Exclusiva: interlocutores de Cleitinho dizem ao Divinews que “não tem nada definido” com o PL em Minas

Apuração do Divinews indica que senador reafirmou pré-candidatura ao governo e não pretende aceitar todas as condições discutidas pela cúpula bolsonarista

Publicado por: Geraldo Passos

A costura do palanque de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais entrou em uma fase de versões públicas, recados reservados e movimentos de bastidor. Embora veículos mineiros e nacionais tenham divulgado que o PL decidiu caminhar com o Republicanos e se aproximar de Cleitinho Azevedo, informações fidedignas obtidas pelo Divinews junto ao entorno do senador indicam que o quadro ainda não está fechado. A frase repetida por interlocutores próximos ao parlamentar resume o momento: “não tem nada definido, por parte do senador”

Minas voltou ao centro do tabuleiro nacional porque nenhum projeto presidencial competitivo ignora o segundo maior colégio eleitoral do país. O estado pesa no resultado final, influencia a direita, conversa com o interior, com a região metropolitana, com o eleitor conservador e também com setores populares que nem sempre seguem a lógica das cúpulas partidárias.

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Por isso, a definição do palanque de Flávio Bolsonaro em Minas deixou de ser uma questão apenas estadual. Trata-se de uma engrenagem nacional. O PL precisa de um nome forte no estado. O Republicanos tem em Cleitinho uma figura com voto, recall e comunicação direta com o eleitor. E, no meio dessa equação, aparecem interesses de dirigentes, pré-candidatos, empresários, deputados e lideranças que tentam se acomodar na composição.

Na superfície, a leitura parece simples: o PL escanteou Mateus Simões, esfriou a aproximação com o grupo de Romeu Zema e decidiu construir uma aliança com o Republicanos em Minas. Mas, segundo fontes de informação do Divinews com trânsito direto ao  entorno de Cleitinho, a negociação real tem mais camadas do que as versões publicadas sugerem.

PL muda rota e mira aliança com Republicanos

A reportagem do Estado de Minas informou que o PL deixou em segundo plano, ao menos por ora, a possibilidade de composição com Mateus Simões e passou a concentrar esforços em uma aliança com o Republicanos para as eleições em Minas. A decisão teria sido consolidada em reunião da cúpula da legenda em Brasília, com presença de Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto.

Foi registrado ainda que  Zé Vitor, novo presidente estadual do PL mineiro, confirmou que a conjuntura nacional dificultou o avanço com Mateus Simões, principalmente por causa do projeto presidencial de Romeu Zema. Segundo ele, neste momento, o PL decidiu construir um projeto com o Republicanos em Minas.

A matéria apontou que integrantes do PL se reuniram com Cleitinho antes do encontro da cúpula, em meio à tentativa de consolidar um palanque unificado da direita para Flávio Bolsonaro em Minas. Além disso, informou que ainda não há definição sobre o nome que representará o grupo na disputa estadual.

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Esse último ponto confirma a informação central apurada pelo Divinews: houve aproximação, houve conversa, houve movimento político, mas a chapa ainda não está resolvida.

Divinews apurou com o entorno: “não tem nada definido”

Ao final da noite desta terça-feira (12), o Divinews conversou com interlocutores próximos ao senador Cleitinho Azevedo. As informações foram repassadas sob reserva, dentro do ambiente de confidencialidade que envolve negociações dessa natureza.

Segundo esses interlocutores, a reunião com o senador ocorreu, mas não representou uma aceitação automática das condições colocadas à mesa. Cleitinho teria reafirmado ao grupo que o procurou que mantém sua pré-candidatura ao governo de Minas até o final.

Ainda de acordo com a fonte de informação ouvida pelo Divinews, o senador não pretende ser conduzido por uma engenharia política construída apenas pelas cúpulas partidárias. A avaliação interna é que Cleitinho conhece o peso que tem nas urnas e sabe o quanto sua presença importa para Flávio Bolsonaro em Minas.

Um dos interlocutores resumiu o clima com uma frase dura: “Eles estão pensando que Cleitinho é bobo, que não sabe fazer leitura e que não conhece o cenário. Deixa eles pensarem.”

A frase revela que o entorno do senador enxerga a movimentação com cautela. Não há recusa ao diálogo com o PL. Pelo contrário, a conversa existe e deve continuar. Mas também não há disposição para aceitar qualquer composição como se Cleitinho fosse peça secundária no tabuleiro.

Cleitinho sabe o tamanho que tem no jogo

A principal diferença entre Cleitinho e outros nomes citados na disputa está nas pesquisas e na presença popular. Interlocutores do senador lembram que o parlamentar já aparece com intenções de voto expressivas em levantamentos recentes, enquanto outros nomes colocados na mesa ainda não conseguiram demonstrar a mesma força eleitoral.

Essa leitura pesa muito. Na avaliação de fontes ouvidas pelo Divinews, Cleitinho não entra na negociação como favor político ao PL. Entra como ativo eleitoral. O senador tem votos, tem rede social, tem interior, tem linguagem popular e pode ajudar Flávio Bolsonaro a ampliar presença em Minas.

Por isso, no entendimento do entorno, “a bola está com ele”. Cleitinho pode até aceitar algumas sugestões apresentadas durante as conversas, mas não aceitará todas. A decisão sobre o desenho final da chapa dependerá do reconhecimento de seu peso político.

A apuração do Divinews aponta que o senador quer manter controle sobre o próprio destino. Ele pode negociar, pode compor e pode apoiar o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. Mas não pretende entregar sua pré-candidatura ou seu capital eleitoral sem contrapartida política clara.

Dois caminhos estão na mesa, mas nenhum fechado

O texto publicado por O Tempo, informa que o PL decidiu caminhar com Cleitinho e que duas possibilidades estão em análise.

