Vereadores e sindicato cobram cautela antes de votação da reforma do Diviprev

Publicado por: Cassia Misael

Os Vereadores, Aurélio, Ney Burguer, Rodyson do Zé Milton, Vitor Costa, Kell Silva e o presidente do SINTRAM avaliaram a mobilização dos servidores e a tramitação da proposta das mudanças de contribuição do Diviprev

A discussão sobre o futuro do Diviprev deixou de ser um debate restrito aos gabinetes da Prefeitura e passou a ocupar o centro da vida política de Divinópolis. Após a aprovação do estado de greve pelos servidores municipais e a presença maciça da categoria na Câmara, vereadores e representantes sindicais passaram a se posicionar sobre a reforma previdenciária que ainda nem chegou formalmente ao Legislativo, mas já provocou forte tensão institucional.

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A previdência dos servidores municipais envolve mais do que números, alíquotas e cálculos atuariais. Trata-se de aposentadoria, segurança familiar, planejamento de vida, equilíbrio financeiro do município e confiança entre funcionalismo, Executivo e Legislativo. Por isso, qualquer mudança nas regras do Diviprev exige transparência, cautela, estudo técnico e participação efetiva da categoria.

O Divinews ouviu os vereadores Kell Silva, Ney Burguer, Rodyson do Zé Milton e Vitor Costa, além de Marco Aurélio, presidente do Sintram. As manifestações revelam um ponto comum: mesmo entre posições políticas diferentes, existe cobrança para que o projeto não avance sem análise aprofundada.

Kell Silva cobra transparência e diz que servidor não pode ser tratado como número

A vereadora Kell Silva afirmou que o primeiro ponto necessário no debate sobre o Diviprev é a transparência. Segundo ela, a ausência do projeto no plenário, somada às falas públicas da Prefeitura, cria a sensação de que existe uma tentativa de assustar a população e jogar a opinião pública contra o servidor municipal.

Kell disse que só pretende se posicionar de forma definitiva após ter acesso à documentação completa. No entanto, afirmou que, pelo que tem sido dito pela prefeita em lives e reuniões, sua posição preliminar é contrária à proposta.

A vereadora também ressaltou sua condição de servidora pública estadual e disse compreender as dores enfrentadas pelo funcionalismo. Para ela, o servidor precisa ser valorizado como pessoa, e não tratado apenas como número em planilha.

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A fala de Kell toca em uma crítica recorrente no movimento dos servidores: a sensação de que a reforma vem sendo comunicada antes de ser devidamente apresentada, discutida e documentada para quem será diretamente afetado.

Marco Aurélio diz que reforma, nos moldes apresentados, penaliza servidores

Marco Aurélio, presidente do Sintram, afirmou que os servidores se manifestaram na Câmara contra uma reforma da Previdência que está na iminência de chegar ao Legislativo.

Segundo ele, a prefeita Janete Aparecida já havia sinalizado, em reunião com os sindicatos, que a proposta seguiria moldes da Emenda Constitucional 103, reforma previdenciária aprovada em 2019 no governo federal.

Marco Aurélio afirmou que o sindicato é contra a reforma da forma como ela vem sendo apresentada. Para o presidente do Sintram, trata-se de uma proposta pesada, que penaliza os servidores e impõe regras mais duras.

Na avaliação dele, os trabalhadores poderiam passar a pagar uma alíquota maior e receber condições menos favoráveis do que teriam no regime geral do INSS. Por isso, considera que a categoria teria um prejuízo expressivo.

O sindicalista defendeu que, quando o projeto chegar à Câmara, o debate seja aberto e discutido com a categoria para construção do melhor caminho.

Ney Burguer afirma que projeto será estudado, não apenas lido

O vereador Ney Burguer, líder do governo na Câmara, adotou tom mais cauteloso ao falar ao Divinews.

Segundo ele, quando o projeto aportar na Casa, os vereadores não irão apenas ler o texto. Vão estudar a proposta e buscar fazer o que for melhor para os servidores e para a cidade de Divinópolis.

A fala do líder do governo indica preocupação em transmitir segurança institucional diante da pressão da categoria. Ao afirmar que o projeto será estudado, Ney tenta afastar a ideia de votação acelerada ou automática.

Esse posicionamento também mostra que, mesmo na base governista, existe necessidade de demonstrar cuidado com a tramitação. O Diviprev se tornou um tema sensível demais para qualquer vereador tratar como simples pauta administrativa.

