A sessão desta terça-feira (23), na Câmara Municipal de Divinópolis, terminou com forte repercussão política e novo desgaste institucional. Isso ocorreu após a rejeição do pedido de cassação do mandato do vereador Flávio Marra. Em seguida, a decisão provocou reação imediata de Arthur Saturnino, autor da denúncia, que criticou a condução do Legislativo e afirmou que a Casa se afasta, mais uma vez, da expectativa popular ao não avançar com a apuração do caso.
O julgamento ocorreu em meio à repercussão de uma denúncia que aponta suposta agressão envolvendo o parlamentar em uma boate da cidade, no último fim de semana. Nesse contexto, a representação apresentada por Arthur buscava a abertura de um processo investigativo dentro da própria Câmara. Esse procedimento permitiria análise dos fatos, coleta de provas e eventual desdobramento político-administrativo. No entanto, os vereadores rejeitaram o pedido ainda na fase inicial, sem a instauração de comissão processante.
Diante do resultado, Arthur Saturnino adotou um tom de indignação. Além disso, ele afirmou que a denúncia não tinha como objetivo uma condenação prévia, mas sim a abertura de uma investigação formal. Segundo ele, a Câmara interrompeu o processo antes mesmo de qualquer apuração mais aprofundada. Na avaliação dele, isso reforça a percepção de blindagem política em torno do caso.
Na visão do denunciante, a decisão frustra parte da população que esperava uma resposta institucional mais firme. Além disso, ele sustenta que o Legislativo perdeu a oportunidade de conduzir uma investigação transparente, com garantia de defesa e análise técnica dos fatos.
Arthur diz que rejeição já era esperada e aponta distanciamento da Câmara
Após a sessão, Arthur afirmou que não se surpreendeu com o resultado da votação. Segundo ele, o cenário político já indicava a possibilidade de rejeição. Dessa forma, ele entende que isso reforça o distanciamento entre a Câmara e os interesses da população.
Na manifestação, ele afirmou que a surpresa ocorreria apenas caso o pedido fosse aceito.
“Surpresa seria se eles aceitassem o pedido, porque a Câmara Municipal de Divinópolis hoje está se afastando cada vez mais dos interesses populares”, disse.
Assim, a declaração amplia o tom político da reação e insere a rejeição da cassação dentro de um contexto mais amplo de críticas ao comportamento do Legislativo municipal.
Denunciante afirma que Câmara barrou investigação, não condenação
Arthur reforçou que o pedido apresentado não significava cassação imediata do mandato, tampouco qualquer juízo antecipado de culpa. Em outras palavras, segundo ele, a proposta previa apenas a abertura de uma comissão processante para apurar os fatos e garantir ampla defesa ao vereador citado.
Além disso, ele destacou que o procedimento permitiria a coleta de provas e a análise institucional do caso antes de qualquer decisão final.
“Foi só um pedido de abertura de investigação. Teria uma comissão processante onde se juntaria provas, e o vereador Flávio Marra poderia ter direito à sua ampla defesa”, afirmou.
Na avaliação dele, ao rejeitar a abertura do processo, a Câmara interrompeu a possibilidade de esclarecimento e, consequentemente, aumentou a percepção de proteção política entre seus membros.
Arthur vê blindagem política e diz que Câmara frustrou a expectativa de quem cobrava apuração
A reação do autor da denúncia também foi marcada por críticas à forma como a Câmara conduziu o caso. Para Arthur, a Casa perdeu a oportunidade de se posicionar como instituição fiscalizadora e preferiu encerrar o assunto antes mesmo de qualquer apuração mais detalhada. Com isso, segundo ele, a expectativa de quem esperava uma resposta do Legislativo acabou frustrada.
Na avaliação do denunciante, o caso ultrapassou o ambiente político e passou a interessar diretamente à população de Divinópolis, justamente por envolver a conduta de um vereador diante de uma denúncia grave. Por esse motivo, ele sustenta que a abertura de investigação seria o caminho mais adequado, inclusive para preservar a credibilidade da própria Câmara.
“A Câmara se afastou da vontade popular, que eu vejo que é o interesse de toda a população de Divinópolis, que sejam apurados os fatos e que ele seja julgado de acordo com a lei”, afirmou.
A crítica toca em um ponto sensível para o Legislativo. Em momentos de crise, especialmente quando um vereador se torna alvo de denúncia com forte repercussão, a cobrança por transparência tende a crescer. Quando a apuração não avança, ou sequer é iniciada, a sensação de blindagem política costuma ganhar força no debate público.
