A reforma da Previdência dos servidores municipais de Divinópolis chegou a um dos momentos mais importantes desde que o Projeto de Lei Complementar (PLC) 008/2026 começou a tramitar. Após semanas de reuniões, negociações e debates técnicos, Prefeitura e representantes dos servidores continuam sem consenso sobre os principais pontos da proposta, o que mantém o clima de tensão entre as partes e aumenta a expectativa em torno dos próximos encontros.
Embora as negociações tenham avançado em aspectos considerados secundários, como ajustes de redação e aperfeiçoamentos técnicos do texto, temas centrais da reforma permanecem sem definição. Questões como idade mínima para aposentadoria, regras de transição, novas alíquotas de contribuição, cálculo dos benefícios e equilíbrio financeiro do regime próprio seguem sendo alvo de intenso debate.
A proposta passou a ocupar o centro das discussões políticas em Divinópolis porque envolve diretamente o futuro previdenciário de milhares de servidores municipais. Ao mesmo tempo, a administração municipal argumenta que a situação financeira do Diviprev exige mudanças estruturais para evitar que o sistema se torne insustentável nos próximos anos.
Prefeitura aponta déficit de R$ 2,6 bilhões
A principal justificativa apresentada pela Prefeitura para defender a reforma está relacionada ao déficit atuarial do Diviprev.
Segundo a administração municipal, estudos preliminares apontam que o regime próprio de previdência acumula um déficit estimado em aproximadamente R$ 2,6 bilhões. Na avaliação do governo, esse valor representa um desafio crescente para as finanças do município e exige medidas capazes de garantir a continuidade do pagamento das aposentadorias e pensões dos servidores.
O secretário municipal de Fazenda, Gabriel Vivas, afirma que a situação preocupa porque a Prefeitura poderá precisar ampliar significativamente os aportes financeiros ao instituto previdenciário ao longo dos próximos anos.
De acordo com as projeções apresentadas pela administração, o Município poderá destinar mais de R$ 500 milhões apenas nos próximos quatro anos para cobrir o déficit do sistema caso nenhuma alteração seja aprovada.
Recursos poderiam deixar de chegar a outras áreas
Segundo Gabriel Vivas, o crescimento das despesas previdenciárias poderá reduzir a capacidade de investimento da Prefeitura em diversos setores considerados essenciais.
A administração argumenta que parte dos recursos destinados ao equilíbrio do Diviprev deixaria de financiar obras de infraestrutura, investimentos em saúde, melhorias na educação e novos projetos de mobilidade urbana.
Como exemplo, o secretário afirma que os mais de R$ 500 milhões previstos para cobrir o déficit previdenciário equivalem à execução de aproximadamente 268 quilômetros de pavimentação asfáltica, à construção de mais de 120 escolas no padrão da unidade do bairro Copacabana ou ainda à implantação de cerca de 264 Unidades Básicas de Saúde.
Na avaliação do Executivo, esses números demonstram o impacto que o crescimento das despesas previdenciárias poderá provocar no orçamento municipal caso nenhuma medida seja adotada.
Governo considera reforma indispensável
Com base nesse cenário, a Prefeitura sustenta que a reforma da Previdência não representa apenas uma alteração administrativa, mas uma medida considerada necessária para preservar o equilíbrio financeiro do regime próprio.
Segundo o Executivo, a proposta busca garantir a continuidade do sistema previdenciário e evitar que o aumento das despesas comprometa a prestação de serviços públicos à população.
A administração também afirma que as mudanças seguem parâmetros semelhantes aos adotados em outras reformas previdenciárias implementadas no país nos últimos anos, sempre com o objetivo de adequar o sistema à realidade financeira dos entes públicos.
Entretanto, apesar dos argumentos apresentados pelo governo, a proposta continua encontrando resistência entre os representantes dos servidores municipais.
Sindicatos pedem transparência antes de qualquer decisão
O Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram) e o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Municipal (Sintemd) afirmam que não são contrários ao debate sobre a sustentabilidade financeira do Diviprev.
Segundo as entidades, a preocupação está na ausência dos estudos atuariais completos que fundamentam as mudanças propostas pela Prefeitura.
Na avaliação dos sindicatos, qualquer alteração nas regras de aposentadoria precisa ser precedida pela apresentação de todos os dados técnicos que demonstrem a real situação financeira do instituto previdenciário.
Para as entidades, discutir idade mínima, novas alíquotas de contribuição e mudanças no cálculo dos benefícios sem acesso aos estudos significa tomar decisões que poderão afetar milhares de servidores sem o conhecimento integral dos impactos da reforma.
Negociações avançam, mas pontos centrais seguem travados
As discussões entre a Prefeitura e os representantes dos servidores tiveram início logo após o envio do Projeto de Lei Complementar (PLC) 008/2026. Desde então, equipes técnicas das duas partes passaram a analisar cada artigo da proposta na tentativa de construir um texto que equilibrasse a sustentabilidade financeira do Diviprev e a preservação dos direitos dos servidores.
Durante a segunda rodada de negociações, realizada na última semana, houve consenso em relação a ajustes de redação, organização dos dispositivos legais e adequações técnicas do projeto. Apesar desse avanço, as questões consideradas mais sensíveis permaneceram sem definição.
Segundo o Sintram e o Sintemd, os principais impasses continuam relacionados à idade mínima para aposentadoria, às novas alíquotas de contribuição, ao cálculo dos benefícios e às regras de transição para quem já integra o serviço público.
As entidades afirmam que esses pontos somente poderão ser debatidos de forma definitiva após a apresentação dos estudos atuariais solicitados durante as reuniões.
