O governo federal anunciou a ampliação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passará dos atuais 30% para 32% a partir do próximo dia (24). A medida, antecipada pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante agenda oficial em Dom Aquino, no estado de Mato Grosso, representa mais um passo na política de fortalecimento dos biocombustíveis no Brasil e deve ter impactos diretos na cadeia produtiva do setor sucroenergético, no mercado de combustíveis e nas metas ambientais do país.
Anúncio foi feito durante evento no Mato Grosso
O anúncio foi realizado no último dia (20), durante evento em que foram entregues a primeira etapa da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo e o Terminal da BR-070.
A confirmação antecipada ocorre em um momento estratégico, já que a expectativa do setor era de que a proposta fosse oficialmente analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em reunião marcada justamente para o dia 24 de junho.
Com a declaração, o governo sinaliza de forma clara o avanço da política de transição energética e reforça a intenção de ampliar o uso de fontes renováveis na composição da matriz de combustíveis do país.
Medida pode impactar preço e consumo de combustíveis
De acordo com o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ampliação da mistura de etanol na gasolina tem potencial de gerar efeitos econômicos relevantes, incluindo possíveis impactos no preço final pago pelo consumidor.
Segundo ele, o aumento da participação dos biocombustíveis também contribui para a redução da dependência de combustíveis fósseis importados, fortalecendo a segurança energética nacional.
Entre os principais efeitos esperados estão:
redução das emissões de gases poluentes;
maior participação de fontes renováveis na matriz energética;
estímulo direto à cadeia produtiva do agronegócio;
ampliação da demanda por etanol no mercado interno;
fortalecimento do setor sucroenergético brasileiro.
O setor produtivo vinha aguardando há meses uma definição sobre a ampliação da mistura, considerada essencial para dar previsibilidade aos investimentos e ampliar a competitividade do etanol frente à gasolina.
Brasil reforça protagonismo mundial em biocombustíveis
Durante o discurso, Alckmin destacou que o Brasil já figura entre os países com maior participação de biocombustíveis na composição da gasolina no mundo, sendo referência internacional em energia renovável.
Com a elevação para 32%, o país reforça ainda mais sua posição de liderança em um cenário global marcado pela busca por alternativas energéticas mais limpas, sustentáveis e alinhadas às metas de redução de emissões de carbono.
O governo avalia que a política contribui não apenas para o meio ambiente, mas também para o fortalecimento econômico de setores estratégicos da economia brasileira.
SAF entra no radar da transição energética
Além da ampliação da mistura na gasolina, o vice-presidente também destacou o potencial do Brasil na produção do SAF (Sustainable Aviation Fuel), combustível sustentável de aviação considerado uma das principais apostas para a descarbonização do setor aéreo mundial.
O SAF é apontado por especialistas como uma das tecnologias mais promissoras para reduzir emissões no transporte aéreo nas próximas décadas, e o Brasil surge como um dos países com maior capacidade de produção devido à sua forte base agrícola e industrial.
Governo também mira expansão do agronegócio e exportações
Durante sua fala, Alckmin também abordou outras frentes da política econômica e comercial do governo federal, com destaque para o agronegócio e a ampliação de mercados internacionais.
Segundo ele, o Brasil já avançou no reconhecimento sanitário como país livre de febre aftosa para exportação à China, o que fortalece a credibilidade da carne brasileira no mercado internacional.
O próximo passo, afirmou o vice-presidente, é intensificar as negociações para ampliar as exportações de carne bovina para a União Europeia.
Programa Moderfrota Agro prevê R$ 14 bilhões
Outro ponto destacado por Alckmin foi o lançamento do programa Moderfrota Agro, anunciado durante a Bahia Farm Show.
A iniciativa prevê a liberação de R$ 14 bilhões em crédito destinados à aquisição de máquinas, equipamentos agrícolas e modernização da produção no campo.
Os recursos deverão começar a ser disponibilizados nos próximos dias por meio de instituições financeiras públicas e privadas, incluindo:
Banco do Brasil
Caixa Econômica Federal
Finep
agentes privados de crédito
A proposta integra a estratégia do governo de modernizar o agronegócio brasileiro, aumentar a produtividade e fortalecer a competitividade do setor no cenário internacional.






