem que um tremor dessa magnitude não possui energia suficiente para provocar danos estruturais em residências, prédios ou estabelecimentos comerciais.
O sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da USP, explicou que abalos dessa intensidade costumam provocar apenas susto ou um breve desconforto entre moradores que estão próximos ao epicentro.
Ele também ressaltou que, em alguns casos, tremores de baixa magnitude podem até ser confundidos com explosões realizadas em áreas de mineração. No entanto, a avaliação inicial dos pesquisadores aponta que o registro desta terça-feira apresenta características compatíveis com um sismo natural.
Cidade possui histórico de tremores
Embora o registro tenha surpreendido parte da população, os tremores de terra não são novidade em Divinópolis.
Nos últimos anos, o município passou a integrar o grupo das cidades mineiras com maior atividade sísmica registrada pelos órgãos de monitoramento. Um levantamento realizado pelo Centro de Sismologia da USP apontou que somente em 2022 Divinópolis contabilizou 37 tremores de terra, liderando o ranking estadual naquele ano. Em todo o estado de Minas Gerais, foram registrados 82 eventos sísmicos no mesmo período.
Na ocasião, os pesquisadores identificaram uma sequência de pequenos sismos, conhecida tecnicamente como “enxame sísmico”, fenômeno relativamente comum em determinadas regiões do Brasil.
O maior tremor registrado naquele período atingiu magnitude 3,0 na Escala Richter, enquanto o menor foi de 1,6. Apesar da frequência, nenhum deles provocou danos significativos.
Por que Divinópolis registra tantos abalos?
De acordo com os especialistas da USP, os tremores registrados em Divinópolis são classificados como naturais.
Eles ocorrem devido ao deslizamento repentino de pequenas falhas e fraturas existentes na crosta terrestre. Essas movimentações acontecem porque a placa Sul-Americana está constantemente submetida a pressões geológicas internas, que acumulam energia ao longo do tempo.
Quando essa energia é liberada, surgem os pequenos tremores.
Os pesquisadores destacam que não existe comprovação de que os eventos registrados em Divinópolis tenham relação direta com atividades de mineração ou com o reservatório da Usina do Gafanhoto. A hipótese considerada mais provável continua sendo a movimentação natural dessas fraturas geológicas.
Além disso, análises anteriores realizadas pelo Centro de Sismologia apontaram que os eventos registrados na cidade ocorreram em uma única fratura da crosta terrestre, localizada a poucas centenas de metros de extensão.
Por que algumas pessoas sentem e outras não?
Outra característica observada pelos especialistas é que nem todos os moradores conseguem perceber os tremores.
Isso acontece porque a intensidade com que o fenômeno é sentido depende principalmente da distância em relação ao epicentro.
Durante a sequência de sismos registrada anteriormente, estudos da USP mostraram que moradores das regiões Norte e Nordeste de Divinópolis relataram maior percepção dos abalos justamente por estarem mais próximos da área onde ocorreu a movimentação geológica.
Além da localização, fatores como o tipo de construção, o solo e até o ambiente em que a pessoa se encontra no momento do tremor podem influenciar na sensação de vibração.
Tremor de 1,9 oferece risco?
Segundo a Rede Sismográfica Brasileira, não.
Um tremor de magnitude 1,9 é considerado de baixa intensidade. Em muitos casos, ele passa despercebido por boa parte da população e, quando percebido, costuma provocar apenas uma leve vibração semelhante à passagem de um caminhão de grande porte.
Especialistas afirmam que esse tipo de evento não possui força suficiente para provocar rachaduras, desabamentos ou outros danos estruturais.
Os maiores riscos costumam surgir apenas em terremotos de magnitudes significativamente superiores, situação que não corresponde ao cenário registrado em Divinópolis.
Monitoramento permanece constante
A Rede Sismográfica Brasileira e o Centro de Sismologia da USP continuam monitorando a atividade sísmica em Minas Gerais por meio de equipamentos instalados em diferentes regiões do país.
Os especialistas reforçam que não existe tecnologia capaz de prever quando um novo tremor ocorrerá. Da mesma forma, também não é possível afirmar se haverá novos registros nos próximos dias.
Apesar disso, os pesquisadores destacam que os tremores naturais observados em Divinópolis fazem parte da dinâmica geológica da região e, até o momento, não há qualquer indicativo de aumento no risco para a população.
Com o novo registro desta terça-feira, Divinópolis volta a chamar atenção pelo histórico de atividade sísmica e reforça sua posição entre os municípios mineiros onde pequenos tremores são monitorados com maior frequência.






