Divinópolis vira trampolim político, prefeito Gleidson Azevedo sinaliza renúncia e assume pré-candidatura a deputado federal; pela direita

Publicado por: Geraldo Passos

O que vinha sendo tratado nos bastidores como desfecho provável ganhou forma pública. O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, sinalizou que deixará o cargo para entrar de vez no tabuleiro de 2026 como pré-candidato a deputado federal – O tom do pronunciamento em vídeo postado por ele em sua rede social, foi de despedida calculada, com discurso de missão, continuidade e ambição política. “Essa cidade me deu mais que um mandato. Me deu a missão de cuidar de um lugar que eu amo”, afirmou.

Na sequência, ele ancorou a decisão em linguagem religiosa e de propósito, uma assinatura recorrente do seu estilo. “Divinópolis é do Senhor”, declarou, antes de sustentar que governar seria mais do que um cargo.

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O prefeito também reforçou o argumento de legitimidade eleitoral e usou a marca de “mais bem votado” como credencial para o próximo passo. “Vocês me elegeram o prefeito mais bem votado da história de Divinópolis”, disse.

A parte central do recado veio quando ele apresentou a justificativa política. Na leitura dele, parte das soluções para Divinópolis não depende da Prefeitura. Depende de decisões tomadas longe, “em Brasília”. – Foi nesse ponto que o anúncio ficou explícito. “Foi pensando no futuro da nossa cidade que eu tomei a decisão mais difícil da minha vida pública”, declarou, emendando com uma frase que busca neutralizar o rótulo de abandono – “Eu não estou deixando a prefeitura. Eu estou levando a nossa cidade comigo”, completou.

O movimento conversa com o calendário eleitoral. A legislação exige desincompatibilização de chefes do Executivo que pretendem disputar outro cargo, geralmente até o fim de março do ano eleitoral. Nos bastidores, esse prazo já aparecia como marco para a saída.

A fala também tentou amarrar a transição administrativa, ao afirmar que “a prefeitura seguirá em boas mãos”, citando apoio familiar e continuidade do grupo político. O pronunciamento, por si, também encerra uma especulação que circulou com força, a de uma possível costura para que ele entrasse como vice em chapa majoritária ao governo estadual. A hipótese existiu no noticiário político mineiro, mas perdeu tração conforme o desenho real se impôs.

Na prática, o anúncio confirma o caminho que mais valorizava seu capital eleitoral. Em vez de papel secundário em uma chapa, ele escolhe a disputa direta por voto, mirando a Câmara dos Deputados, onde pretende vender a ideia de “mais entregas” e “mais resultados”.

O próprio prefeito ironizou as críticas e transformou isso em narrativa. “Talvez alguns digam, o que esse prefeito maluquinho vai fazer em Brasília? Mas foi sendo esse prefeito maluquinho que eu tirei várias obras do papel”, afirmou.

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A meta foi dita de forma objetiva. “Agora eu quero ser o deputado que mais vai trazer resultados. Que é Divinópolis e região”, declarou.

No tabuleiro político local, o efeito é imediato. A sucessão na Prefeitura abre disputa por protagonismo interno, reorganiza alianças na Câmara e mexe com a corrida por votos em Divinópolis, que tende a virar base central do projeto.

No plano estadual, o recado é igualmente claro. A família Azevedo volta a trabalhar em bloco, e o senador Cleitinho tende a atuar como principal cabo eleitoral do irmão, reforçando o campo da direita e o discurso bolsonarista que ambos cultivam.

O que se desenha, portanto, é um roteiro conhecido na política mineira. Primeiro, consolida-se a vitrine municipal. Depois, transforma-se obra, popularidade e presença digital em trampolim para Brasília. E aí a cidade vira, de novo, a moeda mais disputada.

No fim do pronunciamento, o prefeito tentou fechar com linguagem de continuidade, não de ruptura. “Isso não é um final. É o começo de uma nova missão”, disse.

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