O episódio protagonizado pelo pastor da Igreja Batista Fé em Cristo, Wilson Botelho, na Câmara de Divinópolis, não pode ser relativizado. Ao defender a expulsão de migrantes e insinuar até execuções, ele não apenas ultrapassou o limite da razoabilidade mas também desnudou a contradição de sua própria história.
Nascido em Conselheiro Pena e acolhido por Divinópolis quando chegou sem condições econômicas, Botelho hoje levanta a voz contra migrantes pobres, chamando-os de estorvo. É a velha máxima da hipocrisia social: quem ontem estendeu a mão, hoje é atacado por quem deveria replicar a mesma solidariedade.
As falas violentas do pastor como a citação de “dois tiros na cabeça” não podem ser tratadas como meras bravatas. Elas carregam um perigoso sinal de radicalização, travestida de zelo religioso e disfarçada em discursos de “cuidado social”. O problema é que, no lugar da compaixão, emerge a intolerância. No lugar da inclusão, a exclusão.
A Câmara de Divinópolis até a manhã desta quarta-feira (10), após ser pressionada pela opinião pública emitiu Nota de Repúdio, contudo, até então, por sua vez, estava preferindo ignorar a fala de Wilson em sua própria nota institucional publicada no portal, como se o silêncio fosse suficiente para abafar o constrangimento. Como não o foi. Quando um líder religioso faz apologia à violência contra moradores de rua dentro do plenário, a democracia local sofre um abalo.
É hora de a sociedade refletir: qual o papel de quem se apresenta como pastor? Pregador da fé ou propagador do ódio? O caso de Wilson Botelho é emblemático porque mostra como discursos religiosos podem ser sequestrados para legitimar preconceito, violência e exclusão social.
Não se trata de um deslize isolado. É um alerta. Em tempos de exacerbação política e de radicalismos, Divinópolis precisa escolher se vai se calar diante de líderes que desonram a fé em nome de bravatas, ou se vai se posicionar em defesa do óbvio: nenhum ser humano deve ser tratado como lixo descartável.
Contradições expostas
As contradições entre o discurso religioso e a prática de Botelho colocam em xeque a legitimidade de sua atuação. Um homem que foi migrante, acolhido por Divinópolis e beneficiado pela tolerância da cidade, agora se coloca como linha de frente do preconceito e da violência contra os mais pobres. Mais do que hipocrisia, suas falas apontam para um perigoso extremismo travestido de liderança comunitária.
Nascido em Conselheiro Pena, Wilson Botelho não esconde em seus discursos a aversão aos migrantes que chegam a Divinópolis em situação de vulnerabilidade. Porém, como lembrou a ex-vereadora Eliana Piola, ele próprio foi acolhido pela cidade após chegar de Itaúna sem condições econômicas. Piola questionou o religioso: “Onde está escrito na Bíblia que se pode dar tiro na cabeça das pessoas?”, lembrando ainda que Wilson se estabeleceu no bairro Manoel Valinhas ocupando irregularmente dois lotes, que depois se somaram a outros três, resultando em uma área de cinco terrenos onde ergueu sua igreja. “Ninguém lhe deu tiro na cabeça por se apropriar indevidamente da área”, ironizou a ex-vereadora.
E as contradições não param aí. A instituição que ele lidera, o projeto Quero Viver, já perdeu títulos de utilidade pública em nível federal e estadual, e em Divinópolis foi listada entre as que não prestaram contas. A pergunta que ecoa é inevitável: quem quer viver, de fato, dentro desse projeto?
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PORTARIA No – 1.800, DE 23 DE ABRIL DE 2013 – O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA, com base no
disposto no parágrafo único do art. 4º, da Lei no 91, de 28 de agosto de 1935 e alínea “a” do art. 6º, do Decreto no 50.517, de 2 de maio de 1961, usando da competência que lhe foi conferida pelo art. 1o, do Decreto no 3.415, de 19 de abril de 2000, resolve: Art. 1o Cassar o Título de Utilidade Pública Federal das seguintes instituições: XLIII – ORGANIZAÇÃO COMUNITÁRIA NOVA VIDA, com sede na cidade de Divinópolis, Estado de Minas Gerais, registrada no CNPJ sob o nº 23.774.300/0001-23 (Processo MJ nº 0 8 0 7 1 . 0 3 6 8 9 7 / 2 0 11 – 4 9 ) ;
Nota de repúdio
A Câmara Municipal de Divinópolis vem a público manifestar seu veemente repúdio às declarações proferidas pelo Pastor Wilson Botelho durante a reunião da Comissão de Justiça, Legislação e Redação voltada ao debate sobre pessoas em situação de rua. As falas registradas durante a reunião são inaceitáveis, repugnantes e incompatíveis com os valores de uma sociedade democrática e com o dever de proteção à dignidade humana.
Rejeitamos, com toda a firmeza, qualquer incentivo à violência, à intimidação ou à expulsão sumária de pessoas em situação de vulnerabilidade. A retórica de coerção que transforme ações de acolhimento é grave e desumaniza cidadãos que merecem atendimento, políticas públicas e respeito.
A Câmara Municipal de Divinópolis declara que:
1. Não compactua com quaisquer práticas, que atentem contra a integridade física, a segurança ou a dignidade das pessoas;
2. Repudia veementemente as declarações, que incentivam ou enaltecem a violência e a intimidação;
3. Solicita às autoridades competentes a apuração dos fatos e a tomada das providências legais cabíveis, inclusive quanto a eventuais responsabilizações penais e administrativas;
4. Reafirma o compromisso desta Casa com a proteção dos direitos humanos, com o atendimento digno às pessoas em situação de rua e com a promoção de políticas públicas, que priorizem a assistência, a reinserção e a proteção social;
Exigimos tanto da sociedade civil organizada como das autoridades públicas o compromisso efetivo com práticas que respeitem a lei, a ética e a dignidade da pessoa humana.
Divinópolis, 09 de setembro de 2025.
Vereador Israel da Farmácia
Presidente da Câmara Municipal de Divinópolis







Falar do PR Wilson é fácil, talvez por uma infelicidade iu mal entendido, quero ver é fazer o que ele fez e faz, sou testemunha , que ele chegava a levar viciados jogados nas ruas pra dentro de sua casa, e dar comida, abrigo, etc… quando falou em dar tiro na cabeça, não foi no sentido literal, mas numa linguagem ilustrativa, do meio das ruas, como nós conhecemos, sabendo o que seria bom pro indivíduo naquele momento, voltar pra casa que a situação não seria boa… Pr Wilson é um exemplo pra nós; pulso firme, e um homem honrado. Pq vcs críticos não vão pra rua acolher os drogados e viciados pra sentir o trama… falar é fácil ser o Pr Wilson vcs não conseguiriam… acertar 99 vezes pode, normal, errar uma pau nele… vão causar o que fazer pessoal… Deus te abençoe sempre pr Wilson… Dr José Carlos.