A Justiça condenou Rogério Francisco da Silva, de 51 anos, a 20 anos de prisão em regime inicialmente fechado pelo assassinato da própria irmã, Marília Graziele, de 40 anos, em Divinópolis. O crime aconteceu em outubro de 2025, no bairro Nilda Barros, e provocou forte comoção entre moradores pela violência do ataque e pela presença da mãe dos dois durante parte das agressões.
O Tribunal do Júri realizou o julgamento nesta segunda-feira (25), em Divinópolis. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 4ª Promotoria de Justiça, conduziu a acusação durante a sessão presidida pelo promotor Marco Antônio Costa.
Durante o julgamento, Rogério confessou o assassinato. Em seguida, o Conselho de Sentença reconheceu a autoria do crime e determinou a condenação por feminicídio.
Relembre o caso que abalou Divinópolis
O assassinato aconteceu na noite de terça-feira (21 de outubro de 2025), por volta das 19h, em uma residência localizada no bairro Nilda Barros.
Segundo as investigações da Polícia Civil, Marília foi até a casa onde Rogério morava com a mãe e outro irmão. Conforme os levantamentos feitos pela investigação, os irmãos mantinham um histórico frequente de discussões e conflitos familiares.
Naquela noite, uma nova discussão começou dentro da residência. Durante a confusão, Marília teria xingado o irmão e quebrado um copo dentro do imóvel.
Logo depois, a mãe dos dois tentou controlar a situação e pediu para que a filha deixasse a casa. Apesar disso, Marília permaneceu na calçada em frente ao imóvel.
Nesse momento, conforme apontaram as investigações, Rogério entrou na cozinha, pegou uma faca e saiu atrás da irmã.
Ataque aconteceu na frente da mãe
Do lado de fora da residência, Rogério atacou Marília com diversos golpes de faca nas regiões do pescoço e do tórax.
A mãe dos dois presenciou o início das agressões e passou mal ao ver a violência da cena. Pouco depois, ela desmaiou.
Enquanto isso, moradores do bairro ouviram os gritos e acionaram equipes da Polícia Militar e do socorro.
Quando os atendimentos chegaram ao local, Marília já apresentava ferimentos gravíssimos provocados pelas facadas e intensa perda de sangue.
Mesmo diante dos esforços de socorro, a vítima não resistiu aos ferimentos e morreu ainda naquela noite.
Polícia encontrou suspeito horas depois do crime
Após o assassinato, Rogério fugiu antes da chegada das equipes policiais. No entanto, a Polícia Militar iniciou rastreamentos logo após o registro da ocorrência.
Poucas horas depois, militares localizaram o suspeito em uma mercearia da cidade.
Em seguida, os policiais realizaram a prisão em flagrante. Desde então, Rogério permaneceu no sistema prisional aguardando julgamento.
Ao longo dos últimos meses, o caso continuou repercutindo em Divinópolis, principalmente pela brutalidade do crime e pelo sofrimento vivido pela família.
Julgamento terminou com condenação por feminicídio
Durante a sessão do Tribunal do Júri, Rogério confessou o assassinato da irmã.
Após a análise das provas e dos depoimentos apresentados durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu a materialidade e a autoria do crime.
Com isso, a Justiça determinou a condenação de Rogério Francisco da Silva a 20 anos de prisão em regime inicialmente fechado.
Ele seguirá preso para cumprimento da pena.
Violência contra mulheres segue em alta em Minas Gerais
O caso voltou a acender o alerta sobre os índices de violência contra mulheres em Minas Gerais.
Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram crescimento dos registros de feminicídio e violência doméstica em diversas regiões do país.
Além disso, especialistas apontam que conflitos familiares, agressões recorrentes, ameaças e episódios de violência dentro de casa aparecem entre os principais fatores ligados aos casos de feminicídio.
Na maioria das ocorrências, os crimes acontecem dentro do ambiente familiar e envolvem pessoas próximas das vítimas.
Condenação reforça importância do Tribunal do Júri
A condenação também reforçou a atuação do Tribunal do Júri em casos de crimes dolosos contra a vida.
Nos últimos anos, a Justiça passou a adotar maior rigor em casos relacionados à violência contra mulheres, especialmente após mudanças na legislação brasileira voltadas ao combate do feminicídio.
Para o Ministério Público, a condenação representa uma resposta diante da gravidade do crime e da violência praticada contra a vítima.






