Existe a política. Existe a politicagem. E existe também o desconhecimento da liturgia do cargo para o qual uma autoridade foi eleita. Em alguns momentos, as três coisas se misturam. E foi exatamente essa impressão que ficou durante a passagem do governador de Minas Gerais, Mateus Simões, por Divinópolis no último sábado, para tornar a cidade capital do Estado e anunciar investimentos para a região, quando a maioria dos vereadores; mais dois deputados e um senador simplesmente passaram ao largo de sua presença na cidade; e possívelmente, alguns outros pensam em fazer a mesma coisa com o presidente Lula na próxima sexta-feira (19), ocasião em que ele vai inaugurar o Hospital Universitário.
Na política, divergências são naturais. Fazem parte do jogo democrático. Governistas e oposicionistas possuem visões diferentes sobre a administração pública e disputam espaço perante a opinião popular. Isso é saudável e necessário.
A politicagem, porém, começa quando interesses pessoais, eleitorais ou partidários passam a se sobrepor aos interesses institucionais da cidade. E foi justamente aí que alguns atores locais resolveram atuar.
A visita de um governador ao município não deveria ser encarada apenas sob a ótica eleitoral. Antes de tudo, trata-se da presença de uma autoridade que ocupa o mais importante cargo do Estado. Independentemente de preferências políticas, existe uma liturgia que acompanha a função pública e que exige respeito institucional.
Quando uma cidade recebe representantes dos mais altos escalões do governo estadual ou federal, o mais importante deveria ser discutir investimentos, obras, parcerias e soluções para problemas que afetam diretamente a população. Afinal, os mandatos passam, mas as necessidades da cidade permanecem.
Infelizmente, parte do debate acabou sendo contaminada por disputas menores, demonstrações de vaidade e comportamentos que pouco contribuem para o fortalecimento institucional de Divinópolis.
É possível discordar politicamente de Mateus Simões. É legítimo fazer oposição ao governo estadual. O que não parece razoável é transformar um momento institucional em palco para disputas que produzem manchetes momentâneas, mas não geram resultados concretos para a população.
A maturidade política exige compreender que cargos públicos possuem uma representação que vai além da pessoa que os ocupa. Respeitar a liturgia do cargo não significa concordar com quem está nele. Significa compreender a importância das instituições e agir à altura da responsabilidade que o mandato confere.
Divinópolis ganha quando seus representantes sabem separar política de politicagem. E ganha ainda mais quando aqueles que receberam a confiança das urnas compreendem que a defesa dos interesses da cidade deve estar acima de disputas circunstanciais.
Será que pensam em ter a mesma atitude que tiveram com o governador Mateus Simões, com o presidente Lula que virá a Divinópolis na proxima sexta-feira (19).






