Eleições 2026: após crise do STF, Pacheco retorna à arena e se prepara para se alinhar ao projeto de Lula em Minas; Jarbas Soares vai junto

Depois do mal-estar provocado pela vaga no STF e do discurso de despedida da política, senador mineiro se recompõe, migra para o PSB e já aparece ao lado de Jarbas Soares no novo desenho eleitoral de Minas.

Publicado por: Geraldo Passos

O senador Rodrigo Pacheco voltou ao centro do tabuleiro político mineiro. Depois de meses de desgaste, de frustração com o episódio envolvendo a vaga no STF e até de ter cogitado deixar a vida pública ao fim do mandato, o mineiro decidiu retornar à arena com uma guinada que o aproxima de vez do projeto nacional do presidente Lula em Minas Gerais. A filiação ao PSB já tem data marcada e, ainda que Pacheco evite anunciar formalmente a pré-candidatura ao governo no mesmo ato, o movimento foi lido em Brasília e em Minas como o gesto que o transforma em palanque de Lula no estado – O ex-procurador de Justiça de Minas, Jarbas Soares vai junto com Rodrigo para o PSB.

A mudança não surgiu do nada. Em novembro de 2025, após ser preterido por Lula na disputa por uma cadeira no Supremo, Pacheco comunicou a interlocutores o desejo de encerrar a trajetória política ao fim do mandato. Naquele momento, o recado era de desalento e de cansaço. A frustração com o STF contaminou o ambiente político do senador e fez crescer a impressão de que ele poderia mesmo abandonar o jogo. Só que política, como se diz nos bastidores, tem algo de vício: quando parece que terminou, o sujeito reaparece no balcão para mais uma dose.

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Agora, a cena é outra. Pacheco comunicou ao PSB que vai se filiar ao partido em ato público em Brasília, e esse gesto atende a uma cobrança antiga de Lula, que há meses tenta convencê-lo a assumir a missão de disputar o governo mineiro e dar sustentação ao projeto de reeleição presidencial no segundo maior colégio eleitoral do país. Embora aliados insistam que a filiação, por si só, não representa confirmação automática da candidatura ao Palácio Tiradentes, na prática o movimento sacramenta sua disponibilidade e recoloca o senador como peça central do campo governista em Minas.

É justamente aí que a política mostra sua natureza menos romântica e mais pragmática. O homem que há poucos meses flertava com a saída de cena agora troca de partido, reposiciona o discurso e reaparece como a opção mais competitiva para dar a Lula um palanque forte em Minas. Não é preciso que Pacheco suba ao palco com faixa de candidato no peito para que o jogo já esteja claro. Em linguagem política, basta o gesto. E o gesto foi dado.

O novo passo também vem acompanhado de um encaixe político mais amplo. No mesmo ato de filiação ao PSB, também deverá se filiar Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, que deixou o Ministério Público e já apareceu ao lado de Pacheco em Brasília. A aproximação entre os dois foi interpretada como parte de uma costura mais robusta para 2026, com o PSB tentando montar em Minas uma estrutura de peso, capaz de reunir nomes competitivos, respeitabilidade institucional e musculatura regional.

Jarbas, aliás, não entra nesse roteiro como figurante. Seu desligamento do MPMG e a conversa com Pacheco reforçam a percepção de que o PSB trabalha para montar uma chapa com alcance real no estado. Ainda não há definição pública e fechada sobre qual cargo ele disputará, mas o movimento já foi interpretado como sinal claro de entrada no processo eleitoral. Em outras palavras, Pacheco não volta sozinho. Ele volta cercado.

O pano de fundo dessa recomposição também passa por uma necessidade evidente do Palácio do Planalto. Lula precisa de um palanque competitivo em Minas, e Pacheco se encaixa nesse desenho porque consegue dialogar para além da base clássica da esquerda. Seu perfil mais moderado, institucional e identificado com uma direita democrática amplia o alcance do projeto lulista e oferece ao presidente uma alternativa menos ideológica e mais eleitoralmente palatável em um estado decisivo.

Por isso, mesmo sem o anúncio formal de candidatura, o movimento já tem leitura política pronta. Pacheco saiu da condição de quase aposentado da vida pública para a de pré-candidato em disponibilidade. O mal-estar do STF ficou para trás. A amargura deu lugar ao cálculo. E o senador, que chegou a ensaiar adeus, volta a sentir o gosto da disputa. Em Minas, isso significa mais do que uma simples troca partidária. Significa que Lula deixou de buscar um palanque e passou a trabalhar com uma estrutura em formação.

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No fim, a velha máxima se confirma mais uma vez. Política é igual cachaça. Tem gente que jura que largou, faz discurso de despedida, diz que cansou, reclama do gosto amargo, mas basta o copo reaparecer na mesa para a conversa mudar. Rodrigo Pacheco parecia de saída. Agora, filia-se ao PSB, recompõe forças e volta ao centro da arena mineira como a aposta mais nítida do lulismo no estado.

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