TransOeste na berlinda: nova denúncia de cadeirante amplia crise da acessibilidade em Divinópolis

Dias após o caso da cadeirante que precisou se arrastar para desembarcar de um ônibus causar grande repercussão em Divinópolis, uma nova denúncia enviada ao Divinews relata que situações de dificuldade e constrangimento continuam acontecendo no transporte coletivo. O novo relato reacende o debate sobre acessibilidade, qualidade do serviço e fiscalização da TransOeste, em meio ao aumento da tarifa e aos milhões de reais destinados ao sistema nos últimos anos.

Publicado por: Cassia Misael

O debate sobre a acessibilidade no transporte coletivo de Divinópolis ganhou um novo capítulo. Dias depois do caso que comoveu moradores e dominou as discussões nas redes sociais da cidade, uma nova denúncia chegou à redação do Divinews trazendo um relato que preocupa usuários do transporte público e reforça a necessidade de um olhar mais atento às pessoas com deficiência.

Desta vez, a denúncia partiu de uma cadeirante que afirma enfrentar dificuldades frequentes durante a utilização dos ônibus da TransOeste. Segundo o relato encaminhado ao Divinews, os problemas não representam um episódio isolado. Pelo contrário, fazem parte da rotina de quem depende diariamente da acessibilidade para estudar, trabalhar, realizar tratamentos médicos ou simplesmente exercer o direito de ir e vir.

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O vídeo enviado à reportagem mostra mais uma situação envolvendo o uso do equipamento de acessibilidade. Além das dificuldades encontradas durante o embarque e o desembarque, a denunciante relata constrangimentos e afirma que as pessoas com deficiência ainda não recebem a atenção necessária durante a prestação do serviço.

Embora cada ocorrência possua características próprias, a repetição dos relatos amplia a preocupação da população. A sequência de denúncias também fortalece o entendimento de que a discussão ultrapassa um problema pontual e passa a envolver a qualidade do transporte coletivo oferecido em Divinópolis.

Caso da cadeirante que se arrastou mobilizou Divinópolis

A nova denúncia surgiu poucos dias após um episódio que provocou forte indignação na cidade.

Uma cadeirante precisou se arrastar pelos degraus de um ônibus depois que o elevador destinado ao embarque e desembarque apresentou falha. As imagens repercutiram amplamente em Divinópolis, geraram centenas de manifestações nas redes sociais e despertaram uma onda de solidariedade à passageira.

Além da comoção, o episódio trouxe à tona um debate antigo sobre as condições do transporte coletivo e sobre o funcionamento dos equipamentos de acessibilidade instalados na frota.

Para muitos moradores, a cena representou uma violação da dignidade de uma cidadã que apenas tentava utilizar um serviço público essencial.

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Agora, com uma nova denúncia chegando ao Divinews, a sensação entre usuários é de que aquele episódio não pode ser tratado como um caso isolado.

Nova denúncia relata dificuldades constantes

A cadeirante que procurou a reportagem afirma que enfrenta problemas semelhantes com frequência.

Segundo o relato, a utilização do transporte coletivo costuma gerar insegurança porque nem sempre existe a certeza de que os equipamentos funcionarão corretamente ou de que o atendimento ocorrerá da forma esperada.

A denunciante também relata constrangimentos durante o uso do sistema e destaca que muitas pessoas com deficiência convivem diariamente com situações parecidas, mas acabam não registrando reclamações formais.

Esse cenário reforça a importância de ampliar o debate sobre inclusão, acessibilidade e respeito às pessoas com mobilidade reduzida.

Mais do que garantir a presença de elevadores nos veículos, a legislação determina que esses equipamentos permaneçam em perfeito funcionamento e ofereçam condições adequadas para o uso seguro dos passageiros.

Prefeitura notificou a TransOeste e anunciou medidas

Após a repercussão do primeiro caso, a Prefeitura de Divinópolis divulgou uma nota oficial informando as providências adotadas.

Segundo o Município, a Administração notificou a empresa responsável pelo transporte coletivo em razão das condições precárias constatadas em parte da frota.

Ainda de acordo com a Prefeitura, assim que tomou conhecimento das imagens divulgadas nas redes sociais, a prefeita Janete Aparecida determinou uma força-tarefa para localizar a cidadã envolvida no episódio.