Votação amplia desgaste e transforma Câmara em foco da crise
Com a rejeição do pedido de cassação, o centro da crise política deixa de se concentrar apenas no episódio investigado. Agora, ele passa a atingir também a postura da Câmara Municipal. Nesse sentido, a decisão dos vereadores, somada à reação de Arthur, amplia o desgaste institucional e mantém o caso em evidência no debate político local.
A partir desse cenário, cresce a cobrança por transparência e explicações. Além disso, setores da população e do ambiente político passam a questionar a decisão de encerrar a análise ainda na fase inicial.
Arthur cita decisões recentes e diz que Câmara vem acumulando medidas contrárias ao interesse popular
Na entrevista concedida após o julgamento, Arthur também fez um resgate de decisões recentes tomadas pela Câmara para sustentar a tese de que o Legislativo municipal já vem se afastando da população há algum tempo. Segundo ele, o arquivamento do pedido de cassação não pode ser analisado como um fato isolado, mas sim como mais um episódio dentro de uma sequência de medidas que, em sua avaliação, desgastaram a imagem da Casa.
Entre os exemplos citados por Arthur estão o aumento do valor do auxílio-alimentação acima do salário mínimo, o reajuste dos próprios salários dos vereadores para valores superiores a R$ 17 mil, a ampliação do número de cadeiras na Câmara e a rejeição de outra denúncia envolvendo o vereador Delano.
“Desde o início dessa legislatura já começou com o aumento do valor de alimentação acima do salário mínimo, depois aumentaram o próprio salário para acima de R$ 17 mil, aumentaram o número de cadeiras de vereadores aqui na Câmara, rejeitaram o pedido de denúncia contra o vereador Delano, que atacou de forma baixa duas mulheres na Tribuna Livre da Câmara”, declarou.
Ao citar esse histórico, Arthur procura reforçar a narrativa de que a decisão tomada nesta terça-feira (23) não foi pontual, mas sim coerente com um comportamento que, na visão dele, vem sendo repetido pela atual composição da Câmara.
Denunciante invoca princípio da moralidade e questiona permanência de vereador sob suspeita
Outro ponto central da manifestação de Arthur foi o apelo ao princípio da moralidade administrativa, um dos pilares que regem a atuação de agentes públicos. Na visão dele, a gravidade da denúncia envolvendo Flávio Marra já seria suficiente para justificar uma apuração mais rigorosa por parte do Legislativo, justamente porque a conduta atribuída ao vereador, se confirmada, teria repercussão direta sobre a dignidade do cargo.
Ao comentar o caso, Arthur afirmou que a suspeita de agressão com garrafadas não se harmoniza com a ideia de moralidade que deve nortear a atuação de políticos e servidores públicos. Embora a apuração seja indispensável para qualquer conclusão definitiva, ele sustenta que a Câmara não poderia ter tratado o episódio com indiferença institucional.
“Um dos princípios da administração pública, dos servidores públicos e também dos políticos, é ter moralidade, e agredir uma pessoa a garrafadas eu vejo que não é nada moral”, disse.
A declaração deixa evidente que, para o autor da denúncia, o caso não se limita a um episódio de repercussão criminal ou policial. Na avaliação dele, trata-se também de uma discussão sobre decoro, imagem pública e permanência no mandato.
Denunciante nega motivação eleitoral e fala em cidadania
Questionado sobre possível motivação eleitoral, Arthur negou qualquer relação da denúncia com projetos políticos futuros. Segundo ele, a atuação decorre de posicionamento pessoal e do exercício da cidadania.
Ele afirmou que atua em defesa de pautas relacionadas a Divinópolis desde 2022 e que pretende seguir contribuindo com o município de diferentes formas.
“As pessoas perguntam: você faz isso por interesse político? Não. Eu faço isso para exercer minha cidadania, apenas isso”, afirmou.
Assim, a declaração busca afastar interpretações de que a denúncia teria relação com interesses eleitorais ou disputas políticas locais.
Caso segue no centro do debate político em Divinópolis
Mesmo após a rejeição da cassação, o caso envolvendo Flávio Marra segue no centro do debate político em Divinópolis. A reação de Arthur Saturnino mantém o tema em evidência e amplia a pressão por respostas institucionais.
Enquanto isso, o episódio intensifica o questionamento público sobre a decisão da Câmara e sustenta o debate sobre transparência, apuração de denúncias e responsabilidade política no Legislativo municipal.






