O evento de lançamento da pré-candidatura de Eduardo Azevedo, realizado na segunda-feira (07), em Divinópolis, deveria servir apenas para exibir força regional da direita mineira. Mas acabou revelando algo maior. No palco montado para a ocasião, diante de um salão lotado, o senador Cleitinho Azevedo fez um movimento político que chamou mais atenção do que os próprios discursos protocolares. Em vez de reforçar sintonia com Domingos Sávio, presidente do PL em Minas e pré-candidato ao Senado, o senador escolheu Marcelo Aro como alvo principal de seus afagos públicos, chegando a declarar, sem rodeios, apoio ao ex-secretário de governo de Romeu Zema para a disputa ao Senado.
O gesto não foi sutil. Ao citar Domingos, Cleitinho manteve tom cordial e breve. Mas, quando falou de Marcelo Aro, mudou de temperatura. Lembrou a convivência eleitoral passada, exaltou o trabalho do ex-secretário e foi explícito ao afirmar, em público, que, se Aro for candidato ao Senado, quer apoiá-lo “com o maior prazer”. Na sequência, ainda recomendou seu nome ao público presente, afirmando que ele trabalha e que pode fazer muito por Divinópolis e pela região. Foi um apoio aberto, sonoro e impossível de ser tratado como simples gentileza de palanque.
Cleitinho durante todo evento, até mesmo por observações de terceiros, esteve com o semblante bastante fechado, e sério por demasia. O que não é sua caracteristica. O Divinews o clicou por diversas vezes.
O momento ganhou peso ainda maior porque ocorreu na presença de Janete Aparecida, atual prefeita de Divinópolis. No meio da fala, Cleitinho perguntou a Marcelo Aro quantos prefeitos ele teria como aliados em Minas e, olhando para a prefeita, provocou sobre a possibilidade de Janete também integrar esse bloco de apoio. O gesto abriu espaço para um abraço entre Aro e Janete, em uma cena de forte simbologia política. Enquanto os dois trocavam afagos no palco, Domingos Sávio assistia a tudo. O recado, ali, não veio apenas pelas palavras. Veio pelo enquadramento inteiro da cena.
O episódio escancarou um mal-estar que, segundo apuração do Divinews, já vinha se acumulando nos bastidores. Cleitinho há tempos demonstra incômodo com a falta de apoio explícito de Domingos Sávio à sua pré-candidatura ao governo de Minas. E o evento de Divinópolis, em vez de dissipar essa tensão, parece ter ampliado o ruído. Segundo relato obtido pela reportagem, o senador deixou o local rapidamente, sem conceder entrevistas, e reclamou reservadamente do fato de Domingos, mais uma vez, não ter mencionado de forma clara sua liderança nas pesquisas nem feito qualquer aceno mais objetivo ao seu projeto para o Palácio Tiradentes.
Essa leitura encontra eco no próprio conteúdo da entrevista dada depois por Domingos Sávio ao Divinews. Nela, o presidente do PL em Minas admitiu que a direita ainda não chegou a um consenso sobre um nome único para o governo do Estado e reconheceu a possibilidade de mais de uma candidatura do campo conservador no primeiro turno, com eventual união apenas numa segunda etapa da disputa. Em termos políticos, isso significa que o PL segue sem fechar questão em torno de Cleitinho, apesar da força eleitoral do senador. E é exatamente essa indefinição que alimenta a irritação do divinopolitano.
O palco de Divinópolis, portanto, serviu como um retrato condensado da confusão da direita mineira. Estavam ali Eduardo Azevedo, oficialmente lançado novamente à disputa por vaga na Assembleia, Gleidson Azevedo, agora ex-prefeito e nome para deputado federal, Janete Aparecida, prefeita em exercício, Domingos Sávio, que preside o PL no estado e se apresenta como nome ao Senado, e Marcelo Aro, que apareceu como surpresa de peso e saiu do evento politicamente turbinado pelo abraço público de Cleitinho. O encontro que deveria passar unidade acabou entregando outra imagem, a de uma direita que segue forte em público, mas rachada em seus projetos de poder.
A fala de Cleitinho foi particularmente explosiva porque, ao escolher Marcelo Aro como seu nome ao Senado, ele mexeu em uma peça sensível do tabuleiro. Não se trata de um apoio qualquer. Trata-se de um senador que lidera pesquisas para o governo mineiro, usando capital político próprio para valorizar um aliado que não é Domingos Sávio, justamente o dirigente partidário que deveria, em tese, puxar o mesmo campo de forças. O gesto reposiciona Marcelo Aro, fragiliza Domingos e mostra que Cleitinho está disposto a mandar recados cada vez menos discretos.
O resultado é um cenário em que todos saem do evento com algo nas mãos, mas nem todos saem fortalecidos. Eduardo Azevedo ganhou uma noite lotada. Marcelo Aro ganhou apoio explícito e vitrine inesperada. Janete apareceu no radar de uma conversa estratégica sobre alianças municipais. Já Domingos Sávio saiu com o incômodo de ver, ao vivo, que a distância entre ele e Cleitinho não só continua como já começou a ser dramatizada no palco.
No fim, a noite de Divinópolis revelou mais do que um lançamento de pré-candidatura. Revelou que a direita mineira ainda fala em união, mas atua em faixas paralelas. E, quando um senador usa o microfone para abraçar um pré-candidato ao Senado diante do próprio presidente do PL em Minas, não se trata apenas de cortesia política. Trata-se de aviso.