Após encontrá-la, entrou em contato e orientou o registro de um boletim de ocorrência para permitir a apuração dos fatos pelas autoridades competentes. Conforme informou a Administração Municipal, esse documento também integrará o processo administrativo aberto contra a concessionária.

Na nota, a Prefeitura lamentou o ocorrido e reafirmou que continuará fiscalizando e cobrando o cumprimento integral das obrigações contratuais da empresa, principalmente em relação à segurança, à qualidade do serviço e ao adequado atendimento da população.

O Executivo também informou que já iniciou o planejamento para uma nova concessão do transporte coletivo.

O contrato atual com a TransOeste terminará em 2027 e não receberá renovação. Com isso, uma nova licitação definirá a empresa responsável pela operação do sistema nos próximos anos.

Greve, aumento da tarifa e fim do subsídio aumentaram a cobrança da população

A nova denúncia também acontece em um momento delicado para o transporte coletivo de Divinópolis.

Em abril deste ano, motoristas realizaram uma greve que começou na madrugada do dia 17 e terminou na manhã do dia 18. A paralisação comprometeu a circulação dos ônibus e afetou milhares de passageiros que dependiam do transporte para trabalhar, estudar e cumprir compromissos.

Pouco tempo depois, outra mudança passou a pesar diretamente no bolso dos usuários.

No dia 1º de maio, entrou em vigor o reajuste da tarifa do transporte coletivo. Após vários anos sem alteração, a passagem deixou o valor de R$ 4,00 e passou para R$ 5,50 no cartão DivPass e R$ 6,00 para pagamento em dinheiro. A tarifa do serviço noturno também sofreu reajuste.

O aumento elevou a expectativa da população em relação à qualidade do serviço oferecido.

Entretanto, a sequência de denúncias envolvendo acessibilidade, conservação dos veículos e atendimento aos passageiros mantém o transporte coletivo no centro das críticas.

Milhões em subsídios voltam ao debate

Outro tema que voltou às discussões envolve os recursos públicos destinados ao sistema de transporte coletivo.

Nos últimos anos, a Prefeitura realizou sucessivos repasses financeiros para auxiliar a operação da TransOeste.

Em janeiro de 2026, um decreto autorizou um aporte extraordinário de R$ 8 milhões para a concessionária.

Durante parte do ano, o Município também manteve repasses próximos de R$ 2 milhões por mês, com o objetivo de reduzir os impactos financeiros da operação e evitar um reajuste imediato da tarifa.

Entretanto, durante as negociações seguintes, a concessionária apresentou uma proposta de ampliação do subsídio considerada inviável pelo Município.

Com o encerramento desse modelo de custeio, a Prefeitura autorizou o reajuste da tarifa que entrou em vigor em maio.

Agora, diante da repetição das denúncias envolvendo acessibilidade e das reclamações sobre as condições da frota, muitos usuários passaram a questionar se os investimentos públicos realizados nos últimos anos produziram as melhorias esperadas pela população.

Acessibilidade precisa deixar de ser exceção

Para quem depende diariamente do transporte coletivo, acessibilidade representa muito mais do que um equipamento instalado dentro de um ônibus.

Ela significa independência, segurança, autonomia e respeito.

Quando um elevador apresenta defeito ou quando o atendimento não acontece da forma adequada, o impacto vai muito além do atraso de uma viagem.

A dignidade da pessoa com deficiência acaba comprometida, e um direito garantido pela legislação deixa de ser plenamente assegurado.

A nova denúncia encaminhada ao Divinews reforça que a discussão não pode terminar após a repercussão de um único vídeo.

Enquanto novos relatos continuarem surgindo, permanecerá a cobrança para que a TransOeste fortaleça a manutenção da frota, aperfeiçoe o atendimento aos passageiros e garanta o funcionamento adequado dos equipamentos de acessibilidade.

Ao mesmo tempo, a população espera que a fiscalização da Prefeitura produza resultados concretos e que a futura licitação do transporte coletivo represente uma oportunidade para oferecer um serviço mais moderno, eficiente e, principalmente, mais humano para todos os divinopolitanos.

O Divinews mantém espaço aberto para manifestação da TransOeste sobre a nova denúncia. Caso a concessionária encaminhe esclarecimentos, esta reportagem será atualizada para garantir o direito ao contraditório.

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