A escalada diplomática iniciada pelos Estados Unidos contra o Brasil nas últimas semanas tem Brasília atuando como protagonista em uma disputa global que vai muito além de Jair Bolsonaro. Considerado por Trump apenas como um “bode expiatório”, o ex‑presidente e seu clã foram usados para justificar uma ofensiva econômica e política mais ampla, direcionada ao bloco dos BRICS, onde o Brasil ganha destaque como potência emergente.
Brasil é usado como exemplo na geopolítica Trumpiana
Segundo análise do podcast “O Assunto” da G1, a estratégia não é punir Bolsonaro, mas sim sinalizar ao mundo que os EUA estão dispostos a retaliar qualquer país que desafie sua hegemonia ou avance em arranjos multilaterais que enfraqueçam o dólar como moeda central. O Brasil, host da cúpula dos BRICS em julho, tornou-se o alvo ideal para demonstrar poder e frustração com o bloco.
Especialistas apontam que Trump selecionou o Brasil porque o país representa uma ascensão global moderada relativamente acessível em comparação com a China ou Índia e Bolsonaro serviu como pretexto. Bolsonaro é “irrelevante” no tabuleiro geopolítico maior, e será descartado assim que os EUA alcançarem suas metas mercadológicas e estratégicas.
Estratégia de ameaça como ferramenta de pressão
Para analistas, a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros e sanções a membros do STF foi menos sobre disputas comerciais e mais sobre enviar um recado global: o protecionismo será aplicado a quem desafiar os EUA ou se juntar ao BRICS. O objetivo é isolar o Brasil e enfraquecer o bloco emergente, enviando um aviso para outros países que considerem diversificar além do sistema ocidental liderado pelos EUA.
O professor Marcelo Fernandes de Oliveira, da Unesp, resume bem: “Trump pegou o Brasil como um possível bode expiatório ao mundo de como não se deve tratar as big techs” e limitou a capacidade de resposta diplomática do governo brasileiro.
Bolsonaro como instrumento e descartável
Embora a comunicação dele e de seus filhos tenha alimentado a narrativa americana sobre perseguição judicial, a real motivação de Trump é estrutural e ideológica. Uma vez alcançados os objetivos desacoplar países do BRICS do dólar, frear inspiração em modelos alternativos, Bolsonaro será marginalizado como símbolo ultrapassado de uma agenda que não representa uma ameaça real à política global americana.
Brasil reage com soberania e alternativas
Em retaliação diplomática e comercial, o presidente Lula anunciou tarifas recíprocas conforme a Lei de Reciprocidade Econômica, posicionando o Brasil como defensor de sua autonomia frente às ameaças americanas. O país, por sua vez, busca diversificar parcerias com Europa, Ásia e outros blocos reforçando sua posição dentro dos BRICS






