Falcão sai pela tangente sobre vice, mas bastidor vê chapa pura com Cleitinho e deixa PL em xeque

Depois de esnobarem e desdenharem de Cleitinho, lideranças agora correm atrás do senador, diante da liderança nas pesquisas, para tentar emplacar o vice. Nos bastidores, porém, o pré-candidato sinaliza resistência ao assédio e deve apostar em chapa pura do Republicanos, com Falcão como vice.

Publicado por: Geraldo Passos

A sucessão estadual em Minas Gerais entrou em uma fase em que cada palavra pesa, cada silêncio comunica e cada visita política carrega mensagem. Em entrevista concedida neste domingo (31), na redação do Divinews, o ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios, Luís Eduardo Falcão, tratou com cautela sua quase certa indicação como vice na chapa do senador Cleitinho Azevedo ao Governo de Minas.

A conversa revelou mais pelo que Falcão evitou cravar do que pelo que respondeu diretamente. Cotado no entorno de Cleitinho como nome preferencial para compor a chapa majoritária, o ex-prefeito adotou tom diplomático, evitou fechar portas ao PL e repetiu que a decisão cabe ao senador, que lidera as pesquisas eleitorais em Minas.

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Nos bastidores, contudo, a leitura que circula no entorno de Cleitinho caminha em outra direção. Interlocutores afirmam que a tendência mais forte seria uma chapa pura do Republicanos, com Cleitinho como pré-candidato ao Governo de Minas e Falcão como vice. A avaliação interna sustenta que a liderança do senador nas pesquisas permite uma composição sem submissão às exigências tradicionais de partidos que, até pouco tempo atrás, resistiam ao seu nome.

Falcão foi à redação, mas evitou cravar o próprio destino

A entrevista ocorreu em clima político acelerado. Falcão esteve em Divinópolis acompanhado de sua esposa, a deputada estadual Lud Falcão, embora, por falha grave de planejamento de agenda da assessoria, já que o Divinews não é apenas local, e sim regional, a parlamentar não tenha participado do bate-papo e sequer ido na redação. Lud, que também se movimenta politicamente, é apontada como nome com projeto para buscar uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Logo no início, Falcão apresentou sua trajetória como alguém que não nasceu no meio político. Relembrou a vitória em Patos de Minas em 2020, quando enfrentou grupos tradicionais, e destacou a reeleição com votação expressiva. Também ressaltou sua passagem pela AMM, experiência que, segundo ele, ampliou seu conhecimento sobre os problemas reais dos municípios mineiros.

“Eu sou alguém que não veio do meio político. Eu não tenho familiares antes de mim. Ninguém tinha candidatado.”

A fala buscou construir a imagem de um político de origem administrativa, municipalista e fora dos arranjos tradicionais. Esse ponto dialoga diretamente com a narrativa de Cleitinho, que tenta se apresentar como liderança com vida própria, distante dos velhos grupos partidários e da lógica de composições impostas.

A pergunta que expôs o incômodo: quem tem menos voto quer mandar em quem lidera?

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O ponto mais forte da entrevista veio quando o entrevistador colocou sobre a mesa a contradição central do momento político em Minas. Cleitinho aparece à frente nas pesquisas, enquanto nomes que pontuam menos tentam ocupar espaço de comando na articulação da direita.

A pergunta mirou diretamente a pressão do PL, o papel de Flávio Roscoe, a movimentação de Vittorio Medioli e o peso de Domingos Sávio no comando estadual da legenda.

“Essa inversão de que o que tem menos ponto, menos chance, almeja ser cabeça de chapa, é um negócio meio que surreal. Como você avalia essa questão, essas pressões que vocês estão sofrendo?”

Falcão respondeu como quem conhece o peso de cada palavra em período pré-eleitoral. Em vez de confrontar o PL ou afirmar que a vaga de vice já teria dono, preferiu tratar o momento como etapa natural de negociação.

“Isso é natural nesse período de indefinição. Esse é um momento em que está tudo em aberto ainda.”

Na sequência, porém, reconheceu que o PL tem pretensões claras dentro da construção política. A fala teve tom sereno, mas deixou evidente que o partido quer mais do que apenas embarcar no projeto de Cleitinho.

“Se vai caminhar com o Cleitinho, eles querem indicar o vice, querem o apoio do Domingos Sávio para o Senado, querem o apoio do candidato a presidente, vão querer tudo, vão pedir tudo.”

