Não é sobre greve, é sobre o poder da mulher: com pulso, diálogo e emoção, Janete atua para encerrar greve; prefeita mostra sabedoria na crise do transporte em Divinópolis

Prefeita costurou a negociação, fechou reajuste da tarifa sem forte resistência popular e desmontou uma crise que já avançava para a próxima semana

Publicado por: Geraldo Passos

Janete Aparecida conseguiu, em um dos primeiros testes mais duros de sua gestão, recém assumida, encerrar a greve dos motoristas do transporte coletivo que já estava projetada para atravessar o fim de semana e seguir, ao menos, até a próxima quarta-feira (22), quando a Justiça ainda analisaria o mérito do conflito em audiência. A prefeita entrou de frente na crise, intermediou a negociação, segurou o desgaste político e desarmou uma bomba que já havia sido deixada pronta no caminho da nova administração, com o populismo do seu antecessor que segurou o reajuste da tarifa por quase seis anos.

O tamanho do problema era real. Em assembleia realizada na sexta-feira, a categoria já havia decidido manter a paralisação até o dia 22, mesmo depois da liminar que determinou a circulação mínima de 60% dos ônibus. O impasse seguia aberto, o consórcio não evoluía na proposta e a cidade caminhava para mais dias de incerteza, desgaste e pressão. Foi justamente nesse cenário que Janete conseguiu virar a chave e fechar um acordo antes que a crise ganhasse dimensão ainda maior.

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Na prática, a prefeita desmontou uma mina explosiva eleitoral. A greve já estava armada, a tensão entre trabalhadores, empresa e população era alta, e o risco de a nova gestão começar marcada por um colapso no transporte era concreto. Ainda assim, Janete insistiu no diálogo, esteve presente na linha de frente da negociação e conseguiu levar os motoristas à aprovação da proposta.

Depois do acordo, a própria prefeita resumiu o sentimento como uma mistura de gratidão e alívio. Segundo ela, houve sensibilidade dos motoristas, participação importante de vereadores nas conversas e compreensão da população em torno do reajuste necessário para reequilibrar o sistema. Também afirmou que conseguiu reduzir em R$ 1,08 o valor do reajuste inicialmente projetado, o que ajudou a tornar a medida mais aceitável socialmente.

Janete confirmou que a nova tarifa ficou estabelecida em R$ 6,00 para pagamento em dinheiro e R$ 5,50 para quem utiliza cartão. Ao mesmo tempo, deixou claro que o fim do congelamento era inevitável. Segundo sua explicação, não foi possível manter o valor represado como vinha acontecendo até então, mas a meta agora é cobrar mais qualidade do consórcio até o novo processo licitatório.

O dado político mais importante desse episódio é que Janete conseguiu reajustar o valor da passagem sem enfrentar uma reação popular de grande proporção. A leitura que emerge das ruas é simples, a população começa a entender que não existe serviço de qualidade sustentado apenas por atos de apelo popular e medidas artificiais de congelamento. Em algum momento, a conta chega. E, quando chega, ela vem em forma de greve, frota desgastada, pressão por reajuste e ameaça de colapso.

A própria fala da prefeita reforçou esse raciocínio. Ela afirmou que não foi possível manter a tarifa congelada, apesar do esforço anterior, e que sua obrigação agora é fazer o que considera mais justo para a cidade. Ao retirar o subsídio e reajustar a passagem, Janete tenta mudar o eixo do debate, saindo da lógica do remendo político para a lógica da cobrança contratual e da reorganização do sistema.

No meio da negociação, a prefeita também assumiu um discurso mais humanizado com os motoristas. Em fala diante da categoria, reconheceu a dureza da rotina, o frio da madrugada, a ausência de estrutura nos pontos finais e a necessidade de mais respeito por parte da população e do próprio sistema. Disse ainda que a futura licitação precisará ouvir os trabalhadores e assegurar garantias mais sólidas à categoria.

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Do lado sindical, o ambiente antes do acordo ainda era de incerteza e temor. Em uma das falas registradas no processo de negociação, foi explicado aos motoristas que, se a proposta fosse rejeitada, a disputa seguiria para a Justiça, sem garantia de resultado melhor e com risco concreto de decisão inferior ao que estava sendo colocado na mesa. Esse argumento ajudou a empurrar a categoria para uma solução negociada.

Outro ponto relevante é que o sindicato reconheceu publicamente a importância da intervenção da prefeita. Em assembleia, foi dito que Janete apresentou desde o início uma proposta de defesa da categoria e que, mesmo tendo sido inicialmente rejeitada, ela voltou à mesa, melhorou pontos e deu sustentação política para que a negociação tivesse desfecho.

Com a aprovação do acordo, os motoristas decidiram retornar ao trabalho e o transporte voltou à normalidade. A prefeita afirmou que, já naquele mesmo momento, o sistema atingia novamente 100% da operação, com adesão espontânea de trabalhadores para recompor a escala. O gesto funcionou como sinal claro de pacificação depois de dias de forte tensão.

Janete também aproveitou o desfecho para anunciar o que pretende fazer daqui para frente. Disse que o decreto para reestruturação e fiscalização do sistema permanece, que haverá processo administrativo, modelagem para nova licitação e participação popular na construção do transporte de 2027 em diante. Segundo ela, a população será ouvida por canais digitais e audiências regionais, e os motoristas também terão espaço para apontar os principais problemas operacionais.

No saldo político, o episódio fortalece a imagem de uma prefeita que não fugiu do primeiro grande incêndio do mandato. Ao contrário, entrou na crise, assumiu o custo de uma decisão impopular no papel, mas necessária na prática, e conseguiu evitar que a cidade seguisse prisioneira de um conflito que já avançava para a próxima semana.

Mais do que encerrar uma greve, Janete conseguiu mostrar que há momentos em que governar exige desfazer ilusões antigas para impedir danos maiores no presente. O congelamento da tarifa, vendido por muito tempo como solução cômoda, acabou se revelando uma armadilha. E foi justamente essa armadilha que a atual prefeita conseguiu neutralizar antes que explodisse de vez em seu colo.

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  1. antonio rodrigues disse:

    Janete, com certeza será eleita prefeita, é o que temos de melhor, e terá meu voto

  2. antonio rodrigues disse:

    Geraldo não seja idiota, os motoristas que aceitam fazer duas funções para receber 1 salário de fome, jamais faria greve, então esta greve foi orquestrada pela diretoria da trancid, e a janete não intermediou porra nenhuma, já tava tudo armado, só bobo não vê

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