Durante discurso contundente na tribuna da ALMG, a deputada Lohanna França classificou como “absurdo, disfarçatez e má fé” a tentativa do governo de colocar o Hospital Regional de Divinópolis como parte da negociação da dívida estadual com a União. Segundo ela, a atitude representa uma afronta ao compromisso já firmado entre o Estado e a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)
“É um absurdo, é uma disfarçatez e agir de má fé o governo do Estado querer colocar o nosso hospital na negociação dessa dívida”, afirmou Lohanna, lembrando que há um termo de cooperação assinado entre o Governo de Minas, a Secretaria de Estado de Saúde, o Governo Federal e a Universidade Federal, que garante a doação do terreno e do prédio para a instituição federal.
Continua depois da publicidade
De acordo com a deputada, o hospital foi construído em terreno pertencente ao povo de Divinópolis, e o Estado já havia se comprometido oficialmente com a transferência da estrutura à universidade.
“Esse terreno não foi construído com dinheiro do Estado, é do povo de Divinópolis. E há um compromisso formal do Estado de doar o terreno e o prédio para a Universidade Federal, para que ele se torne um hospital universitário, gerido pela UFSJ — é o que toda a cidade deseja”, destacou.
Lohanna afirmou ainda que membros da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e da Secretaria de Saúde estariam pressionando o reitor da UFSJ para que ele enviasse um ofício solicitando a inclusão do hospital no programa Propag, mecanismo de compensação de ativos do Estado, o que na prática significaria usar o imóvel como moeda de troca para abater parte da dívida estadual.
“Eles querem colocar o hospital no pagamento da dívida, sendo que já assinaram a doação. E ainda disseram ao reitor que a Assembleia não quer votar o projeto. Semana passada, estive com o presidente Tadeu e ele foi claro: a Assembleia vota, e vota rápido. O que falta é o governo enviar o projeto para cá”, afirmou a deputada.
O Hospital Regional de Divinópolis, com estrutura avaliada em R$ 350 milhões, permanece inacabado desde 2010. A proposta de torná-lo um hospital universitário gerido pela UFSJ é defendida há anos por lideranças locais e pela comunidade acadêmica, como forma de ampliar o atendimento hospitalar e a formação de profissionais de saúde na região Centro-Oeste.
A fala da deputada ganhou repercussão em Divinópolis, especialmente após a vice-prefeita Janete Aparecida confirmar em entrevista à Rádio Minas que a discussão sobre a inclusão do hospital na negociação de dívida realmente está em curso, reforçando as preocupações quanto ao futuro da unidade de saúde.