A frase sintetiza o jogo. O PL quer espaço, quer comando, quer palanque, quer Senado, quer presidência e quer influência. Falcão, no entanto, completou com uma observação que soa como recado político.

“O que é que vão levar é que aí é outra coisa.”

Bastidor aponta chapa pura, enquanto Falcão preserva a porta aberta

O entrevistador foi além e verbalizou o que circula nos bastidores. Segundo a leitura apresentada durante a entrevista, Cleitinho teria forte inclinação por Falcão como vice, principalmente porque o PL teria feito pouco caso de seu projeto quando o senador ainda consolidava sua pré-candidatura.

A fala colocou no centro da discussão um ponto sensível: partidos e lideranças que antes resistiam a Cleitinho agora se aproximam depois de perceberem sua força eleitoral.

“O próprio PL fez pouco caso. O PL via o próprio senhor Flávio Roscoe, um ilustre desconhecido. Fez pouco, desdenhou, não quis receber o Cleitinho.”

O entrevistador também afirmou que, no entorno do senador, a possibilidade de chapa pura aparece como tendência dominante.

“O vice, possivelmente, pelo que ouço do entorno do senador Cleitinho, é o Falcão. Agora, ele tem que ser efetivamente diplomata, há diplomacia política.”

Falcão não contestou frontalmente a leitura, mas também não confirmou. Preferiu reconhecer o exercício da diplomacia e manter a conversa institucional.

“Mas é a diplomacia mesmo, é como você está falando. A gente não pode fechar portas.”

A resposta mostra a estratégia do pré-candidato a vice. Falcão não desautoriza os bastidores, não fecha a porta ao PL, não bate martelo sobre a chapa e não atropela Cleitinho. Ao mesmo tempo, deixa claro que já aceitou o convite para participar do projeto.

“A decisão é do senador, ele é que lidera as pesquisas. Acho que posso contribuir.”

Cleitinho com vida própria virou problema para quem apostou contra

A entrevista também explorou uma leitura cada vez mais presente no cenário mineiro. A liderança de Cleitinho nas pesquisas não parece depender exclusivamente do bolsonarismo, nem da esquerda, nem de uma estrutura partidária tradicional. O senador construiu um capital próprio, com forte presença popular e comunicação direta com o eleitor.

Essa independência muda o peso das negociações. Se antes partidos avaliavam Cleitinho como alguém que precisaria se adaptar às estruturas já existentes, agora a lógica se inverte. Lideranças que antes tratavam sua pré-candidatura com distância passaram a buscar aproximação.

Nos bastidores, essa movimentação recebe uma descrição dura: uma espécie de “passação de pires” em direção ao senador. A recente visita de Vittorio Medioli a Divinópolis, seguida de encontro com Cleitinho e depois com Domingos Sávio, reforçou a percepção de que o PL tenta reposicionar suas peças em Minas.

O cálculo é simples. Com Cleitinho liderando, quem quiser disputar influência no campo da direita precisa conversar com ele. Mas conversar não significa mandar. Esse parece ser o limite que o entorno do senador pretende estabelecer.

PL pode ter palanque, mas sem mando obrigatório

A resistência de Cleitinho a uma aliança formal com o PL dos Bolsonaros, segundo bastidores, não significa rompimento automático com o campo da direita. O desenho mais provável, conforme a leitura interna, permitiria algum tipo de convivência eleitoral, inclusive palanque para Flávio Bolsonaro em Minas, mas sem acordo que imponha participação obrigatória, loteamento de governo ou indicações compulsórias.

Essa diferença é fundamental. Uma coisa seria abrir espaço de diálogo. Outra, completamente diferente, seria entregar o comando político da chapa a quem não sustentou Cleitinho desde o início.

O senador, segundo interlocutores, teria guardado a resistência inicial de lideranças do PL nacional e estadual. A avaliação é que muitos “desdenharam” dele enquanto sua pré-candidatura ainda parecia improvável para os grupos tradicionais. Agora, diante das pesquisas, a aproximação teria mudado de tom.

Falcão tratou a negociação com cuidado, mas deixou uma frase que ajuda a explicar o momento.

“Está na mão do senador Cleitinho a decisão. E eu acredito que ele vai tomar a melhor decisão.”