Estudos atuariais tornaram-se principal ponto de divergência
A ausência dos estudos técnicos passou a ser o principal foco da discussão.
Os sindicatos defendem que esses documentos são indispensáveis para demonstrar se o déficit apresentado pela Prefeitura realmente exige todas as alterações previstas no projeto.
Segundo as entidades, qualquer reforma previdenciária precisa ser construída sobre dados concretos, capazes de comprovar a necessidade de cada mudança proposta.
Em nota conjunta divulgada após o encerramento da segunda rodada de negociações, Sintram e Sintemd reforçaram que permanecem abertos ao diálogo, mas descartam qualquer validação do texto antes da apresentação dos estudos.
“Nossa posição é firme e construtiva. Não somos contra discutir a sustentabilidade do regime. Somos contra decidir no escuro. Reformar sem dados e às pressas significa decidir sobre a vida de pessoas reais sem conhecer os impactos dessas mudanças.”
Além disso, as entidades afirmaram que continuarão acompanhando cada etapa das negociações para garantir que os servidores tenham acesso a todas as informações antes da conclusão da reforma.
Sindicatos apresentam propostas para modificar o projeto
Enquanto aguardam os estudos atuariais, Sintram e Sintemd também apresentaram sugestões para alterar diversos pontos do PLC 008/2026.
Entre as principais propostas está a redução em dois anos da idade mínima para aposentadoria em relação ao texto encaminhado pela Prefeitura.
As entidades também defendem mudanças nas regras de cálculo dos benefícios, preservação da aposentadoria especial para servidores expostos a agentes nocivos, revisão das alíquotas de contribuição e criação de uma cobrança escalonada entre 7,5% e 14%, substituindo a faixa prevista no projeto original.
Outro ponto defendido pelos sindicatos envolve a proteção aos pensionistas e dependentes, com regras consideradas mais favoráveis para famílias de servidores falecidos.
Além disso, as entidades pedem que aposentados e pensionistas contribuam apenas sobre a parcela que ultrapassar o teto do INSS.
Prazo foi ampliado para continuidade das negociações
Diante dos impasses, as partes concordaram em ampliar o prazo das negociações.
Inicialmente, a conclusão das discussões ocorreria ainda na última semana. No entanto, a Prefeitura solicitou mais tempo para apresentar os estudos técnicos solicitados pelos sindicatos.
Com isso, uma nova reunião ficou prevista para os próximos dias, quando a administração deverá apresentar os documentos que embasam a proposta de reforma.
Enquanto isso, a expectativa permanece concentrada na análise desses estudos, considerados fundamentais para a continuidade das negociações.
Assembleia deve definir próximos passos da mobilização
Enquanto as negociações seguem em andamento, os sindicatos convocaram uma Assembleia Geral Extraordinária para esta terça-feira (30), às 18h30, no Auditório do Instituto Nossa Senhora do Sagrado Coração, localizado na Rua Rio de Janeiro, nº 610, no Centro de Divinópolis.
O encontro reunirá servidores municipais para apresentar um balanço das negociações realizadas até o momento, discutir os estudos que ainda deverão ser entregues pela Prefeitura e definir as estratégias jurídicas e políticas da categoria para as próximas etapas da tramitação do projeto.
As entidades afirmam que a participação dos servidores será fundamental, uma vez que as mudanças propostas poderão produzir efeitos diretos na aposentadoria de milhares de trabalhadores ativos, aposentados e futuros ingressantes no serviço público municipal.
Projeto continua em discussão
Apesar do avanço nas negociações técnicas, o PLC 008/2026 ainda não alcançou consenso entre as partes.
A Prefeitura mantém o entendimento de que a reforma representa uma medida necessária para preservar o equilíbrio financeiro do Diviprev e evitar que o crescimento do déficit comprometa a capacidade de investimento do Município nos próximos anos.
Por outro lado, Sintram e Sintemd reforçam que qualquer decisão deverá ocorrer somente após a apresentação e análise dos estudos atuariais. Segundo as entidades, esses documentos são indispensáveis para comprovar a dimensão do déficit e demonstrar se todas as mudanças propostas realmente são necessárias.
Enquanto isso, o diálogo permanece aberto entre as partes, embora o clima continue marcado por divergências em relação aos principais pontos do projeto.
Próximos dias poderão definir o futuro da reforma
A expectativa é que os próximos dias sejam decisivos para o andamento da reforma da Previdência em Divinópolis.
Caso a Prefeitura apresente os estudos atuariais solicitados, sindicatos e equipe técnica deverão iniciar uma análise detalhada dos números que embasam o projeto. A partir dessa avaliação, novas negociações poderão ocorrer antes do encaminhamento definitivo da proposta à Câmara Municipal.
Por outro lado, caso as entidades considerem que os documentos não respondem aos questionamentos apresentados durante as reuniões, novas rodadas de negociação poderão ser necessárias, ampliando o debate sobre o futuro do regime próprio de previdência dos servidores municipais.
Independentemente do desfecho, o PLC 008/2026 já se consolidou como uma das discussões mais relevantes da administração municipal neste ano. Além de envolver um déficit atuarial estimado em R$ 2,6 bilhões, a proposta trata diretamente do futuro previdenciário de milhares de servidores e poderá produzir reflexos significativos nas finanças públicas de Divinópolis pelos próximos anos.
Diante desse cenário, a expectativa recai sobre a apresentação dos estudos técnicos e sobre as próximas reuniões entre Prefeitura e sindicatos, que deverão definir se haverá consenso para a continuidade da tramitação do projeto ou se o debate seguirá marcado por novos impasses antes da votação no Legislativo municipal.