A primeira seria Cleitinho sair como cabeça de chapa, com o PL indicando o vice. A segunda seria o PL lançar o cabeça de chapa e Cleitinho indicar o vice, hipótese que permitiria ao senador permanecer no mandato, já que ainda tem mais 4 anos no Senado.

Essa descrição confirma o impasse. Se existem duas possibilidades, não há definição fechada. Se o PL ainda negocia quem será cabeça de chapa, também não há martelo batido sobre a composição.

Informação nacional publicada sobre o mesmo tema também apontou que Flávio Bolsonaro e Cleitinho fecharam uma aliança em Minas, mas ainda sem candidato definido. A própria formulação mostra que o acordo político pode estar em construção, mas o comando da chapa continua aberto.

Há resistências internas a nomes cogitados para vice

Nos bastidores, interlocutores de Cleitinho também indicam que o senador não aceita qualquer nome imposto para a vice. Sem expor conversas reservadas em detalhes e sem atribuir declarações diretas ao parlamentar, o Divinews apurou que existe forte resistência, no entorno do senador, a uma das alternativas empresariais ventiladas pelo PL. A leitura de pessoas próximas é que esse nome não teria aderência natural ao projeto de Cleitinho e poderia gerar ruído na base popular que acompanha o senador.

Outro nome empresarial citado nas articulações encontra menor resistência. Mesmo assim, nada está fechado. A preferência que circula no núcleo próximo ao senador aponta para um perfil com experiência administrativa municipal, ligação com o interior e capacidade de agregar sem tentar tomar o protagonismo da chapa. Essa avaliação reforça que Cleitinho quer uma composição que some, não uma aliança que dilua sua força.

Senado também entra na conta

A negociação envolve também a disputa pelo Senado. Segundo informações obtidas pelo Divinews com interlocutores próximos ao senador, Cleitinho tende a apoiar um nome do PL ao Senado, especialmente por razões regionais e de pertencimento político ao mesmo território.

Essa sinalização, porém, também tem leitura própria. Mesmo diante de histórico de distanciamento e ausência de apoio mais explícito em momentos anteriores, a construção estadual pode levar Cleitinho a adotar uma posição pragmática.

Em política, alianças raramente nascem apenas da afinidade. Elas também surgem da necessidade, da aritmética eleitoral e da capacidade de organizar o campo que pretende disputar o poder. Nesse caso, o apoio ao Senado pode virar peça de equilíbrio para uma aliança maior entre PL, Republicanos, Cleitinho e o palanque de Flávio Bolsonaro.

Erro é tratar Cleitinho como coadjuvante

A leitura editorial que se impõe neste momento é clara: qualquer tentativa de tratar Cleitinho como coadjuvante pode azedar a construção. O senador tem o que muitos articuladores ainda buscam: voto. Em uma eleição majoritária, esse dado vale mais do que discurso de cúpula, fotografia de reunião, ou título de ex-presidente de qualquer entidade, e ainda nota de bastidor.

Por isso, o PL precisa medir bem o tamanho da pressão. Se tentar enquadrar Cleitinho em uma fórmula pronta, pode transformar uma aproximação promissora em atrito desnecessário. Se reconhecer o peso do senador, pode construir em Minas um palanque competitivo para Flávio Bolsonaro.

Do lado de Cleitinho, o desafio também existe. O senador precisa equilibrar ambição estadual, lealdade ao campo bolsonarista, preservação de mandato, escolha de vice e alianças ao Senado. Qualquer movimento errado pode gerar desgaste.

Mas, segundo informações fidedignas obtidas pelo Divinews com seu entorno, Cleitinho não está alheio a esse cenário. Ao contrário, sabe exatamente o que representa.

Versões públicas tentam acelerar o relógio da política

As versões publicadas após a reunião em Brasília aceleraram a leitura de que o PL já teria decidido seu caminho em Minas. De fato, há uma decisão relevante: o partido deixou Mateus Simões em segundo plano e passou a priorizar a aliança com o Republicanos.

Mas a decisão sobre o nome da chapa ainda não saiu. O próprio Estado de Minas registrou que não há definição sobre quem será o nome do grupo para a disputa estadual e que o anúncio deve ocorrer nos próximos dias.

Portanto, a informação obtida pelo Divinews não nega a aproximação. Ela qualifica o bastidor. A aliança está em construção, mas não está fechada no formato que alguns tentam sugerir.

Cleitinho segue no jogo, mantém a pré-candidatura e pretende participar da construção como protagonista. Segundo seus interlocutores, ele não receberá ordens de cima para baixo, nem aceitará todas as peças colocadas sobre a mesa.

Dono da bola do jogo em Minas

O PL precisa de Minas. Flávio Bolsonaro precisa de um palanque forte em Minas. O Republicanos tem em Cleitinho um nome com apelo popular. E Cleitinho sabe disso. Essa é a equação real.

Os demais nomes que circulam no tabuleiro podem ter experiência, estrutura, prestígio empresarial ou trânsito partidário. Mas, até agora, nenhum demonstrou a mesma capacidade de votos que o senador já exibiu nas pesquisas e nas ruas. Por isso, a reunião desta última terça-feira (12) não encerrou o assunto. Apenas abriu uma nova fase.

A partir de agora, a pergunta não é apenas se PL e Republicanos caminharão juntos. A pergunta é em quais condições, com quem na cabeça de chapa, com qual vice, com qual acordo ao Senado e com quanto respeito ao capital eleitoral de Cleitinho. Até que isso fique claro, a informação mais segura, segundo interlocutores do senador ouvidos pelo Divinews, continua sendo uma só:

“Não tem nada definido.”

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