A Câmara Municipal de Divinópolis divulgou, na manhã desta quarta-feira (8), uma nota de esclarecimento após a repercussão de um vídeo publicado nas redes sociais pela jornalista Gisele Souto, do Jornal Agora. No vídeo, a profissional relatou que, depois da reunião ordinária de terça-feira (7), quando foi votado o projeto da reforma do Diviprev, teria sido expulsa do Plenarinho da Casa Legislativa.
A nota oficial, porém, foi redigida de forma genérica. O texto não cita o nome da jornalista, nem menciona diretamente o vídeo publicado por ela. A Câmara afirma apenas que, após a reunião ordinária de 7 de julho de 2026, “não houve qualquer episódio de expulsão de profissional da imprensa das dependências da Casa”.
A manifestação institucional ocorre em meio ao ambiente de tensão política provocado pela votação da reforma previdenciária dos servidores municipais. O projeto foi aprovado por 11 votos a 5, após semanas de mobilização, protestos e forte presença de servidores na Câmara.
Câmara diz que Plenarinho é de uso interno

A Câmara afirma que, na ocasião, ainda havia vereadores reunidosno Plenarinho. Por esse motivo, teria sido solicitado, “de forma cordial”, que duas profissionais da imprensa aguardassem por alguns minutos no espaço destinado aos veículos de comunicação, até a conclusão da conversa entre os parlamentares.
O texto sustenta ainda que a solicitação foi “prontamente compreendida e atendida”, sem discussão, constrangimento ou tratamento desrespeitoso.
Nota não cita Gisele Souto
Embora a nota tenha sido divulgada depois da publicação feita por Gisele Souto, a Câmara optou por não mencionar o nome da jornalista. Também não detalhou quem teria feito a solicitação, quais profissionais estavam no local, quanto tempo durou a espera ou se houve algum servidor responsável pela orientação.
Essa ausência de identificação dá à nota um tom institucional e defensivo, mas também deixa lacunas sobre o episódio que gerou a manifestação pública. Ao afirmar que “não houve qualquer episódio de expulsão”, a Câmara tenta encerrar a controvérsia pela versão administrativa dos fatos, sem enfrentar diretamente a narrativa apresentada pela jornalista.
O caso ganha relevância porque ocorreu logo depois de uma sessão politicamente carregada. A votação da reforma do Diviprev mobilizou servidores, sindicatos, vereadores da base e da oposição, além de veículos de imprensa que acompanhavam o desfecho do projeto. A crise previdenciária também se conectou à greve dos servidores, que motivou notificações da Prefeitura ao SINTRAM e ao SINTEMD para retorno ao trabalho em 24 horas.
Liberdade de imprensa e espaços institucionais
A Câmara Municipal reafirmou, no esclarecimento, “absoluto respeito à liberdade de imprensa e ao trabalho dos profissionais de comunicação”. O Legislativo também destacou que jornalistas desempenham papel fundamental na transparência da atividade pública.
Ao mesmo tempo, a nota afirma que a Casa precisa preservar as normas de utilização de seus espaços institucionais e o funcionamento adequado das atividades internas. Com isso, a Câmara equilibra dois pontos: o acesso da imprensa à cobertura dos atos públicos e a prerrogativa dos vereadores de realizarem reuniões internas em ambiente reservado.
O tema é delicado porque a imprensa exerce função essencial de fiscalização, principalmente em sessões de grande impacto público. No caso do Diviprev, a cobertura jornalística acompanhou protestos, falas de vereadores, reação dos servidores e desdobramentos políticos da aprovação da proposta. O próprio presidente da Câmara, Israel da Farmácia, já havia detalhado anteriormente mudanças no projeto e a previsão de votação antes do recesso legislativo, em entrevista sobre a tramitação. Então, após o término da sessão o recesso parlamentar já estava estabelecido.
Episódio ocorre em clima de desgaste
A nota da Câmara não pode ser lida fora do contexto político da semana. A votação do projeto do Diviprev ocorreu sob pressão, com servidores mobilizados, manifestações contrárias e críticas à tramitação da matéria. A aprovação por 11 votos a 5 ampliou o desgaste entre Legislativo, Executivo e categorias do funcionalismo.
Nesse cenário, qualquer episódio envolvendo imprensa, acesso a espaços internos ou suposto constrangimento ganha maior dimensão, mesmo com a existência de um aviso que o local é restrito. A Casa Legislativa afirma que apenas orientou duas profissionais a aguardarem no local destinado à imprensa. Já o vídeo publicado por Gisele Souto levou a Câmara a se manifestar oficialmente, ainda que sem citar nomes, incluindo o da jornalista.
Esclarecimento busca conter repercussão
No encerramento da nota, a Câmara afirma que o esclarecimento tem como finalidade “apenas registrar, com objetividade e transparência, os fatos efetivamente ocorridos”. A declaração indica tentativa de conter a repercussão do episódio e preservar a imagem institucional da Casa após uma das sessões mais tensa da atual crise política envolvendo o Diviprev.
A Câmara nega que tenha havido expulsão. A jornalista relatou situação diferente em suas redes sociais. Entre as duas versões, o episódio reforça que, em ambientes públicos, a forma como a informação circula e como os profissionais de imprensa são tratados também passa a fazer parte da notícia.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
A Câmara Municipal de Divinópolis esclarece que, após a reunião ordinária realizada em 7 de julho de 2026, não houve qualquer episódio de expulsão de profissional da imprensa das dependências da Casa.
O Plenarinho é um espaço de uso interno e exclusivo dos vereadores, destinado a reuniões e tratativas parlamentares antes, durante e após as sessões plenárias. A imprensa dispõe de espaço próprio para atendimento, entrevistas e apoio às atividades de cobertura jornalística.
Na ocasião, como ainda havia vereadores reunidos no Plenarinho, foi solicitado, de forma cordial, que duas profissionais da imprensa aguardassem por alguns minutos no espaço destinado aos veículos de comunicação, até a conclusão da conversa entre os parlamentares. A solicitação foi prontamente compreendida e atendida, sem qualquer discussão, constrangimento ou tratamento desrespeitoso.
A Câmara Municipal reafirma seu absoluto respeito à liberdade de imprensa e ao trabalho dos profissionais de comunicação, que desempenham papel fundamental na transparência da atividade pública, ao mesmo tempo em que preserva as normas de utilização de seus espaços institucionais e o adequado funcionamento de suas atividades internas.
Este esclarecimento tem por finalidade apenas registrar, com objetividade e transparência, os fatos efetivamente ocorridos.






