A professora Soraya Tatiana, de 56 anos, foi assassinada pelo próprio filho após uma discussão relacionada a dívidas acumuladas com apostas. O corpo foi encontrado sob um viaduto em Vespasiano, e o suspeito, que simulou o desaparecimento da mãe, confessou o crime após ser preso temporariamente em Belo Horizonte.
Após cinco dias de comoção e mistério, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) esclareceu o assassinato da professora Soraya Tatiana Bonfim França, de 56 anos. Ela foi morta pelo próprio filho, Matteos França Campos, de 32 anos, que confessou o crime em depoimento à delegada Ana Paula Rodrigues, do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo a polícia, o crime ocorreu na sexta-feira (18/07), após uma discussão entre mãe e filho motivada por dívidas financeiras geradas por apostas online. Matteos, que atuava como assessor de comunicação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese), relatou estar em colapso financeiro. A pasta confirmou sua exoneração após a prisão.
Durante a briga, Matteos teria enforcado a mãe, alegando ter sofrido um surto. O corpo foi encontrado no domingo (20/07), coberto por um lençol, sob um viaduto no bairro Conjunto Caieiras, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A vítima estava seminua, o que inicialmente levantou suspeitas de violência sexual — hipótese ainda não confirmada.
Mesmo com a confissão, a polícia aguarda laudos da necropsia para determinar a causa exata da morte e confirmar se houve abuso sexual. O Delegado Álvaro Homero ressaltou que nenhum vizinho ouviu gritos ou barulhos no apartamento onde o crime aconteceu, no bairro Santa Amélia, Região da Pampulha.
Após o assassinato, o suspeito tentou despistar a polícia, registrando o desaparecimento da mãe e criando uma narrativa falsa para os familiares, inclusive nas redes sociais. Matteos chegou a publicar homenagens emocionadas à Soraya, chamando-a de “amiga e maior encorajadora”, e se dizendo “devastado”.
Na terça-feira (22), durante entrevista ao Estado de Minas, ele afirmou que a família buscava “respostas para que ela pudesse descansar em paz”. No entanto, a prisão temporária foi decretada e, ao ser confrontado pelas autoridades, confessou o feminicídio.
Segundo o depoimento, após cometer o crime, Matteos colocou o corpo no carro da família, levou até o viaduto, retornou ao apartamento e, em seguida, viajou com amigos à Serra do Cipó, tentando seguir a rotina normalmente.
A delegada Ana Paula classificou o crime como feminicídio, e reforçou que a prisão temporária é essencial para a conclusão do inquérito. O advogado de defesa, Gabriel Arruda, informou que só se manifestará após ter acesso integral ao processo.
Amigos e colegas da professora lamentaram o crime. Caroline Dayrell, coordenadora do Colégio Santa Marcelina e amiga próxima da vítima, afirmou que Soraya nunca relatou problemas familiares ou financeiros. “Ela era alucinada pelo filho. A vida dela era o Matteos”, disse emocionada.






