Ex-prefeito de Divinópolis, Galileu Machado, irritado reage, cita Caixa Econômica e desmonta discurso sobre rombo de R$ 70 milhões

Galileu diz que deixou recursos, verbas parceladas e obras encaminhadas, além de responsabilizar entraves bancários por parte das limitações no fim do mandato (ouça áudio)

Publicado por: Geraldo Passos

O ex-prefeito Galileu Machado decidiu reagir de forma direta à narrativa sustentada por Gleidson Azevedo e por integrantes do  antigo governo dele [Gleidson] de que a Prefeitura de Divinópolis teria sido recebida sob o peso de dívidas deixadas pela gestão anterior. Na resposta ao Divinews, provocado que foi,  Galileu afirmou que a versão apresentada ao longo dos últimos anos distorceu a realidade fiscal do município, omitiu recursos que ficaram em caixa e ignorou valores que já estavam garantidos no orçamento, mas foram recebidos pela administração seguinte.

Na avaliação do ex-prefeito, houve uma mistura conveniente entre dívida de longo prazo, obrigação administrativa parcelada e passivo imediato. Para Galileu, esse embaralhamento produziu um efeito político claro, o de convencer a população de que sua gestão entregou uma prefeitura quebrada, quando, segundo ele, a situação era bem diferente. A tese defendida agora é a de que houve uso político dos números, sem a devida separação entre compromissos estruturais e rombo real de caixa.

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Galileu sustenta que deixou dinheiro em caixa no encerramento do mandato. Segundo ele, somente no mês final havia cerca de R$ 12 milhões disponíveis, valor que não teria sido gasto por restrições legais daquele período. Além disso, afirmou que a gestão seguinte recebeu parcelas expressivas de recursos vinculados ao orçamento de seu governo, o que, em sua visão, desmonta a tese de que o sucessor assumiu sem fôlego financeiro. Na fala, Galileu chega a afirmar que Gleidson recebeu quase todo o montante de verbas que já estavam encaminhadas desde sua administração.

O ex-prefeito também argumenta que várias obras e frentes administrativas já estavam mastigadas, prontas para continuidade. Ele cita recursos ligados a intervenções, saneamento e outras ações estruturais, tentando demonstrar que o governo seguinte não começou do zero. Pelo contrário, segundo a versão apresentada, recebeu parte do caminho aberto, com valores organizados e projetos em andamento, mas preferiu transformar a transição em discurso de vitimização política.

Um dos pontos mais duros da manifestação envolve a Caixa Econômica Federal. Galileu afirmou que tentou contratar um financiamento de cerca de R$ 40 milhões, por meio do Finisa, para executar obras relevantes no município. No entanto, segundo ele, a operação enfrentou atraso, indefinição e sucessivas enrolações por parte da instituição financeira. Na versão do ex-prefeito, o processo se arrastou sem conclusão dentro do prazo necessário e comprometeu parte importante do planejamento do fim do mandato.

Diante desse cenário, Galileu disse que precisou recorrer a uma alternativa menor, de R$ 15 milhões, para não deixar investimentos parados. Ele afirma que parte desse valor já havia sido usada e outra parte ficou disponível para a gestão seguinte executar obras. A declaração reforça uma linha política e técnica ao mesmo tempo. Galileu tenta mostrar que o problema não nasceu de descontrole fiscal, mas de entraves externos, especialmente bancários, que limitaram a execução de projetos no momento decisivo.

Ao rebater a narrativa de terra arrasada, Galileu ainda sugere que o discurso adotado por Gleidson e por ex-secretários simplificou um quadro muito mais complexo. Na prática, a defesa dele aponta que parte das chamadas dívidas era composta por compromissos de longo prazo, comuns na administração pública, inclusive herdados de governos anteriores. Com isso, tenta deslocar o debate do terreno da retórica para o campo da responsabilidade contábil, onde a existência de parcelamentos e financiamentos não pode ser automaticamente tratada como prova de colapso financeiro.

O ataque político de Galileu mira exatamente o que mais pesou na imagem pública de sua gestão. Para o ex-prefeito, a população foi levada a acreditar que ele entregou um cenário devastado, quando, segundo sua versão, havia caixa, havia receitas a receber, havia obras estruturadas e havia verbas que acabaram aproveitadas pelo governo seguinte. Nesse ponto, a reação deixa de ser apenas contábil e se transforma em uma disputa aberta de memória política sobre quem fala a verdade quando o assunto é a herança administrativa da cidade.

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A fala de Galileu também eleva a temperatura do debate porque atinge um dos pilares do discurso de Gleidson Azevedo durante o mandato, o de ter assumido a prefeitura em meio a dificuldades profundas. Ao contestar esse enredo com números, contexto e acusação de distorção, o ex-prefeito tenta enfraquecer a sustentação política construída ao longo dos anos e reposicionar sua passagem pelo Executivo como uma gestão que entregou mais ativos do que passivos.

Analistas políticos com vivência em administração pública também atribuem à condução da então secretária de Fazenda parte relevante do desgaste e do fracasso político da gestão Galileu, sob o argumento de que houve uma escolha fiscal considerada desastrosa em dois momentos centrais: no início do governo, quando débitos herdados da administração de Vladimir Azevedo teriam sido quitados, e no encerramento do mandato, quando a prefeitura ainda entregou recursos em caixa. Para esses observadores, esse tipo de condução contraria a lógica prática da gestão pública, porque nem se sacrifica a capacidade financeira de um governo para liquidar amplamente passivos de antecessores, nem se encerra uma administração deixando dinheiro parado em vez de convertê-lo em obras, serviços e entregas concretas à população.

No centro dessa guerra de versões está uma questão decisiva. A cidade recebeu uma prefeitura quebrada ou uma prefeitura com compromissos de longo prazo, mas com caixa, receitas e obras encaminhadas. Galileu agora diz que a resposta foi manipulada politicamente, e coloca a Caixa Econômica no centro de um episódio que, segundo ele, travou investimentos e depois ajudou a alimentar uma narrativa injusta contra sua gestão.

Leia e entenda

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