A pré-campanha em Minas mostrou, neste domingo, como bastidor pode virar manchete em minutos, e como uma postagem em rede social pode criar um fato político antes da hora. Após o prefeito de Patos de Minas e presidente da AMM, Paulo “Falcão”, publicar que teria sido escolhido como pré-vice na chapa de Cleitinho Azevedo, o Divinews procurou o senador para ouvir dele a confirmação do anúncio.
A resposta veio com surpresa e recuo. Em contato com o portal na manhã deste domingo, Cleitinho afirmou que lamenta o ocorrido e classificou o episódio como distorção e mal-entendido. Segundo ele, não houve lançamento oficial de vice e, em sua fala no evento, ele não teria confirmado taxativamente aquilo que a plateia esperava ouvir.
O senador explicou a origem do convite. Falcão o teria chamado para o aniversário em Patos de Minas, inclusive dizendo que poderia levar a família, o que explicaria a presença da esposa. Cleitinho diz que aceitou o convite nesse espírito, como agenda social e política local, não como ato formal de campanha.
Só que, ao chegar na cidade, o cenário teria sido outro. Cleitinho relata que encontrou clima de pré-campanha, com mais de 1 mil pessoas à espera, palanque montado e ambiente de mobilização. Diante do impacto, ele admite que acabou “contagiado” pelo contexto, mas insiste que isso não significa anúncio oficial.
Na versão apresentada ao Divinews, o senador afirma que elogiou Falcão como um bom nome, mas não teria cravado, em definitivo, que ele estava lançado como vice. Para Cleitinho, existe diferença entre reconhecer viabilidade e oficializar chapa, especialmente quando envolve partido, dirigentes, rito e comunicação formal.
O detalhe mais sensível veio em seguida. Cleitinho afirmou que o episódio gerou reprimenda interna. Segundo ele, houve cobrança do presidente estadual do Republicanos e do presidente nacional do partido, Marcos Pereira. O recado, na leitura do senador, é de que lançamento de chapa não pode ser improvisado, nem produzido como “surpresa” fora do controle partidário.
Ao Divinews, Cleitinho resumiu o argumento com uma pergunta retórica, em tom de incredulidade: “Imagina, Geraldo, como vou lançar oficialmente uma candidatura com festa, sem a presença dos dirigentes do meu partido, sem os meus correligionários, distante da minha cidade, que é meu domínio eleitoral, e ainda sem aviso prévio aos meios de comunicação, à imprensa? O que houve foi um grande mal-entendido.” Ele acrescentou que pretende conversar com Falcão para desfazer o ruído e deixar claro que o nome dele segue visto como bom, mas que a condução precisa obedecer a um rito. “O nome dele continua sendo um bom nome, mas é preciso desfazer esse mal-entendido”, concluiu.
O episódio revela dois movimentos ao mesmo tempo. O primeiro é o desejo de setores do interior em emplacar um vice municipalista, usando o peso da AMM e a força de prefeitos como base de sustentação. O segundo é o choque com a lógica partidária tradicional, que exige comando, alinhamento e forma, para não parecer que candidatura nasce por impulso de microfone e palanque.
Na prática, o que se tem agora é um ajuste de narrativa. Falcão jogou luz sobre o próprio nome ao publicar a mensagem. Cleitinho, por sua vez, tenta recolocar o assunto na prateleira correta, a de conversa política e construção interna, sem anúncio oficial, sem cravar chapa e sem criar fato consumado.
O desgaste, porém, já está criado. Em política, desmentido nunca corre na mesma velocidade do anúncio. Agora, a pré-campanha terá que administrar a percepção pública, o sentimento da militância e a reação partidária, além de alinhar o discurso entre os dois personagens para evitar que o “mal-entendido” vire uma crise real dentro do campo.