Falcão evita atacar Flávio Bolsonaro e fala em dois pesos e duas medidas

Outro ponto delicado da entrevista envolveu o cenário nacional e a relação da direita mineira com Flávio Bolsonaro. Questionado sobre episódios recentes envolvendo o senador e sobre o impacto disso em pesquisas, Falcão preferiu uma resposta genérica, sem ataque direto.

“O meu compromisso sempre vai ser, na política ou fora dela, com as coisas corretas.”

Em seguida, adotou uma formulação ampla, que evita pré-julgamento e transfere a análise para as instituições.

“Se tem alguma coisa errada, que seja investigada e que qualquer pessoa seja punida. Você, eu, Flávio Bolsonaro, Lula, qualquer pessoa.”

A resposta, novamente, revelou diplomacia. Falcão não entrou na crítica direta ao bolsonarismo, mas também não ofereceu blindagem incondicional. Preferiu falar em investigação, punição para qualquer pessoa e crítica à seletividade política.

“O que percebo é que existem, muitas vezes, dois pesos e duas medidas.”

A frase permite leitura dupla. Serve para não romper com setores bolsonaristas e, ao mesmo tempo, mantém Falcão no campo de quem não aceita compromisso cego com qualquer liderança nacional.

Domingos Sávio aparece como possibilidade ao Senado

Ao tratar da composição para o Senado, Falcão admitiu que a conversa com o PL estava adiantada. Nesse cenário, citou a possibilidade de apoio a Domingos Sávio para uma das vagas.

“O que posso te falar hoje, nesse momento, é que a conversa com o PL está bem adiantada.”

Em seguida, detalhou o desenho em discussão.

“Nesse caso, nós apoiaríamos o Domingos Sávio para o Senado, para uma vaga.”

A fala é relevante porque mostra que o diálogo com o PL não desapareceu. Ao contrário, segue vivo. A diferença está no tamanho da contrapartida. O PL pode entrar na equação, mas a entrevista sugere que Cleitinho não pretende transformar sua liderança eleitoral em moeda de troca sem limites.

União da direita depende de quem aceita seguir quem lidera

No fim da entrevista, Falcão foi questionado sobre a possibilidade de a direita mineira chegar a uma candidatura única. A resposta trouxe a frase mais direta da conversa.

“Depende do desprendimento do atual governador.”

Depois, completou com uma lógica objetiva.

“Como é que você faz uma união? Apoiando quem tem a maior chance de ganhar, disparado.”

A afirmação mira diretamente a disputa com o grupo do governador Romeu Zema e do atual governador Mateus Simões. Para Falcão, não haveria sentido eleitoral em exigir que Cleitinho, líder nas pesquisas, abrisse mão do protagonismo em favor de nomes que aparecem atrás.

“Não tem como. Quem tem 40% abrir mão para quem tem 5%. 5%, 8%, não dá.”

Essa foi uma das respostas menos diplomáticas da entrevista. Embora não cite nominalmente todos os adversários, o recado alcança o coração da disputa. Se a direita quer unidade, a unidade teria que partir do reconhecimento da liderança de Cleitinho.

A entrevista que mostrou o jogo sem dizer tudo

A passagem de Falcão pela redação do Divinews revelou uma candidatura em construção, mas também uma disputa de bastidor que já começou antes mesmo das convenções. De um lado, Cleitinho lidera pesquisas e atrai partidos que antes resistiam a seu projeto. De outro, o PL tenta transformar apoio em poder de decisão dentro da chapa.

No meio desse tabuleiro, Falcão se comporta como vice em compasso de espera. Não confirma, não nega, não afronta, não fecha portas. Entretanto, suas respostas mostram alinhamento com Cleitinho, defesa da liderança do senador e disposição para integrar o projeto.

A política mineira, mais uma vez, se move entre a fala pública e o bastidor real. Publicamente, todos conversam com todos. Nos bastidores, porém, a leitura mais forte no entorno de Cleitinho aponta para uma chapa pura, com o Republicanos tentando preservar o controle da própria largada eleitoral.

Caso esse desenho avance, a eleição em Minas poderá transformar Cleitinho em um teste nacional para a direita: até onde uma liderança popular, com voto próprio e sem dependência absoluta do bolsonarismo, consegue negociar sem entregar o comando do próprio projeto?

O voo revelador, que sela Falcão como vice de Cleitinho

A entrevista com Falcão precisou ser bem acelerada, pelo fato de um voo que ocorreria as 16h30min em uma aeronave que já o esperava, para junto com Cleitinho fazer campanha em

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