Gleidson jogou dinheiro da Prefeitura de Divinópolis no lixo: Municipio entrou em consórcio (CIAS), pagou R$ 943 mil e abandonou plano regional de aterro sanitário

Divinópolis pagou R$ 943 mil ao consórcio regional e agora precisa explicar como vai acabar com o lixão sem o plano do CIAS.

Publicado por: Geraldo Passos

Divinópolis integrou o Consórcio Intermunicipal Multifinalitário do Centro-Oeste Mineiro (CIAS) a partir de 2019, com a promessa de participar de uma solução regional para o lixo urbano. A cidade passou a contribuir com repasses anuais por meio de contratos de rateio e, segundo dados oficiais da transparência, desembolsou R$ 943.691,94 ao consórcio entre 2019 e 2024. Em 2025, porém, o município por decisão do agora ex-prefeito Gleidson Azevedo, agora pré-candidato a deputado federal, decidiu abandonar o projeto de parceria público-privada que previa unidade de valorização de resíduos, estações de transbordo e um aterro sanitário regional.

Quanto Divinópolis pagou

Os pagamentos de Divinópolis ao CIAS mostram uma participação constante na estruturação do plano regional. Em 2024, o contrato de rateio firmado com o consórcio estabeleceu repasse total de R$ 208.751,68, dividido em oito parcelas mensais. Entre 2020 e 2023, os valores anuais oscilaram em torno de R$ 171 mil a R$ 178 mil, além do aporte inicial em 2019. Somados, esses repasses alcançam R$ 943.691,94, o que torna a cidade um dos principais financiadores da fase de planejamento e custeio do consórcio.

Continua depois da publicidade
O plano regional do lixo

O projeto apresentado pelo CIAS previa uma estrutura integrada para o manejo dos resíduos sólidos urbanos na região. A modelagem incluía estações de transbordo, unidade de valorização de resíduos em Divinópolis, triagem mecanizada, apoio às cooperativas de catadores, ações de educação ambiental e implantação de um aterro sanitário público para destinação final dos rejeitos. A proposta era reduzir a dependência de lixões e controlar o impacto sobre solo, água e ar, distribuindo custos e benefícios entre dezenas de municípios.

Moradores questionaram o consórcio

Em 2024, o tema saiu do campo técnico e entrou na agenda da população. Na Primeira Assembleia Geral Ordinária daquele ano, realizada em Pitangui, moradores de Divinópolis foram até a reunião para cobrar esclarecimentos sobre a localização da futura unidade de valorização de resíduos. A assessoria jurídica do CIAS, o presidente do consórcio e o secretário executivo informaram que a assembleia era restrita a prefeitos e representantes oficiais, mas atenderam o grupo antes da sessão. A direção explicou que o edital trabalhava com um modelo técnico de referência e não cravava endereço definitivo para a UVR ou para as estações de transbordo.

A decisão de abandonar o projeto

O rompimento formal ocorreu em 2025. Ata da primeira assembleia geral extraordinária daquele ano registra que Divinópolis desistiu de participar do Programa de Serviços de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos do CIAS. O documento relata que, nos meses anteriores, a direção do consórcio tentou convencer a administração municipal a assinar o contrato de programa e aderir à PPP que estava em fase de estruturação. Mesmo assim, o município optou por sair, sob o argumento de que possuía meios e recursos próprios para resolver a gestão dos resíduos sólidos fora da solução regional.

Consequências para o consórcio

A saída de Divinópolis obrigou o CIAS a revisar estudos de engenharia, projeções econômicas e cronograma de licitação. O consórcio precisou recalcular tarifas e fluxos, já sem a participação de um dos maiores geradores de resíduos da região. Internamente, a decisão foi vista como um revés. Prefeitos ligados à direção do CIAS classificaram o projeto como estratégico e lamentaram a ruptura em uma etapa avançada de negociação com o governo federal e com a Caixa Econômica, responsável pelo apoio técnico.

A audiência pública sobre o fim do lixão

Enquanto o consórcio ajusta seu projeto sem Divinópolis, o município volta a discutir o próprio destino do lixo. A Câmara Municipal convocou audiência pública para amanhã, 15 de abril, às 19h, com foco na desativação do lixão e na recuperação ambiental da área. A convocação aponta que o atual cenário de disposição de resíduos compromete água, solo, nascentes e lençóis freáticos, além de travar políticas de reciclagem, compostagem e economia circular. A reunião também deve cobrar prazos e critérios para o encerramento da área e para a adoção de um novo modelo de tratamento.

O que está em jogo para a cidade

Ao deixar o CIAS, Divinópolis abriu mão de uma solução compartilhada que ela mesma ajudou a financiar por cinco anos. O município assumiu para si a responsabilidade de apresentar um plano alternativo que seja tecnicamente viável, juridicamente seguro e financeiramente suportável para a população. A audiência pública sobre o fim do lixão, marcada para a véspera dessa nova encruzilhada, expõe o tamanho do desafio. Entre o histórico de R$ 943 mil pagos ao consórcio e a necessidade urgente de encerrar um aterro controlado em situação crítica, a cidade terá de explicar como pretende, de fato, sair do discurso e resolver o lixo que se acumula às suas portas.

Continua depois da publicidade
Reportagens relacionadas
https://divinews.com/2024/07/17/prefeito-pinoquio-gleidson-azevedo-e-pego-em-mentiras-a-populacao-sobre-aterro-sanitario-a-ser-instalado-em-divinopolis/
https://divinews.com/2024/07/12/deputada-lohanna-franca-propoe-audiencia-publica-sobre-o-aterro-sanitario-lixao-do-cias-que-sera-instalado-em-divinopolis/
https://divinews.com/2024/06/20/urgente-prefeito-de-divinopolis-gleidson-azevedo-esconde-da-populacao-que-ela-vai-pagar-uma-nova-taxa-r-388-m%c2%b3-que-sera-embutida-na-conta-de-agua/
https://divinews.com/2026/04/14/fim-do-lixao-em-divinopolis-entra-em-debate-e-pode-definir-futuro-da-cidade/
https://divinews.com/2024/07/29/sintram-marca-reuniao-para-debater-instalacao-do-novo-lixao-em-divinopolis/
Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados