O xadrez político em Minas Gerais voltou a se agitar após a live entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e Mateus Simões (PSD), vice-governador de Minas. O encontro virtual, que parecia apenas uma conversa informal, foi interpretado nos bastidores como um ensaio estratégico de reconfiguração da direita mineira. De um lado, Nikolas, fenômeno de popularidade entre jovens e conservadores; do outro, Simões, o vice-governador que já se lançou como pré-candidato ao governo com o apoio de Romeu Zema. A aproximação, cuidadosamente calculada, indica uma possível aliança para isolar o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que enfrenta desgaste após declarações polêmicas sobre Bolsonaro e Eduardo Azevedo. O movimento, ao que tudo indica, prepara o terreno para uma disputa onde a fidelidade ao bolsonarismo será testada. Enquanto isso, cada peça se move no tabuleiro com cautela, e Cleitinho parece ser a peça que mais perdeu espaço.
Durante a transmissão, Nikolas apresentou demandas de Sete Lagoas, como a instalação de uma unidade neonatal no Hospital Nossa Senhora das Graças e a construção de uma trincheira na rotatória do Barbosa Mello, para desafogar o trânsito. Simões prontamente acenou positivamente, determinando que iniciassem estudos e execução das obras, destacando a importância da cooperação entre governo estadual e bancada federal.
Apesar do tom institucional, a live ultrapassou os limites da técnica e se tornou um movimento simbólico de alinhamento político, num momento em que o campo conservador de Minas se reorganiza após os desgastes do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) com as bases bolsonaristas.
No xadrez político mineiro, Mateus Simões surge como uma “rainha pragmática”, peça que se move com cautela, mas com o poder de definir o destino da partida, por se movimentar e capturar bispos, torres, cavalos e peões, na vertical, horizontal e diagonal. Ao seu lado, Nikolas Ferreira atua como o bispo da retórica, avançando em diagonais ideológicas, com discurso carismático e apelo popular nas redes. Ambos parecem testar os limites de um mesmo tabuleiro, enquanto atacam o adversário e ao mesmo tempo defendem o “rei” Bolsonaro, que tem sob sua tutela os bolsonarista, os peões que também o defendem incondicionalmente. E que ainda reina no imaginário de parte expressiva do eleitorado mineiro.
O senador Cleitinho, por sua vez, ainda é considerado uma peça fundamental no tabuleiro, ao menos até que seja publicada uma nova pesquisa dos grandes institutos, Datafolha, Quaeste, ou outros de credibilidade. O problema do senador no campo da direita, é que ele se comportou tal qual o “cavalo” se movimentou em “L”, ao fazer declarações que foram consideradas infelizes por segmentos radicais do bolsonarismo.
Simões, recém-filiado ao PSD, tem o apoio de Romeu Zema e costura alianças com o empresariado e setores liberais. Nikolas, por sua vez, mantém a lealdade da base bolsonarista raiz, conquistando cada vez mais espaço como o porta-voz dos jovens de direita e das igrejas. Essa convergência, embora ainda embrionária, pode resultar numa composição estratégica, unindo a força institucional de Simões ao capital de Nikolas na extrema direita.
A partida está longe do fim, mas os movimentos já indicam que a direita mineira se reorganiza com nova estratégia. E, como no xadrez, vence quem pensa vários lances à frente.
No tabuleiro da direita mineira, as peças começam a se alinhar. Nikolas e Simões jogam com precisão, enquanto Cleitinho observa, em xeque, mas ainda no jogo. (vídeo)






