A Justiça de Minas Gerais decidiu levar a júri popular Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos,acusado de matar a companheira Henay Amorim, de 31, e simular um acidente de trânsito para tentar esconder o crime, ocorrido em dezembro de 2025.
A sentença de pronúncia foi assinada pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri – 1º Sumariante da Comarca de Belo Horizonte. A magistrada também manteve a prisão preventiva do acusado.
Alison responderá pelos crimes de feminicídio qualificado — por violência doméstica e familiar, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima — além de fraude processual.
Crime teria ocorrido após pedido de separação
Segundo denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o crime aconteceu na madrugada de 14 de dezembro de 2025, em um apartamento no bairro Nova Suíça, na região Oeste de Belo Horizonte.
De acordo com a investigação, a vítima havia informado ao marido que pretendia encerrar o relacionamento. Inconformado com a decisão, o acusado teria esganado a companheira até provocar sua morte por asfixia.
Acusado teria simulado acidente na MG-050
Ainda conforme o Ministério Público, horas após o crime, Alison colocou o corpo da esposa no banco do motorista do veículo e seguiu viagem de Belo Horizonte até Divinópolis pela rodovia MG-050.
A denúncia afirma que o acusado permaneceu no banco do passageiro e conduziu o automóvel com o objetivo de simular que a vítima dirigia o veículo.
Após passar por uma praça de pedágio, ele teria provocado uma colisão na altura do km 90 da MG-050 para tentar fazer parecer que a morte havia sido causada por um acidente de trânsito.
Defesa pediu absolvição
Nas alegações finais, a defesa solicitou a absolvição do acusado.
Os advogados sustentaram que não haveria provas suficientes da materialidade do feminicídio nem indícios de autoria de crime doloso contra a vida que justificassem o envio do caso ao Tribunal do Júri.
Juíza aponta indícios suficientes de autoria
Ao decidir pela pronúncia, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza entendeu que as provas reunidas durante a instrução processual demonstram a materialidade do crime e apresentam indícios suficientes de autoria.
Na decisão, a magistrada destacou que depoimentos de testemunhas e as declarações do próprio réu indicam que o relacionamento era marcado por discussões e episódios de agressão.
Segundo a juíza, os elementos reunidos apontam que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar, circunstância que fundamenta a qualificadora de feminicídio.
Caso será analisado pelo Tribunal do Júri
Com a sentença de pronúncia, Alison de Araújo Mesquita será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, formado por cidadãos responsáveis por decidir se o acusado será condenado ou absolvido.
A data do julgamento ainda será definida pela Justiça.
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