Rodyson pede coerência, responsabilidade e rejeita uso político do tema

O vereador Rodyson do Zé Milton afirmou que o projeto ainda não chegou à Câmara e, por isso, não há como apresentar diagnóstico definitivo ou posição de voto antes da análise do texto.

Rodyson reconheceu que o Diviprev passa por uma situação difícil e que os servidores estão preocupados, com razão, diante das falas e informações que circulam sobre a proposta.

Segundo ele, o projeto precisa ser analisado com profundidade, critérios técnicos, jurídicos e administrativos. O vereador também defendeu conversa com o Executivo para tentar melhorar o texto ao máximo, tanto para o servidor quanto para a cidade.

Rodyson ressaltou que o debate exige coerência e responsabilidade. Também criticou o uso da pauta como palco político para manobras de aparição em ano eleitoral.

A fala demonstra uma tentativa de equilibrar dois campos: reconhecer a gravidade da situação previdenciária e, ao mesmo tempo, afirmar respeito aos servidores e à população.

Vitor Costa diz que servidores lotaram a Câmara e cobra defesa do serviço público

O vereador Vitor Costa destacou que os servidores lotaram a Câmara durante a sessão e permaneceram no local acompanhando o debate sobre o Diviprev.

Segundo ele, o projeto de reforma ainda não havia sido aportado no sistema da Câmara, mas a presença da categoria mostrou a força da mobilização.

Vitor afirmou que alguns vereadores se manifestaram em defesa dos servidores, enquanto outros preferiram não tratar diretamente do tema. Ele disse ter feito um discurso incisivo em defesa do funcionalismo e do serviço público.

Dentro do recorte do Diviprev, a fala de Vitor reforça que a pressão dos servidores passou a funcionar como termômetro político para o Legislativo. A presença da categoria no plenário tornou mais difícil que os vereadores ignorem a pauta.

Para Vitor, a defesa dos servidores deve permanecer no centro da discussão, especialmente porque a reforma previdenciária afetará diretamente a vida de quem sustenta os serviços públicos municipais.

Projeto ainda não chegou, mas crise já chegou primeiro

Um ponto aparece em quase todas as falas: o projeto ainda não chegou formalmente à Câmara, mas a crise já chegou antes.

Essa antecipação da mobilização mostra o grau de desconfiança dos servidores. A categoria decidiu pressionar antes da tramitação oficial justamente para evitar que o texto chegue, passe pelas etapas internas e seja votado sem tempo adequado de análise.

O movimento também coloca a Câmara em posição decisiva. Os vereadores precisarão atuar como filtro institucional entre a proposta da Prefeitura e os impactos sobre o funcionalismo.

A promessa de estudo, análise e diálogo será testada quando o projeto efetivamente chegar ao Legislativo.

Diviprev exige técnica, política e confiança

A reforma do Diviprev não pode ser reduzida a disputa de slogans.

A Prefeitura sustenta que o instituto precisa de mudanças para evitar colapso. Os servidores temem perda de direitos, aumento de contribuição e endurecimento das regras de aposentadoria. Os sindicatos cobram participação real. Os vereadores tentam medir o peso político, jurídico e social da decisão.

Nesse cenário, o maior risco é transformar uma discussão técnica em guerra de versões. Sem transparência, a reforma vira medo. Sem diálogo, vira imposição. Sem responsabilidade fiscal, o problema previdenciário permanece. Sem respeito aos servidores, a crise se aprofunda.

As entrevistas feitas pelo Divinews mostram que o Legislativo já entendeu a dimensão do problema. Agora, a Câmara terá que provar, na prática, se vai apenas receber o projeto ou se vai conduzir um debate público à altura da gravidade do tema.

Câmara será cobrada por cada passo

O Diviprev virou o principal teste político da relação entre servidores, Prefeitura e vereadores em Divinópolis.

A presença da categoria na Câmara, o estado de greve aprovado e as falas dos parlamentares indicam que a tramitação da reforma será acompanhada de perto.

Kell cobra transparência. Marco Aurélio denuncia prejuízo ao servidor. Ney promete estudo. Rodyson pede responsabilidade. Vitor cobra defesa do serviço público.

As falas têm tons diferentes, mas convergem em um ponto: a reforma do Diviprev não poderá passar sem debate.

A partir de agora, a pergunta que fica é se a Prefeitura conseguirá convencer, se os sindicatos conseguirão influenciar o texto e se a Câmara cumprirá o papel de casa política, técnica e fiscalizadora.

O futuro previdenciário dos servidores municipais deixou de ser apenas uma planilha. Virou a pauta mais sensível da política divinopolitana.

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