A compra do Expominas Juiz de Fora por R$ 39 milhões coloca no centro das atenções a gestão patrimonial da FIEMG sob o comando de Flávio Roscoe. A aquisição foi divulgada nesta terça-feira (24) pelo Tribuna de Minas, e, segundo a informação, a formalização será assinada na próxima quinta-feira (26), em Belo Horizonte. O espaço, inaugurado em 2006, tem capacidade para 13 mil pessoas e passará a ser administrado pela FIEMG Regional Zona da Mata.
O negócio não surgiu do nada. Em fevereiro, a própria articulação regional da federação já tratava publicamente a compra como prioridade para 2026, ao lado da instalação de uma nova unidade do Senai voltada à tecnologia e inovação em Juiz de Fora. Na ocasião, a dirigente regional Mariângela Marcon afirmou que a aquisição representaria novo investimento da federação na cidade e na Zona da Mata.
No plano institucional, Flávio Roscoe aparece oficialmente como presidente da diretoria FIEMG 2022-2025, com prorrogação do mandato até o final deste ano, 2026. Esse dado importa porque ajuda a situar em qual gestão essas decisões patrimoniais foram tomadas.
Ao observar os documentos públicos do Sistema FIEMG, a compra do Expominas também pode ser lida como parte de um ciclo mais amplo de movimentações patrimoniais. No Relatório de Gestão 2024 do SENAI-MG, por exemplo, há referência expressa à aquisição, em 2022, de imóvel da Usiminas para comportar atividades institucionais. O mesmo relatório registra ainda investimentos ligados à aquisição do prédio da Codemge, o LabFab ITR, em Lagoa Santa, em 2023.
Esses documentos também mostram que o período recente combinou compras e alienações. No SENAI-MG, o relatório aponta receita com alienação de bens de R$ 6,983 milhões em 2022 e de R$ 30,5 mil em 2024. Os dados reforçam que a política patrimonial do sistema não se limitou à expansão de ativos, mas incluiu também venda de bens em diferentes exercícios.
Os relatórios consultados revelam movimentações patrimoniais relevantes no Sistema FIEMG, especialmente em braços como o SENAI-MG, mas não trazem, nas passagens localizadas nesta apuração, um inventário completo e consolidado de todos os imóveis comprados e vendidos diretamente pela federação ao longo da gestão. Por isso, o levantamento deve ser tratado como retrato parcial de operações documentadas publicamente, e não como lista fechada de todo o patrimônio movimentado.
No campo político, o debate ganhou outra dimensão porque o nome de Roscoe já circula no tabuleiro de 2026. Em dezembro de 2025, ele próprio afirmou publicamente que avaliava disputar as eleições de 2026. Na mesma ocasião, foi registrado que seu nome era ventilado nos bastidores como possível vice-governador.
É nesse ponto que entram as críticas da oposição interna. Ex-presidentes e ex-diretores da FIEMG, segundo relatos políticos que circulam no ambiente empresarial, sustentam a avaliação de que a visibilidade institucional da entidade poderia estar contribuindo para fortalecer o capital político de Roscoe. Essa leitura, segundo esses opositores, o colocaria como possível nome para composições eleitorais, inclusive como vice de algum candidato majoritário que o deseje na chapa. Essa é, porém, uma acusação política de adversários internos, e não uma conclusão comprovada por esta apuração.
Até aqui, os fatos objetivamente documentados mostram o seguinte: a gestão Roscoe coincide com um período de movimentações patrimoniais relevantes no sistema, agora simbolizado pela compra do Expominas de Juiz de Fora, e também com o crescimento de especulações sobre seu futuro eleitoral. O que não se pode afirmar, sem prova, é que exista uso irregular da entidade para fins eleitorais. O que existe, no momento, é uma disputa de narrativa dentro e fora da federação.
Sob esse ângulo, a compra do Expominas comporta duas leituras distintas. Na leitura institucional, trata-se de investimento em infraestrutura, negócios, eventos e desenvolvimento regional. Na leitura dos críticos internos, a operação também amplia a vitrine pública de um dirigente cujo nome passou a frequentar as conversas sobre 2026. Entre uma interpretação e outra, o que se impõe juridicamente e jornalisticamente é a diferença entre fato comprovado e avaliação política.
Por isso, qualquer análise responsável sobre a gestão de Flávio Roscoe na FIEMG precisa partir de uma base segura. Os documentos disponíveis revelam aquisições, alienações e expansão patrimonial em estruturas do sistema. As especulações eleitorais também são públicas. Já a acusação de uso político da entidade permanece, por ora, no terreno da crítica de opositores internos, sem comprovação conclusiva apresentada nesta apuração.






