Ausência dos três Senadores da República, que representam o Estado de Minas Gerais no Congresso Nacional, na posse de Mateus Simões levanta debate sobre a institucionalidade. Isso por que, Cleitinho, Rodrigo Pacheco e Carlos Viana são vozes do povo na mais alta Casa Legislativa do país, perpassando questões de disputas políticas eleitorais.
A posse de Mateus Simões no Governo é um dos atos mais simbólicos da política estadual, e acabou marcada por ausências que chamaram mais atenção do que as presenças. Nenhum dos três senadores mineiros compareceu à cerimônia. E ao menos de público, não justificaram.
Cleitinho, Rodrigo Pacheco e Carlos Viana não estiveram presentes na Assembleia Legislativa de Minas – ALMG e tão pouco na cerimonia de transmissão do Colar da Independência de Zema para Mateus, no Palácio da Liberdade, em um momento que, tradicionalmente, ultrapassa disputas políticas e reforça a liturgia dos cargos públicos.
O contexto político ajuda a explicar, mas não necessariamente justifica. Cleitinho já se coloca como pré-candidato ao governo, enquanto Rodrigo Pacheco ensaia movimentos no mesmo sentido pelo campo da direita e com apoio de Lula. E Carlos Viana, como divulgado recentemente por um meio de comunicação, também passou a figurar em rumores como possível nome na disputa pela principal sala da Cidade Administrativa.
A ausência conjunta dos três senadores não deveria ser, por eles, interpretada como possivel estratégia eleitoral, se assim foi, foi totalmente equivocada. Por trata-se da posse de um novo governador do segundo estado mais relevante da federação, um ato institucional que carrega simbolismo republicano e exige, acima de tudo, respeito à liturgia do cargo e à própria representação popular.
Mais do que um eventual sinal de desprestígio ao governador empossado, o gesto foi interpretado nos bastidores como um descompasso com o próprio Estado de Minas Gerais. Afinal, cargos eletivos não pertencem a projetos individuais, mas à coletividade que representam.
Ao optar por não comparecer, os senadores priorizaram, ainda que indiretamente, o cálculo político em detrimento da institucionalidade. E esse tipo de movimento, embora comum em períodos pré-eleitorais, tende a deixar marcas.
As eleições e a campanha, inevitavelmente, voltariam à pauta no dia seguinte. Mas a posse de um governador é um momento único, que deveria se sobrepor às divergências momentâneas. No fim, a ausência fala. E, em política, muitas vezes, ela diz mais do que qualquer discurso.






