Na última quinta-feira (04), durante reunião na Câmara de Vereadores de Divinópolis que debateu sobre a população em situação de rua, o pastor Wilson Botelho, líder do projeto Quero Viver, fez uma série de declarações que chocaram parlamentares e o público. Em tom de bravata, ele descreveu expulsões de pessoas de outros municípios, e se vangloriou, de no passado, ter suposto “apoio de coronel” e proferiu frases que, além de desumanas, flertam com ameaça explícita de violência. O vereador Vitor Costa, lamentou
Inicio da polêmica
A polêmica teve início quando o vereador Matheus Dias publicou um vídeo no qual acusava municípios vizinhos de “despejarem” moradores de rua em Divinópolis, citando explicitamente cidades como Nova Serrana, Pedra do Indaiá, Lagoa da Prata, Pará de Minas e Carmo do Cajuru. O clima esquentou ainda mais após o prefeito Gleidson Azevedo reafirmar essas declarações em outro vídeo, no qual reafirmou que “estão colocando dentro do ônibus e mandando para cá”. A fala gerou forte repúdio por parte de gestores dos municípios citados. O prefeito de Pedra do Indaiá classificou a acusação como “mentira” e inclusive anunciou que pedirá retratação literal do vereador. Cidades como Nova Serrana e Carmo do Cajuru também divulgaram notas negando o encaminhamento de pessoas em situação de rua, reforçando que tais afirmações eram falsas e causadoras de estigma social.
Câmara de Divinópolis
A reunião que foi pedida pela Comissão de Constituição e Justiça, com matéria publicada no site oficial do Legislativo, o texto institucional tratou o encontro de forma protocolar e distante da realidade do que de fato aconteceu. Foi destacada nominalmente as presenças de vereadores, representante do Executivo, como a secretária de Assistência Social, Juliana Coelho, e entidades sociais, como o nome de Sérgio Bebiano, presidente fundador do Centro Espírita Jesus de Nazaré, além de reforçar que o objetivo da reunião era debater soluções conjuntas para o acolhimento da população em situação de rua. Foram citadas falas de parlamentares, todos apresentados como atores preocupados em buscar alternativas de políticas públicas.
No entanto, o detalhe mais revelador foi justamente o silêncio sobre a fala do pastor Wilson Botelho, líder do projeto Quero Viver, que, embora tenha usado a tribuna e feito declarações duríssimas, sequer aparece nominalmente na publicação. A nota cita genericamente a presença de representantes de instituições religiosas, mas omite qualquer referência às falas do pastor Wilson Botelho, um contraste gritante as suas declarações, que ficariam no recôndito apenas da reunião, não fosse a digna revolta de um vereador, e a partir de então, o Divinews tomar conhecimento e colocar holofote no lamentavel e desumano fato.
A Câmara ficou tão constrangida que buscou transmitir por meio de sua comunicação, uma imagem de equilíbrio e diálogo institucional, preferiu apagar do registro oficial a intervenção que mais escancarou preconceito e incitação à violência. Ao destacar apenas discursos considerados “palatáveis” e ignorar o mal estar causado pela virulenta fala do pastor, a Câmara deu sinais de que tentou proteger a própria imagem. A gravação da reunião sequer subiu para o Youtube.
As frases que indignaram
Em sua fala, o pastor afirmou que “a polícia não pode, mas eu posso, como cidadão” retirar pessoas de rua da cidade e que “levou carro cheio” para municípios vizinhos, citando Oliveira, Bom Despacho, Itaúna, Formiga e outros. Ele disse ainda ter sido “braço direito da polícia”, com “apoio do coronel”. Em outro trecho, ao tratar de abordagens, disparou: “Vou engordar o vagabundo?”, atacando inclusive ações de assistência como a oferta de sopa. O ponto mais grave veio quando narrou a intimidação contra um morador: “Se você atravessar aquela ponte, amanhã às 4 horas da tarde, eu vou fazer seu sepultamento… é só eu dar uma ligada aqui e você tomar dois tiros na cabeça.”
“Quero Viver” sob suspeita
Ao defender expulsões sumárias: “aqui você não vai ter ajuda… você vai ter que ir embora daqui” e estigmatizar pessoas em extrema vulnerabilidade (“350 viciados… nenhum era de Divinópolis”), o pastor esvazia o nome do próprio projeto que lidera. A retórica estapafúrdia e abjeta transforma acolhimento em ameaça e “controle social” em coerção, colocando sob dúvida se o Quero Viver quer, de fato, vida, ou apenas sumir com quem é indesejado.
Vítor Costa: “É perverso e criminoso”
O vereador Vítor Costa (PT) repudiou publicamente o discurso e lembrou que o SUAS é universal: “O que eu disse não é opinião, é lei… jamais negar atendimento”. Sobre as falas do pastor, foi direto: “Ouvir um líder religioso e gestor de instituição de acolhimento incitar violência… é perverso e criminoso. O mínimo que se espera é repúdio.” Vítor também criticou o silêncio da gestão municipal diante do episódio.
Não é “opinião”: é lei, é vida
Num ambiente de exacerbação política, a Câmara e não apenas gabinetes no térreo precisa ser um espaço de solução, não de espetáculo. A ameaça de “dois tiros na cabeça” cruza a fronteira do aceitável e afronta princípios básicos de dignidade humana, legalidade e política pública. Quem atua com população de rua deve proteger e incluir, nunca caçar e expulsar.
Veja texto de repúdio do vereador Vitor Costa
Vereador Vítor Costa repudia fala de pastor que diz que moradores de rua ‘tomariam dois tiros na cabeça’ se não saíssem de Divinópolis
O vereador Vítor Costa (PT) se manifestou em suas redes sociais nesta segunda-feira (08), após críticas da secretária municipal de Assistência Social à sua posição sobre o atendimento à população em situação de rua. A declaração do parlamentar ocorreu em reação às recentes falas do prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, que afirmou que pessoas vindas de outros municípios não seriam atendidas na cidade. O parlamentar reafirmou que o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) é universal e que toda pessoa tem direito a atendimento, independentemente de sua cidade de origem.
“O que eu disse não é opinião, é lei. A única coisa que os municípios podem discutir é como dividir os custos, mas jamais negar atendimento”, afirmou o vereador.
Na mesma reunião da Câmara Municipal, um pastor que dirige uma instituição de acolhimento em Divinópolis fez declarações graves e chocantes. Ele afirmou que não aceita pessoas em situação de rua vindas de outros municípios e chegou a dizer que, caso não fossem embora, ´´ é só eu dar uma ligada aqui e você tomar dois tiros na cabeça”. Além disso, o pastor disse que não podia dar sopa às pessoas para “não engordar vagabundos”.
Para Vítor Costa, a fala é inadmissível: “Estamos falando de seres humanos em extrema vulnerabilidade. Ouvir um líder religioso e gestor de instituição de acolhimento incitar violência contra essas pessoas é perverso e criminoso. O mínimo que se espera é repúdio´´
O vereador também destacou o silêncio da gestão diante das declarações: “A secretária me criticou por defender o que está previsto na lei, mas permaneceu em silêncio diante de um absurdo desses. Esse tipo de postura é conivente com a exclusão e a violência contra a população em situação de rua”, concluiu.







Este “pastor evangelico”, não passa de um criminoso hipócrita…, esta é a extrema direita tentando reencarnar Hitler do novo milênio.
Lamentável o pensamento e atitude desta gente com os mais necessitados.