Cleitinho Azevedo, do Republicanos, na noite desta última terça-feira (09) usou a tribuna do Senado Federal para se manifestar sobre a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Divinópolis e também sobre a presença do governador Mateus Simões no município, dentro do projeto que transforma cidades mineiras em capital simbólica do Estado.
Natural de Divinópolis, Cleitinho adotou um tom republicano, defendeu respeito institucional e disse que a cidade deve receber bem tanto o presidente da República quanto o governador de Minas, ainda que ambos estejam em campos políticos diferentes do seu.
A fala ocorre em meio à expectativa pela presença de Lula em Divinópolis para agenda ligada ao Hospital Universitário da UFSJ, antigo Hospital Regional, uma obra aguardada há décadas pela população do Centro-Oeste mineiro. O Divinews já havia noticiado a confirmação da presença do presidente no município e a expectativa em torno da inauguração da unidade.
Na tribuna, Cleitinho afirmou que a ida de Lula à sua cidade gerou polêmica em Divinópolis e na região. Mesmo assim, o senador disse que o presidente deve ser recebido com educação e respeito, por se tratar da maior autoridade do país.
“Tem que ir, ué. Ele é o presidente da República. Qualquer outro presidente que tivesse a força da minha cidade, eu tenho que ficar feliz”, declarou Cleitinho, ao defender que a presença de um presidente da República em Divinópolis deve ser vista como oportunidade para a cidade.
O senador também abordou a polêmica sobre a origem dos recursos do hospital, se estadual ou federal. Para ele, a discussão deve ser superada porque o dinheiro público pertence à população. “A verdade é que é do povo. Não é do Estado, não é do governo federal, é dinheiro do povo voltando pro povo”, afirmou.
A frase resume o ponto central do pronunciamento. Cleitinho buscou deslocar o debate da disputa partidária para o interesse público. Em vez de tratar a presença de Lula como adversidade política, o senador afirmou que a cidade deve aproveitar a visita de uma autoridade nacional para buscar benefícios concretos.
Ele também fez questão de afirmar que Lula será bem recebido em Divinópolis. Segundo Cleitinho, a prefeita Janete Aparecida, que era vice-prefeita na gestão de seu irmão Gleidson Azevedo, deverá tratar o presidente com educação e respeito.
A fala chama atenção porque ocorre em um ambiente político cada vez mais marcado pela polarização. Cleitinho, que frequentemente se posiciona em debates nacionais com forte apelo popular, optou desta vez por defender civilidade institucional e respeito ao cargo ocupado por Lula.
O senador também ampliou o raciocínio para o governador Mateus Simões. Ele citou o projeto do Governo de Minas que leva a capital simbólica do Estado para cidades do interior e afirmou que Divinópolis também deve receber essa agenda. O Governo de Minas já havia encaminhado nota ao Divinews informando que a cidade seria contemplada pelo Governo Presente, com transferência simbólica da capital.
Segundo Cleitinho, não há razão para barrar ou criticar a presença de Mateus Simões em Divinópolis apenas porque ambos podem disputar o Governo de Minas. “É claro que tem que fazer isso em Divinópolis também”, afirmou o senador ao comentar a possibilidade de o município se tornar capital simbólica.
A declaração também mira um ponto sensível da política mineira. Cleitinho aparece como um dos nomes mais competitivos para a disputa pelo Governo de Minas, enquanto Mateus Simões, atual governador, também é colocado como pré-candidato à reeleição. Mesmo assim, o senador rejeitou a ideia de transformar a agenda institucional do Estado em guerra eleitoral.
“Se ele está indo em Divinópolis, a prefeita vai atender ele, como vai atender o Lula. Isso é bom pra cidade. Aonde que eu vou ser contra isso?”, disse Cleitinho, ao defender que a presença de Mateus deve ser vista sob a ótica dos interesses do município.
O senador ainda afirmou que admira e respeita Mateus Simões e questionou a lógica de atacar o governador apenas porque ambos podem ser adversários eleitorais. “Agora vai vir a eleição, eu vou começar a atacar ele, falar mal dele. Por que eu vou fazer isso?”, disse.
A fala de Cleitinho tem peso político justamente porque vem de um possível concorrente direto de Mateus Simões. Em vez de explorar a presença do governador como confronto, o senador colocou Divinópolis acima da disputa eleitoral e afirmou que qualquer agenda que beneficie a cidade deve ser bem-vinda.
O pronunciamento também reforça uma marca da trajetória política de Cleitinho: o vínculo com Divinópolis. O próprio perfil oficial do Senado registra o senador como natural da cidade e titular do mandato por Minas Gerais no período de 2023 a 2031.
Na prática, Cleitinho tentou enviar um recado à sua base local: a disputa política não pode impedir que Divinópolis receba autoridades, investimentos, inaugurações e reconhecimento institucional. Para ele, seja Lula, seja Mateus Simões, a presença de chefes de Executivo na cidade precisa ser tratada com respeito.
A manifestação ocorre em um momento em que Divinópolis voltou ao centro das agendas estadual e federal. De um lado, há a expectativa pela visita de Lula para a inauguração do Hospital Universitário da UFSJ. De outro, há a programação do Governo Presente, com a transferência simbólica da capital mineira para o município. O Divinews também já havia noticiado que Divinópolis entraria na rota da capital simbólica de Minas.
Politicamente, o gesto de Cleitinho é calculado e relevante. Ao defender a recepção respeitosa a Lula e Mateus, o senador evita ficar preso à lógica da polarização e se apresenta como liderança que coloca sua cidade acima da disputa partidária.
Ao mesmo tempo, a fala também protege sua própria imagem em Divinópolis. Como pré-candidato em potencial ao Governo de Minas, Cleitinho demonstra que não pretende rejeitar agendas institucionais que possam favorecer sua cidade natal, mesmo quando realizadas por adversários ou possíveis concorrentes.
O ponto mais forte do pronunciamento foi a defesa da civilidade. Em tempos de radicalização, Cleitinho afirmou que aprendeu com o pai a tratar as pessoas com educação, independentemente de diferenças políticas. A declaração funciona como recado não apenas para adversários, mas também para aliados que, muitas vezes, cobram postura de confronto permanente.
Divinópolis, por sua vez, sai fortalecida quando líderes estaduais e nacionais disputam presença na cidade. A visita de um presidente da República, a presença do governador e o reconhecimento como capital simbólica de Minas colocam o município no centro do mapa político.
A fala de Cleitinho, portanto, aponta para uma conclusão simples: Divinópolis não pode ser penalizada pela disputa eleitoral. Se Lula vem, deve ser recebido como presidente. Se Mateus vem, deve ser recebido como governador. E se ambos trazem agendas que podem beneficiar a cidade, a população tem mais a ganhar com civilidade do que com palanque de guerra.






