Uma denúncia grave envolvendo o Lar dos Idosos II, no bairro Niterói, em Divinópolis, ganhou dimensão pública nesta sexta-feira (17), depois que o vereador Vítor Costa informou ter feito uma fiscalização no local por volta das 4h da manhã, diante de relatos de ex-funcionários sobre possíveis maus-tratos, negligência e precariedade no atendimento aos internos, na instituição que é administrada pela Missão Maria de Nazaré.
A reportagem do Divinews já havia recebido, dias antes, relatos na mesma direção. No entanto, por questão de pauta e pela necessidade de apurar os fatos também junto à administração do local antes da publicação, o caso ainda não havia sido levado ao público. Agora, com a denúncia formal tornada pública pelo parlamentar e com o acionamento dos órgãos competentes, a situação entra de vez no centro do debate.
Segundo Vítor Costa, os relatos recebidos apontavam falta de higiene, escassez de materiais básicos e indícios de negligência no cuidado com os idosos. Entre os pontos mais pesados citados na denúncia, está o caso de um idoso que, conforme narrado no material divulgado pelo vereador, apresentava larvas no ouvido, situação que teria sido registrada em vídeo e encaminhada como prova ao Ministério Público.
O parlamentar afirma que decidiu ir pessoalmente ao local de madrugada para verificar a rotina da instituição. De acordo com seu relato, a fiscalização ocorreu em uma madrugada de temperatura em torno de 16 graus e revelou uma prática que, segundo as denúncias, estaria sendo adotada para aliviar a carga do turno diurno: acordar idosos ainda de madrugada, por volta das 3h para o banho.
Ainda de acordo com a denúncia pública, durante a fiscalização Vítor Costa teria presenciado idosos abalados, nervosos e gritando durante o procedimento. O vereador afirma também ter constatado ausência de técnico de enfermagem no turno e uma proporção de 49 idosos para apenas 5 cuidadores no momento da vistoria.
Diante do que classificou como grave, o vereador informou ter protocolado denúncia no Ministério Público, com pedido de investigação urgente e medidas de proteção aos idosos. Também foram acionadas a Vigilância Sanitária, para vistoria imediata, e outras instâncias, como o Conselho Municipal de Saúde.
Um dos trechos mais sensíveis da denúncia envolve justamente o Conselho Municipal do Idoso. Segundo o texto divulgado, Vítor Costa optou por não encaminhar o caso ao órgão porque a presidência do conselho seria ocupada por uma funcionária da própria instituição denunciada, o que, na avaliação dele, poderia comprometer a isenção da apuração.
Na Câmara Municipal, o parlamentar também informou ter protocolado requerimento pedindo informações detalhadas sobre o funcionamento do lar, incluindo valores recebidos em recursos públicos, relatórios de fiscalizações anteriores e registros de atendimentos de idosos na UPA, com datas, horários e encaminhamentos. A intenção, segundo a denúncia, é verificar com mais profundidade as condições de assistência prestadas fora e dentro da instituição.
O caso ganha ainda mais peso político por envolver uma entidade ligada ao vereador Matheus Dias, do Avante, aliado do Executivo na Câmara. Segundo o material divulgado por Vítor Costa, entre 2018 e 2026 a Missão Maria de Nazaré recebeu R$ 5.278.839,09 em recursos públicos municipais. O texto também afirma que, em 2025, Matheus Dias destinou mais R$ 500 mil em emendas impositivas diretamente ao Lar dos Idosos.
Outro ponto que amplia a repercussão é o contexto recente. No último dia 8 de abril, o próprio vereador Matheus Dias havia feito denúncia pública sobre maus-tratos em instituições particulares de longa permanência para idosos da cidade. Agora, a instituição administrada por entidade ligada ao seu grupo passa a ser alvo de apuração, o que aumenta a pressão por esclarecimentos e transparência.
É importante registrar que, até este momento, o que há é uma denúncia pública grave, acompanhada de acionamento formal dos órgãos de controle e fiscalização. Caberá agora ao Ministério Público, à Vigilância Sanitária e aos demais órgãos envolvidos apurar os fatos, verificar a consistência das informações e definir eventual responsabilização.
O que já não pode ser ignorado é a dimensão humana do caso. Quando denúncias desse porte envolvem idosos, madrugada, gritos, falta de estrutura e suspeita de negligência, a resposta do poder público não pode ser morna. A cidade precisa de investigação rápida, rigorosa e transparente.






