Na reunião da Câmara de Divinópolis realizada em 4 de setembro, em que se discutia a situação da população em situação de rua, o pastor Wilson Botelho fez declarações consideradas violentas e estapafúrdias, como expulsar migrantes e até ameaçar pessoas em vulnerabilidade. O episódio gerou constrangimento público, mas apenas um parlamentar, e posteriormente apenas outro, teve a coragem de se manifestar contra o discurso: o vereador Wellington Well .
“Não posso tratar isso como ato político”
Em entrevista ao Divinews, Well destacou que foi o único a confrontar a fala do pastor durante a própria reunião. Para ele, a situação exige responsabilidade e não deve ser reduzida a disputas ideológicas: “Pessoa em situação de rua não é pauta, é missão, e como cristão eu não poderia agir diferente”, afirmou .
O vereador relatou que já havia organizado reuniões com comunidades terapêuticas, a Vigilância Sanitária e representantes da Secretaria de Saúde, buscando construir propostas para o município. Na ocasião, quando o pastor Wilson falou pela primeira vez, Well imediatamente repreendeu a fala e deixou claro que aquele não era o objetivo do encontro.
Repúdio isolado
Segundo o parlamentar, foi lamentável que outros vereadores tenham permanecido em silêncio: “Era como se nada houvesse, como se não fosse grave. E é gravíssimo”, disse. Ele ressaltou que o vídeo completo da reunião será publicado pela Câmara e encaminhado ao Ministério Público, para que as declarações não fiquem impunes.
Defesa da dignidade
Wellington Well reforçou que seu papel é de conscientização: “Não devemos tratar isso como um ato político, porque aí estaríamos ferindo direitos dessas pessoas. Meu trabalho é lutar pela preservação dos direitos da população em situação de rua” . O vereador também citou o esforço da Secretaria de Assistência Social e anunciou a campanha “Ruas Visíveis”, que busca dar dignidade às pessoas em vulnerabilidade sem estimular práticas que alimentem vícios.
Câmara em dívida moral
A ausência de reação dos demais parlamentares deixou evidente uma dívida moral da Câmara com a sociedade. Ao ignorar as falas violentas do pastor Wilson, os vereadores passaram a mensagem de que toleram discursos de ódio no plenário. Enquanto isso, o repúdio isolado de Well mostrou que ainda há espaço para coragem e compromisso com a dignidade humana no Legislativo municipal.
É comum que diversos assuntos relevantes para Minas, para o país e até para o próprio município sejam ignorados, enquanto os vereadores preferem se dedicar a pautas próprias, de agradecimentos e abraços.
- No momento da entrevista realizada ainda durante a reunião ordinária desta última terça-feira (09), a Câmara ainda não havia se pronunciado, como o fez posteriormente no inicio da noite, por meio de uma Nota de Repúdio.






