A regulação das cirurgias e internações do SUS em Minas Gerais pode passar por uma das mudanças mais significativas das últimas décadas. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) anunciou a criação da Central de Operações da Regulação Estadual (CORE), estrutura que pretende unificar em Belo Horizonte toda a regulação de procedimentos e leitos hospitalares do Estado, substituindo as atuais 13 Centrais Macrorregionais de Regulação Assistencial.
A medida gerou reação imediata entre profissionais e gestores de saúde, que apontam risco de perda de eficiência e de distanciamento das realidades regionais. Em um memorando conjunto, divulgado em 13 de outubro, os coordenadores macrorregionais manifestaram posição contrária à proposta e alertaram que o modelo fere o princípio da descentralização do SUS, comprometendo a equidade no atendimento e o acesso a cirurgias e internações nos 853 municípios mineiros.
Os gestores destacaram que a nova central será operada a partir de Belo Horizonte, com o apoio do Laboratório LAIS, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e que o projeto está previsto para entrar em funcionamento no primeiro semestre de 2026. Eles alertaram, contudo, que a unificação “comprometerá a agilidade das decisões e o entendimento das particularidades locais”, essenciais para priorizar cirurgias e regulações de emergência.
Diante da repercussão, a deputada estadual Lohanna França (PV) solicitou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a realização de uma Audiência Pública para discutir os impactos da centralização. A parlamentar afirmou que a medida, se implementada sem ouvir profissionais, gestores e usuários, poderá gerar lentidão, burocracia e desigualdade na regulação das cirurgias do SUS.
“A saúde pública precisa de gestão eficiente e próxima das pessoas. Concentrar decisões em Belo Horizonte, ignorando as especificidades de cada território, pode gerar ainda mais sofrimento a quem depende do SUS”, destacou Lohanna.
O modelo atual permite que cada macrorregião de saúde gerencie suas próprias demandas por meio da plataforma SUS Fácil, com equipes que conhecem a rede hospitalar e a realidade local. Essa descentralização é apontada como essencial para garantir rapidez na autorização de cirurgias eletivas, internações e transferências de pacientes.
No documento oficial, os coordenadores afirmam ainda que “nenhuma inteligência artificial substituirá a humanidade e a dedicação do servidor público na regulação de vidas”, citando o trabalho prestado durante a pandemia como exemplo de eficiência e compromisso.
A Audiência Pública proposta por Lohanna pretende reunir representantes da SES-MG, sindicatos, conselhos de saúde, prefeitos e profissionais do setor, além de buscar transparência na implementação da CORE e debater alternativas de modernização sem perda de autonomia regional.
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