Após 420 dias afastada, delegada esposa de réu pela morte de gari volta ao trabalho

Após 420 dias afastada, Ana Paula Lamego Balbino voltou ao trabalho na Polícia Civil, com restrições funcionais por 90 dias. Esposa de Renê Júnior, réu pelo assassinato do gari Laudemir, ela é investigada por supostamente ter cedido ao marido a arma usada no crime e responde a processo administrativo disciplinar.

Publicado por: Cassia Misael

Após 420 dias afastada das atividades, a delegada da Polícia Civil de Minas Gerais Ana Paula Lamego Balbino retomou o trabalho na corporação, em meio aos desdobramentos do caso envolvendo seu marido, Renê Júnior, réu pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes. O retorno ocorreu em 7 de outubro, enquanto o ato que formaliza seu ajustamento funcional foi publicado nesta quinta-feira (15), no Diário Oficial, com validade de 90 dias e previsão de restrições no exercício das funções por questões de saúde.

A delegada estava afastada desde 13 de agosto de 2025, dois dias depois do homicídio que vitimou Laudemir. Desde então, as licenças foram prorrogadas cinco vezes, prolongando o período em que ela permaneceu fora das atividades profissionais. Agora, com a retomada do trabalho, Ana Paula deverá desempenhar atribuições compatíveis com as limitações estabelecidas no ajustamento funcional, cuja validade inicial é de três meses.

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Delegada deixou unidade de atendimento às mulheres

Antes do afastamento, Ana Paula Lamego Balbino ocupava a titularidade da Casa da Mulher Mineira, unidade voltada ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica em Belo Horizonte. A estrutura integra a rede de serviços destinada ao acolhimento e à orientação de mulheres que procuram ajuda diante de situações de violência, o que torna a mudança de lotação da delegada um dos aspectos relevantes de sua trajetória funcional durante o período de afastamento.

Em agosto deste ano, a delegada foi transferida para a Diretoria de Administração e Pagamento de Pessoal, vinculada à Superintendência de Planejamento, Gestão e Finanças da Polícia Civil de Minas Gerais. Com a mudança, ela deixou a unidade de atendimento especializado às mulheres e passou a integrar um setor administrativo da própria corporação.

A transferência, conforme esclarecimento da Polícia Civil, foi determinada pela administração e não ocorreu por solicitação da servidora. A justificativa apresentada foi o afastamento superior a 180 dias, período que levou a instituição a adotar uma mudança de lotação com base nas regras aplicáveis aos servidores públicos em situações de licença prolongada.

A legislação permite a transferência de servidores quando há afastamentos extensos e interesse do serviço público, observadas as normas pertinentes. Nesse contexto, a alteração da lotação funcional não deve ser confundida com uma punição disciplinar, uma vez que, segundo as informações divulgadas, a medida foi justificada administrativamente pelo tempo de afastamento.

Delegada é investigada por arma usada no homicídio

Além das questões funcionais, Ana Paula também aparece no contexto das investigações sobre a morte do gari Laudemir de Souza Fernandes. Ela é investigada por ter cedido ao marido a arma de fogo utilizada no homicídio e foi indiciada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e prevaricação.

O caso também motivou a abertura de um processo administrativo disciplinar pela Corregedoria da Polícia Civil, responsável por apurar possíveis irregularidades na conduta de integrantes da instituição. Esse procedimento tramita na esfera administrativa e tem finalidade distinta da investigação criminal, embora ambos possam examinar aspectos relacionados aos fatos que envolvem a delegada.

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O indiciamento representa uma conclusão da autoridade policial sobre a existência de indícios de autoria e materialidade em relação aos crimes investigados, mas não equivale a uma condenação judicial. Da mesma forma, a instauração de um processo disciplinar não significa que a responsabilidade funcional já tenha sido definitivamente estabelecida. A apuração deverá seguir os procedimentos legais, com respeito ao direito de defesa.

Renê Júnior, marido da delegada, responde como réu pelo assassinato de Laudemir. A condição de réu indica que a acusação foi recebida pela Justiça, mas a responsabilidade criminal deve ser definida no processo judicial, conforme as provas produzidas e as garantias legais aplicáveis.

Retorno ocorre sob restrições por 90 dias

A retomada das atividades da delegada ocorre com limitações funcionais formalizadas no ajustamento publicado nesta quinta-feira (15). O documento tem validade de 90 dias e estabelece condições para o exercício das atribuições profissionais, em razão de questões de saúde.

A medida permite que o retorno ao trabalho ocorra de acordo com as restrições indicadas, sem que isso represente, necessariamente, a retomada integral das funções anteriormente exercidas. Ao fim do período previsto, a situação funcional poderá depender de nova avaliação e das determinações administrativas aplicáveis, conforme os procedimentos adotados pela corporação.

O retorno encerra, ao menos neste momento, o período de afastamento iniciado em agosto de 2025, mas não encerra as apurações relacionadas à delegada. Os procedimentos criminal e administrativo seguem esferas próprias, enquanto a situação funcional passa a ser orientada pelo ajustamento válido por três meses.

O caso reúne, assim, três frentes distintas: a retomada das atividades profissionais após mais de um ano afastada, a transferência da delegada para um setor administrativo e as investigações relacionadas à arma utilizada no homicídio do gari Laudemir. Cada uma dessas frentes possui procedimentos e consequências próprios, que deverão ser acompanhados conforme houver novas informações oficiais.

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