A Polícia Civil de Minas Gerais abriu um Processo Administrativo Disciplinar que pode resultar na demissão da delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira. A medida representa um novo desdobramento do caso que resultou na morte do gari Laudemir Fernandes e que provocou forte comoção social em todo o estado.
A instauração do processo foi oficializada na quinta-feira (23), com publicação no Diário Oficial. O procedimento tem como objetivo apurar possíveis infrações disciplinares atribuídas à delegada, com base na legislação estadual que rege a atuação da corporação.
Processo administrativo ocorre em paralelo à investigação criminal
Enquanto o procedimento administrativo avança, o caso também segue na esfera criminal. O marido da delegada, Renê da Silva Nogueira Júnior, confessou ter efetuado o disparo que matou o trabalhador durante uma discussão de trânsito em Belo Horizonte, em agosto de 2025.
Segundo as investigações, o crime ocorreu enquanto a vítima realizava a coleta de lixo no bairro Vista Alegre, na região Oeste da capital. Durante o desentendimento na via, o gari foi atingido por um disparo de arma de fogo, não resistiu e morreu, gerando indignação pela violência contra um trabalhador em pleno exercício da função.
Foco da apuração envolve conduta funcional e uso da arma
No âmbito administrativo, a investigação concentra-se na conduta funcional da delegada, especialmente em relação à arma utilizada no crime, que estava registrada em seu nome. A Corregedoria busca esclarecer se houve irregularidades no exercício da função ou falhas no controle e na responsabilidade sobre o armamento.
Além disso, no campo judicial, a delegada responde por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e por prevaricação, infração que envolve omissão ou atuação indevida no exercício da função pública para atender interesses pessoais.
Comissão foi criada e prazo já foi definido
O processo administrativo também determinou a criação de uma comissão especial da Corregedoria para conduzir os trabalhos. O grupo terá prazo inicial de 60 dias para conclusão, podendo haver prorrogação pelo mesmo período, conforme a complexidade da apuração.
A defesa do autor do disparo sustenta que a arma foi utilizada sem autorização da delegada. Paralelamente, as investigações buscam esclarecer se houve omissão, negligência ou qualquer conduta incompatível com a função pública.
Caso ganha dimensão institucional e amplia repercussão
Desde o crime, o caso ganhou repercussão nacional e passou a levantar questionamentos sobre responsabilidade, acesso a armamento e conduta de agentes públicos.
A abertura do processo disciplinar amplia o alcance da apuração, que deixa de se restringir à esfera criminal e passa a analisar também a permanência da delegada nos quadros da instituição.
O desfecho ainda depende da conclusão das investigações administrativas. No entanto, o episódio já se consolida como um dos mais emblemáticos recentes em Minas Gerais, ao reunir elementos de violência, impacto social e questionamentos institucionais.






