Uma megaoperação da Polícia Civil de Minas Gerais colocou no centro das investigações um esquema criminoso de agiotagem que vinha espalhando medo entre comerciantes e trabalhadores autônomos em Minas Gerais e outros estados brasileiros. Ao todo, 14 pessoas foram presas suspeitas de integrar uma organização criminosa formada por colombianos, venezuelanos e brasileiros.
Segundo as investigações, o grupo atuava em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná utilizando um modelo conhecido como “agiotagem gota a gota”, prática criminosa já monitorada pelas forças de segurança em diferentes regiões do país.
A operação, batizada de “Capital Coativo”, cumpriu dezenas de mandados judiciais e resultou na apreensão de motocicletas utilizadas nas cobranças, armas, celulares e aproximadamente R$ 150 mil em dinheiro.
Polícia aponta esquema de terror contra vítimas
Conforme as investigações, os suspeitos ofereciam empréstimos rápidos e sem burocracia, principalmente para pequenos comerciantes e pessoas com dificuldade de acesso ao sistema bancário tradicional.
O problema começava após a liberação do dinheiro.
Segundo a Polícia Civil, juros diários que poderiam chegar a 20% eram cobrados das vítimas, criando dívidas praticamente impagáveis. Quando os pagamentos atrasavam, ameaças e intimidações passavam a fazer parte da rotina das cobranças.
Ainda de acordo com a investigação, vítimas relataram episódios de perseguição, extorsão, roubos e violência física.
A Polícia Civil informou que mais de 340 pessoas já foram identificadas como possíveis vítimas do grupo criminoso.
“Agiotagem colombiana” já vinha sendo monitorada em Minas
O modelo utilizado pela quadrilha não é novo em Minas Gerais. Nos últimos anos, diversas operações policiais foram realizadas contra grupos estrangeiros envolvidos na chamada “agiotagem colombiana” ou “gota a gota”.
Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, colombianos já haviam sido presos pela Polícia Civil após denúncias de cobranças violentas contra comerciantes locais.
Em outra operação realizada em 2023, investigadores identificaram vítimas que afirmaram ter sido coagidas após contraírem empréstimos com juros considerados extorsivos.
Já em Montes Claros, no Norte de Minas, outra ação policial desarticulou um grupo suspeito de usar ameaças e violência para cobrar pagamentos atrasados. Durante aquela operação, dinheiro em espécie, moedas estrangeiras, cartões de cobrança e anotações com rotas das vítimas foram apreendidos.
Como funciona o esquema “gota a gota”
O esquema criminoso geralmente funciona com empréstimos de fácil acesso, oferecidos sem análise de crédito e sem exigência de garantias formais.
Inicialmente, os pagamentos parecem pequenos e acessíveis. Porém, juros diários elevados fazem com que a dívida aumente rapidamente.
As cobranças costumam ser realizadas presencialmente, muitas vezes com motocicletas utilizadas pelos criminosos para visitas constantes aos devedores.
Especialistas em segurança apontam que o modelo “gota a gota” se expandiu em diferentes estados brasileiros justamente por atingir pessoas em situação financeira vulnerável.
Investigação pode revelar novos envolvidos
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e não descarta novas prisões nos próximos dias.
Os suspeitos presos poderão responder por crimes como agiotagem, organização criminosa, extorsão, roubo, lavagem de dinheiro e tortura.
A expectativa dos investigadores é identificar outras vítimas e aprofundar o rastreamento financeiro do grupo.






