Janete Aparecida voltou a se ver diante de mais uma bomba administrativa deixada para explodir já no início de sua gestão.
Depois de deixar a condição de vice-prefeita e assumir a chefia do Executivo, a atual prefeita passou a enfrentar uma sequência de problemas que, na prática, funcionam como gatilhos armados para quem chegou agora ao comando da Prefeitura.
O caso mais recente envolve os motoristas dos caminhões responsáveis pelo transporte do lixo recolhido em Divinópolis, que ameaçam paralisação em meio a reivindicações trabalhistas.
Em comunicado oficial, Janete afirmou que realizou, por volta das 7h30, uma reunião online para discutir a situação dos motoristas. Segundo ela, participaram do encontro representantes da empresa IGESP, do sindicato patronal e do sindicato do transporte rodoviário, com intermediação da federação estadual.
O objetivo foi ouvir todas as partes e tentar construir uma saída antes que a cidade enfrente mais uma crise de impacto direto na rotina da população.
A gravidade do problema é evidente. Se houver paralisação dos motoristas que transportam o lixo, o reflexo pode ser imediato no recolhimento e no acúmulo de resíduos pela cidade.
E é justamente esse tipo de situação que reforça a leitura política de que Janete, ao assumir a gestão, herdou uma máquina cercada de passivos, conflitos represados e temas sensíveis prontos para estourar.
No vídeo, a prefeita adotou o discurso da transparência e disse que todos os assuntos que afetam a vida da população serão tratados de forma aberta. Ao mesmo tempo, sinalizou que tenta agir antes que o impasse se transforme em dano concreto à cidade. Para isso, marcou uma nova conversa
para esta quarta-feira, com a intenção declarada de impedir tanto o comando de greve quanto a paralisação dos motoristas.
A fala também carrega um recado político. Quando Janete diz que está “enfrentando a situação de frente”, ela tenta marcar diferença em relação a problemas que, segundo essa narrativa, já estavam postos e apenas aguardavam o momento de pressionar a nova administração.
A crise do lixo, portanto, não surge isolada. Ela se soma a outros focos de tensão já percebidos no início do governo, compondo um quadro de desafios que ultrapassa a rotina comum da gestão e aponta para heranças mal resolvidas.
O tom adotado pela prefeita é de contenção. Em vez de prometer solução mágica, ela afirmou que colocará o tema na mesa, ouvindo os envolvidos e atualizando a população diariamente. Esse tipo de postura indica que a Prefeitura tenta ganhar tempo, reduzir desgaste e evitar que um impasse trabalhista se converta em crise urbana e política ao mesmo tempo.
No pano de fundo, o episódio reforça uma percepção que começa a ganhar forma em Divinópolis: a de que Janete deixou de ser apenas a vice e passou a administrar uma estrutura cheia de armadilhas deixadas para o futuro. Agora, cada novo conflito que emerge, seja no transporte, no lixo ou em outros setores, amplia a pressão sobre uma gestão que ainda está tentando organizar a casa enquanto apaga incêndios herdados.
A paralisação dos motoristas do lixo ainda não foi confirmada, mas a simples possibilidade já colocou a Prefeitura em alerta. E isso explica a corrida da prefeita para intermediar o diálogo e segurar mais um problema antes que ele atinja diretamente a população.
Em Divinópolis, o início do novo governo segue marcado não por calmaria, mas por uma sucessão de crises que parecem ter ficado engatilhadas à espera de quem assumisse a cadeira principal.






