Senadores mineiros Carlos Viana e Cleitinho votarão contra a escolha de Jorge Messias para o STF

Indicação do AGU ao Supremo carrega a marca pessoal do presidente, sinaliza gesto ao eleitorado evangélico e já encontra resistência aberta de Cleitinho e Carlos Viana, enquanto Rodrigo Pacheco tende a apoiar o nome no Senado

Publicado por: Redação

A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal entrou no centro da política nacional não apenas pelo peso institucional da vaga, mas pelo simbolismo da escolha. Atual advogado-geral da União, Messias foi o nome levado por Luiz Inácio Lula da Silva ao Senado para ocupar uma cadeira no STF, em uma decisão vista em Brasília como pessoal e baseada na confiança política acumulada ao longo de anos de convivência entre o presidente e seu aliado.

Ao mesmo tempo, o gesto de Lula foi lido no entorno do Planalto como uma tentativa de aproximação com o eleitorado evangélico. Jorge Messias é batista, e sua escolha foi interpretada por analistas e veículos internacionais como um movimento para dialogar com um segmento em que o presidente historicamente encontra mais resistência.

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Em Minas Gerais, a indicação já rachou a bancada do Senado. O Estado de Minas informa que Cleitinho Azevedo e Carlos Viana declararam voto contrário à ida de Messias para o Supremo. Os dois mineiros se colocaram de forma pública contra o nome escolhido por Lula e entraram no grupo da oposição que tenta usar a sabatina e a votação como palco político.

Rodrigo Pacheco, por sua vez, não declarou o voto publicamente, mas o cenário político aponta em outra direção. Segundo o Estado de Minas, ele é considerado favorável ao nome indicado pelo Palácio do Planalto. O Metrópoles vai além e relata que, mesmo após ter sido cogitado para a vaga e depois preterido por Lula, Pacheco é contado entre os governistas como voto de apoio à indicação.

Esse ponto dá à história uma camada extra de peso político. Pacheco foi tratado nos bastidores como opção real para o Supremo, mas acabou fora da escolha final. Ainda assim, a expectativa em Brasília é de que apoie Messias, numa sinalização de alinhamento institucional e de preservação de pontes com o governo.

A indicação de Messias virou mais que uma escolha jurídica. Virou uma jogada política de Lula, um aceno aos evangélicos e um teste de força dentro do Senado.

A tramitação segue o rito constitucional. O Senado recebeu formalmente a mensagem presidencial em 1º de abril. Para ser aprovado, Messias precisa passar pela sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e, depois, obter pelo menos 41 votos favoráveis no plenário, em votação secreta.

Nos bastidores, a base do governo trabalha com margem confortável. O Estado de Minas registrou expectativa de pelo menos 45 votos favoráveis, enquanto o Metrópoles relatou que até a própria oposição faz contas mais pessimistas para barrar a indicação. Isso significa que, embora a resistência exista e tenha alto ruído político, o cenário ainda é mais favorável à aprovação do que à rejeição do nome de Messias.

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Cleitinho e Viana, portanto, entram na votação em posição de confronto. Pacheco, em posição de provável apoio. E Lula, ao que tudo indica, transforma a ida de Jorge Messias ao Supremo em algo maior do que uma nomeação técnica, uma escolha de confiança, identidade política e cálculo eleitoral ao mesmo tempo.

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