Em Divinópolis, parece que o desenvolvimento tem cheiro de piche e textura de brita. A cada esquina, a cada quarteirão, o que se comemora não é a chegada de uma nova indústria, nem a inauguração de um hospital regional de verdade, tampouco a abertura de empregos qualificados. A grande conquista, a única grande obra que o atual prefeito vai deixar para a posteridade é o asfalto.
A onda agora é viver em meio ao tapete preto: quando o cidadão precisar de médico no posto de saúde, será atendido pelo Dr. Asfalto de Sousa; quando for buscar remédios, terá à disposição pílulas de asfalto, xarope de asfalto, losarasfalto para pressão e glifasfalto para diabetes. E se a necessidade for por leitos hospitalares, basta esperar pela fila da regulasfalto, que garante internações no leitosfalto. Em novembro, quem sabe, será inaugurado o tão sonhado hospital Asfalto Regional de Divinópolis.
Na farmácia popular da administração, o estoque não falta: a população já conta com o Paracetasfalto para dor e febre, o Dipiroasfalto que cura até buraco de rua, o Omepraasfalto para aliviar o estômago cheio de poeira, e o Ibuproasfalto, anti-inflamatório que além de dor também tapa crateras. Para quem sofre com alergia, o receituário traz o Lorataasfalto; já o Metforminasfalto e o Captopriasfalto ajudam a controlar os nervos de quem espera por leitos que nunca chegam. Para completar, há ainda o Rivotriasfalto, indispensável para suportar longos discursos de inauguração de obras, e o Sinvasfalto, prescrito contra o colesterol elevado após cada churrasco de celebração do novo recapeamento.
Enquanto isso, os bairros periféricos seguem convivendo com a poeira que sobe nas ruas de terra. Famílias que não conseguem respirar com dignidade, crianças adoecendo, mas tudo isso fica em segundo plano diante do espetáculo das máquinas recapeando até ruas que já tinham pavimentação.
Não chega uma grande empresa para gerar empregos. Não chega um polo tecnológico, nem um hospital de ponta. O que chega é asfalto, patrocinado também por emendas parlamentares, que se transformaram na moeda de ouro do desenvolvimento local.
Assim, a cada obra inaugurada, governantes celebram não a transformação estrutural da cidade, mas o brilho do piche fresco. Em Divinópolis, o progresso não é medido em saúde, educação ou qualidade de vida. O progresso é medido em toneladas de massa asfáltica.







kkkk, Geraldo está até engraçado, tô com vergonha de você acredita! kkkkkkkk